O futebol é um esporte que exalta o vigor individual e coletivo de seus jogadores e representa um caminho de ascensão de milhares de jovens. Assim, no que tem de melhor, é a consagração da luta de um povo que vê no esporte uma sinergia social e política. No entanto, o futebol também mascara o que tem de pior: a corrupção impregnada nas federações e, especialmente, no lobby das manipulações de resultados. Dessa forma, nesta terça-feira (23), a coluna Futflix apresenta o documentário Manipulado: uma comédia de futebol, que revela uma das maiores farsas da história nesse tema.

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Assim, lançado pela Amazon Prime Vídeo, em 2020, e com direção de Karel van de Berg, o documentário viaja à setembro de 2010. Logo, conta a história de um lendário jogo amistoso de futebol entre as seleções do Bahrein e Togo. No entanto, entrou para a história não diretamente pelo que aconteceu dentro de campo, mas, sim, pelo que se descobriu após. Pois, a equipe togolesa entrou no gramado com um time totalmente “falso”. Dessa forma, um jogo que ainda hoje serve de exemplo pela Interpol de como se reveste a corrupção no esporte e, em especial, os esquemas de manipulação de resultados.

Conhece a famosa frase “seria cômico se não fosse trágico?“. Pois bem, como o subtítulo da obra deixa claro, Manipulado: uma comédia do futebol inicia mesclando testemunhos de quem esteve envolvido com a partida e um show de Stand-Up. Mas, sem querer fazer pouco caso do caso, o documentário deixa de lado o tom humorístico para mergulhar de vez no que aconteceu naquele 7 de setembro de 2010.

UMA DAS MAIORES FARSAS DO FUTEBOL MUNDIAL

Inicialmente, nesta data, segundo o site oficial da FIFA, o Bahrein conquistou sua primeira vitória sob o comando do então técnico austríaco Josef Hickersberger. Acontece que o triunfo por 3 x 0 foi diante de uma equipe fantasma, já que os Togoleses juram que não pisaram no gramado, nem tampouco estiveram no Bahrein. “Os jogadores que participaram nesse jogo eram falsos, vamos investigar o caso para encontrar os responsáveis“, declarou Seyi Mèmène, dirigente da federação togolesa, à época.

Explorando detalhes em uma inédita investigação do caso, Manipulado: uma comédia do futebol revela que na essência dessa história está um empresário que enganou a federação do Bahrein. Logo, seu nome: Wilson Raj Perumal. Dessa forma, ele aliciou jogadores e marcou amistoso em data que o Togo estaria indisponível já que dias antes esteve na Botswana, Lomé, Joanesburgo e Accra, em Gana.

Wilson Raj Perumal, um dos maiores manipuladores de resultado do futebol (Foto: Reprodução / CNN)
Wilson Raj Perumal, um dos maiores manipuladores de resultado do futebol (Foto: Reprodução / CNN)

A MANIPULAÇÃO

Logo, para que o jogo ocorresse, o então técnico do Togo, Tchanile Bana, levou uma falsa seleção com jogadores amadores para o Bahrein. Anos depois, o treinador foi banido por três anos por ter sido considerado o responsável pela equipe de jogadores não-identificados. Vale informar que, à época, todo a seleção do Togo era conhecida e jogava fora do país.  Dessa forma, Bana encerrou uma passagem de quatro anos pelo selecionado, de 2000 a 2004. Além disso, já havia sido suspenso por dois anos por levar jogadores ao Egito sem permissão.

Mas onde entra a manipulação de resultados? Ao levar jogadores em uma seleção falsa ao Bahrein, Perumal e Bana alteraram resultados em casas de apostas. Isso porque, à época, o Togo, com sua formação profissional, tinha mais tradição e qualidade do que a incipiente seleção do Bahrein. Logo, as apostas giravam em torno da vitória dos visitantes em solo árabe. Além disso, com o aliciamento de envolvidos na partida, por contato telefônico, foi tramada com a arbitragem até de quantos gols a equipe perderia para favorecer os interesses do empresário.

MANIPULADO: UM COMÉDIA DE FUTEBOL É BOM?

Por fim, Manipulado: uma comédia de futebol trata com seriedade e vai na essência do caso em uma investigação que preza pela qualidade dos relatos. Assim, está presente falas do próprio Perumal, Bana, de alguns jogadores da falsa seleção, jogadores do Bahrein. Apesar disso, a montagem da edição deixa as informações um tanto truncadas que dificultam uma conclusão do que é relato de primeira. Mas, o saldo é positivo e serve de ponto de partida para se conhecer um dos maiores escândalos de manipulação de resultados no futebol mundial.

Foto Destaque: Divulgação / Amazon Prime Vídeo

Ricardo do Amaral
Ricardo do Amaral
"Alvíssaras! Sou Ricardo Accioly Filho, pernambucano de 27 anos, advogado e estudante de jornalismo pela Uninassau. Tenho como mote que “no futebol, nunca serão apenas 11 contra 11”; é arte, é espetáculo, humanismo, tem poder de mover multidões e permitir ascensões sociais. Como paixão nacional do brasileiro, o futebol me acompanha desde cedo, entretanto como nunca tive habilidade para praticá-lo, busquei associar duas vertentes de minha vida: o prazer pela leitura e o esporte bretão. Foi nesse diapasão que encontrei no jornalismo esportivo o elo de ligação que me leva a difundir e informar o que, nas palavras de Steven Spielberg, é o “mais belo espetáculo de imagens que já vi”."

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