Entra ano, sai ano, mas alguns dos grandes problemas no esporte seguem sendo rotina no Brasil, principalmente no futebol, onde as mulheres ainda lutam para conseguir seu espaço. Mas, se em campo a rotina já não é fácil, nas quadras, é pior ainda. Além do tão conhecido preconceito, a falta de apoio e de visibilidade ao futebol de salão para mulheres é ainda maior do que no campo.

Em entrevista exclusiva ao Futebol na Veia, a goleira Paula Andreia Souza Oliveira, 21, da Liga Sorocabana, conta como é difícil a luta para transformar em realidade o sonho de ser uma jogadora profissional.

1) O que te motivou a ser uma jogadora de futebol?

O que me motivou a jogar futsal foi o meu irmão. Na época, ele era criança e eu ia junto nos treinos, mas ficava só olhando ele treinar, até que um dia eu decidi treinar. A partir daí eu quis treinar todos os dias.

2) Você teve e tem apoio de sua família e de seus amigos para seguir essa carreira?

De começo minha família não apoiou muito, tinha uma certa restrição, mas com o tempo eles enxergaram que eu amava e que tinha jeito, as medalhas foram chegando e minha alegria também. Então, eles começaram a apoiar e hoje me apoiam muito.

Foto: arquivo pessoal

3) Como é sua rotina para transformar esse sonho em realidade?

Minha rotina no futsal sempre foi corrida, com muitos treinos e jogos. Tenho treinos normais e treinos específicos para a minha posição, que é goleira, o que exige um trabalho diferenciado. Hoje em dia treino um pouco menos do que antes, pois tenho outras responsabilidades também, mas tenho campeonatos durante todo o ano.

4) Por que você preferiu o futsal ao invés do futebol de campo?

Eu já comecei no futsal. Não tenho muita estatura para o futebol, e no futsal isso não é problema. Além disso, eu prefiro o futsal pois acho que o ritmo é mais rápido, gosto assim. Inclusive, no início, eu jogava na linha, até que um dia descobri que meu lugar era no gol, depois desse dia não quis mais saber de linha e fui aprimorando os treinamentos.

Foto: arquivo pessoal

5) Quais dificuldades você encontra para seguir essa carreira?

Hoje o futsal feminino, assim como o futebol, é muito desvalorizado no nosso país. A maior dificuldade que encontramos é a falta de apoio e preconceito na nossa modalidade.

6) Acredita que as garotas que desejam se tornar jogadoras ainda sofrem algum tipo de preconceito?

Sim, muitas pessoas ainda têm uma visão fechada, acham que só homem deve jogar futebol, que isso é coisa de homem. Mas não é! Desvalorizam a mulher e seu potencial em vários aspectos e no futebol não é diferente. Mas, a mulher, a cada dia que passa, está calando a boca da sociedade e provando que o lugar dela é onde ela quiser.

Foto: arquivo pessoal

7) Muito se fala sobre a falta de apoio ao futebol de campo feminino. O futsal tem menos apoio ainda do que o futebol de campo?

Sim. Agora o futebol feminino está ganhando ainda mais espaço que o futsal, pois a partir de 2019, os clubes de futebol do Brasil que não tiverem um time feminino disputando competições nacionais estarão proibidos de disputar a Copa Libertadores. Esta é uma das principais exigências do regulamento de licenciamento de clubes da CBF.

8) Pensa em sair do país para ter mais oportunidades de crescer como jogadora?

Sim, alguns outros países valorizam e apoiam mais a modalidade, sem contar a bagagem de experiência que ir para outro país proporciona.

Foto: arquivo pessoal

9) Se você pudesse, o que mudaria no Brasil para ter mais apoio ao futebol feminino?

Mudaria a forma de investir na modalidade e mudaria a visão que alguns pessoas ainda têm sobre o futebol feminino, pois acabam desvalorizando mais a modalidade.

10) Quem te inspira no futebol?

O atleta que mais me inspira é o goleiro Luan Muller, de uma equipe de Sorocaba, o Magnus, por sua personalidade e pelo seu talento dentro de quadra.

Foto: arquivo pessoal

11) Quais seus planos para a próxima temporada?

Meus planos são intensificar mais meus treinamentos e ser campeã de alguns campeonatos, já que em 2017 não foi possível, mesmo tendo sido um ano muito bom para mim e para meu time, com muitas vitórias. Meus planos são entrar em competições com nível mais avançado.

12) Qual seu maior sonho como jogadora?

Meu maior sonho, creio, é o sonho de todas as meninas no nosso país: poder um dia representar a seleção brasileira e vestir o nosso manto verde e amarelo.

13) Qual dica você daria para outras garotas que desejam se tornar jogadoras de futebol?

Independentemente do que aconteça, nunca desistam dos sonhos, que corram sempre atrás, pois um dia vai se tornar real. A vitória chega como resultado de todo o trabalho. Nunca deixem falar que você não consegue, porque se você quer, você consegue sim!

Foto: arquivo pessoal

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14) Conte uma situação inusitada e divertida que você passou em sua carreira.

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Anderson Lima
Anderson Lima
Anderson Marin Lima é jornalista de carteirinha, apaixonado por jornalismo esportivo e amante de futebol e vídeo-game. Tem 30 anos de idade, sendo 11 de jornalismo, passando por assessoria de imprensa, rádio, TV e site.

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