Liga MX Feminina: o que ainda falta para o futebol feminino no México?

- Um dos torneios mais jovens de futebol feminino do mundo já sonha com reconhecimento internacional
Liga MX feminina: O que o México ainda precisa mudar?

A Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2019 revolucionou a modalidade em todo o mundo. Esta nova etapa é marcada por maiores investimentos, patrocínio e visibilidade. No entanto, em geral, ainda há muita coisa que precisa ser alterada. A Liga MX feminina, que é a divisão principal do futebol feminino no México, é o exemplo ideal do quanto o cenário está mudando, mas de que ainda há muito para percorrer.

Com somente três anos de existência do torneio, a diretora da Primeira Divisão Feminina do México, Mariana Gutiérrez, já fala em transformar a liga na melhor do mundo. Segundo Gutiérrez, o desenvolvimento da competição no país latino-americano é inegável e pode levar as equipes para um patamar internacional.

“Seremos a melhor liga de futebol feminino do mundo, porque há um investimento muito forte, as equipes estão apostando nele e as jogadoras têm tempo para amadurecer”, disse a diretora do torneio em uma entrevista coletiva durante o evento esportivo Sports Summit MX 2020.

Partida entre Monterrey e Tigres
Partida entre Monterrey e Tigres, duas das equipes mais fortes da Liga MX (Foto: Reprodução/MEXSPORT)

De fato, não há como negar que este novo momento faz o campeonato caminhar em passos — muito — lentos para um dia se tornar a melhor liga da modalidade no mundo. Antes de pandemia do coronavírus e da interrupção do torneio, as atletas jogavam no mesmo estádio da equipe masculina, o que raramente acontece em outros países. Além disso, outro ponto positivo é a visibilidade midiática, visto que sete dos nove jogos de cada rodada eram transmitidos ao vivo pela televisão.

Dessa forma, o questionamento que fica é: “O que impede a MX Liga de se tornar o maior torneio global?”. Por conta disso, a coluna Rainhas da Bola desta semana reuniu alguns tópicos que ainda precisam mudar no futebol feminino mexicano. Confira:

Pouco tempo desde a criação da MX Liga

O pouco tempo de existência da MX Liga é, sem dúvidas, um fator fundamental para entender a baixa repercussão dos times internacionalmente. Criada somente após 74 anos da fundação da modalidade masculina no México, a competição também é dividida em dois torneios, o Clausura, que acontece no primeiro semestre do ano, e o Apertura, que ocorre no segundo semestre.

Com isso, cada ano tem dois campeões nacionais, totalizando cinco títulos em três anos de liga — a temporada inaugural ocorreu somente na metade de 2017, portanto, só houve um campeão no ano —, que foram recebidos somente por quatro equipes, sendo elas:

  • 2017 – Apertura: Guadalajara
  • 2018 – Clausura: Tigres
    Apertura: América
  • 2019 – Clausura: Tigres
    Apertura: Monterrey
Atletas do Monterrey levantando a taça da Liga MX em 2019
Atletas do Monterrey levantando a taça da Liga MX Feminina (Foto: Reprodução/Imago7)

Além disso, as equipes mexicanas ainda não foram classificadas para nenhuma edição da Copa Libertadores até o momento. Assim, a visibilidade dos times ainda é baixa, mas o cenário tende a mudar ao longo do tempo. Ao menos, é o que esperamos!

Profissionalização

Um dos principais tópicos que impede a elevação do nível técnico das jogadoras da Liga MX é que, além de formar uma carreira no futebol profissional, elas precisam continuar estudando para manter um emprego alternativo por conta dos baixos salários. A maior parte das atletas das 19 equipes que formam o torneio são prejudicadas pela jornada dupla.

Um exemplo é a atleta Dania Padilla, meio-campista do Pumas. De manhã, a atleta treina com a equipe e durante a tarde vai para a Facultad de Estudios Superiores Acatlán, universidade mexicana onde ela estuda Matemática Aplicada e Computação. Segundo a atleta, pensar em um plano B para a carreira é um ponto positivo. Entretanto, Padilla não nega que a rotina é complicada e que às vezes tanto os treinos quanto as aulas na faculdade são afetadas.

“É muito difícil lidar com o ritmo do futebol e dos estudos. Após o treinamento em Cantera, eu corro para a Faculdade para assistir às aulas, então não é fácil explicar a situação aos professores, mas esse estilo de vida é tomado com muito esforço “, disse a atleta em entrevista ao site “El Universal”.

Dania Padilla durante um treino com a equipe do Pulmas
Dania Padilla durante um treino com a equipe do Pumas (Foto: Reprodução/Twitter)

Salários

Ainda relacionado ao tópico anterior, os salários são, sem dúvida, um dos grandes pontos negativos do futebol feminino do México. Segundo um levantamento feito pela agência Sporting Intelligence, as jogadoras do torneio de elite recebem cerca de 42 mil pesos mexicanos (aproximadamente R$ 10,1 mil). Com isso, o valor mensal do salário das atletas de cerca de R$ 841. Assim, fica claro a necessidade de manter uma profissão alternativa.

Por outro lado, o salário médio dos jogadores das equipes masculinas da primeira divisão no México é de cerca de R$ 2,3 milhões por ano, conforme a pesquisa realizada pela agência. Este valor indica que o salário recebido pelas mulheres é apenas 0,5% do montante pago aos homens anualmente.

Investimentos e planejamento da MX Liga

A falta de planejamento caminha ao lado dos baixos investimentos na Liga MX Feminina. Os problemas nestes aspectos já eram evidentes antes mesmo do surgimento da competição. De acordo com o secretário da Federação Mexicana de Futebol, Fernando Cerrilla, não havia um cálculo que estimava o valor exato do dinheiro necessário para a criação da liga.

Segundo o Juanfutbol, estima-se que pelo menos 70 milhões de pesos (R$ 17 milhões) seriam necessários para sustentar por duas temporadas a liga feminina. Para isso, é preciso ao menos um investidor privado. Um exemplo de grande investidor é o empresário mexicano Carlos Slim, eleito o décimo segundo homem mais rico do mundo, e que adquiriu parte dos clubes Pachuca e León em 2012.

Carlos Slim ao lado do presidente do Pachuca, Jesús Martínez, em 2014
Carlos Slim ao lado do presidente do Pachuca, Jesús Martínez, em 2014 (Foto: Reprodução/CUARTOSCURO)

Os impactos desta falta de planejamento são sentidos diariamente pelos clubes e atletas. O presidente da Liga MX, Enrique Bonilla, afirmou no ano passado que os clubes não estão conseguindo cobrir as despesas das atletas e que falta dinheiro para sustentar o torneio.

“É uma liga que custa muito dinheiro. Está em déficit. Agora é o momento em que os investidores estão começando a investir este dinheiro”, disse o presidente.

Como exemplo contrário, podemos analisar a evolução do futebol feminino na Inglaterra. No país europeu, foram necessários nove anos para a criação de um torneio feminino semi-profissional. O valor levantado neste intervalo foi de R$ 17,2 milhões, suficiente para auxiliar os clubes e manter os salários das atletas. Não é à toa que o país hoje faz tanto sucesso na modalidade!

Foto destaque: Reprodução/Mediotiempo

Giovanna Oliveira

Sobre Giovanna Oliveira

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Giovanna Oliveira, 19 anos. Estudante de jornalismo, profissão que escolhi por ser apaixonada por ouvir e contar histórias. Atualmente, trabalho na redação da Casa Vogue e sou colunista do Coldplay Brasil. Acredito que não somente o futebol, como todos os outros esportes, são algumas das formas mais encantadoras de lidar com a vida e se conectar com as pessoas.

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Giovanna Oliveira, 19 anos. Estudante de jornalismo, profissão que escolhi por ser apaixonada por ouvir e contar histórias. Atualmente, trabalho na redação da Casa Vogue e sou colunista do Coldplay Brasil. Acredito que não somente o futebol, como todos os outros esportes, são algumas das formas mais encantadoras de lidar com a vida e se conectar com as pessoas.

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