Leverkusen 2001-02: quase campeão de tudo

- Se um vice te deixa triste, imagina três
O Bayer Leverkusen 2001-02 foi quase campeão de tudo

Há coisas na vida que ninguém gostaria de ter vivido, e certamente, o mais apaixonado pelo futebol não gostaria de ser torcedor do  Bayer Leverkusen 2001-02. A sensação de nadar muito e morrer na praia é extremamente frustrante, imagina isso acontecer mais de uma vez em pouco tempo. Por isso, a coluna Quebrando Muros conta a história de um time que não precisou ser campeão para ficar marcado.

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A construção do elenco

As contratações foram mais voltadas para a defesa. Butt chegou de graça do Hamburgo, Sebescen veio do Wolfsburg por 6 milhões de euros e Zepek por 1 mi do Karluscher. O único reforço ofensivo foi o camisa 10 Basturk. Além disso, Paulo Rink foi reintegrado ao elenco após empréstimo no Nuremberg.

As perdas foram poucas, como os reservas Voss e Ponté para Duisburg e Wolfsburg, respectivamente. Robert Kovac foi o único titular a sair por 7,5 milhões de euros para o Bayern. Ainda tem a manutenção de peças importantes do elenco. Lúcio e Placente mantiveram a base defensiva, os jovens Ballack e Babic receberam sondagens, mas ficaram no meio. Neuville e Kirsten também continuavam com seu entrosamento.

Assim, o treinador Klaus Toppmuller montou seu time no começo da temporada: Butt; Schneider (Sebescen), Nowotny, Lúcio e Placente; Ramelow, Basturk, Zé Roberto e Ballack; Neuville e Kirstein (Berbatov).

Bundesliga

No início, 14 jogos de invencibilidade, com dez vitórias e quatro empates. Mesmo com a derrota para o Werder Bremen, a distância para o segundo colocado era de seis pontos. Destaque para o empate contra o Schalke 04, por 3 x 3, em que os aspirinas levaram 2 x 0, buscaram o empate, levou o terceiro e aos 91′ Schneider fez um golaço para dar um ponto para cada lado.

Em dezembro e fevereiro, a equipe passou por dificuldades, como algumas derrotas inesperadas e outras em confrontos diretos, como contra o Bayern. No entanto, quando tudo parecia estar perdido veio um 4 x 0 no líder Borussia Dortmund que fez o Bayer voltar ao primeiro lugar. Um jovem Berbatov virou grande talismã em momentos importantes. Como o gol de empate contra o Freiburg, que na 26° rodada parecia ter sido o fim do campeonato. Um gol com a famosa sorte de campeão.

Entretanto, o Leverkusen 2001-02 não deu paz para seus admiradores. Ballack marcando vários gols, Zé Roberto e Basturk sendo grandes garçons (vamos falar de números depois). Mesmo assim, a defesa não ajudou muito. Butt fazia grandes defesas, Lúcio era um líder dentro de campo, mas sem Nowotny do seu lado, a vida ficou difícil. O líbero se lesionou no fim da temporada, e vieram um empate com o Hamburg e derrotas para Nuremberg e o vilão Werder Bremen fizeram o clube ceder a liderança para os aurinegros na penúltima rodada.

DFB Pokal

Primeiramente, vamos falar de outras glórias antes das tristezas. O clube confirmou o favoritismo contra o Jahn Regensburg com um 3 x 0. Em seguida, o sistema defensivo assustou, mas Berbatov marcou um hat-trick para os aspirinas passarem do Bochum. Um detalhe dessa partida é que o treinador da equipe enfrentou seu filho,que estava no adversário.

Nas oitavas, Butt defendeu um pênalti com menos de cinco minutos. Ao menos, viu 20′ depois Kirstein e Neuville marcarem para deixar a equipe nas quartas. A partida foi contra o 1860 Munique, que apesar da defesa fechada levou três gols na segunda etapa. A semifinal contra o Colonia é considerada um dos jogos mais emocionantes da competição. Com direito a prorrogação e tudo. o 3 x 1 fez os bodes ficarem pelo caminho.

11 de maio de 2002, final contra o Schalke 04, em Berlim. Lúcio deu de cabeça, a bola sobrou para Berbatov abrir o placar aos 27′. No último lance da primeira etapa, Bohme igualou o placar. Isso deu ânimo para os azuis reais, que na volta da segunda etapa não deixaram o adversário ver a cor da bola. Abriram 4 x 1, e Kirstein fez o segundo no fim, mas não deu. A torcida Werskelf estava triste pela segunda vez na semana (e na temporada).

Champions League

O Leverkusen 2001-02 começou cedo na competição internacional. Na fase de qualificação enfrentou o Estrela Vermelha, que deu trabalho em casa, no entanto, na Alemanha a dupla de ataque brilhou no 3 x o. Assim, no sorteio a equipe caiu no Grupo F com Fernebache, Lyon e Barcelona. Os alemães pareciam que correriam por fora, mas passaram de fase em segundo lugar com uma rodada de antecedência. Foram 12 pontos, quatro vitórias, duas derrotas, 10 tentos feitos e nove sofridos.

Naquela temporada, a CL ainda tinha a segunda fase. No Grupo D, o Bayer caiu com Juventus, Arsenal e La Coruna. Mais uma vez era azarão, todos ali tinham ao menos uma final continental no currículo. Apesar de levar uma goleada bianconeri e outra Gunner, foram três vitórias e um empate com 11 gols feitos e sofridos que colocaram o time em primeiro da chave.

Na sequência, veio o Liverpool pelas quartas de final. No primeiro jogo, Hypia colocou os Reds na frente do embate. Só que no apoio da sua torcida, os alemães fizeram um jogo emblemático para aquela equipe. Um 4 x 2 com show de Ballack, Berbatov e Lúcio marcando o gol de cabeça, que deu a classificação aos 84′. Ainda naquele abril de 2002 viria mais emoção. O adversário era o terror alemão, Manchester United. A ida foi 2 x 2, ótimo resultado. A volta já não foi tão fácil, os Red Devils dominaram toda a partida, Butt fez milagres. Keane abriu o placar aos 28, já aos 45′ Neuville fez o tento que colocava o Leverkusen na final pela primeira vez na história, graças ao saldo do gol fora de casa.

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As tragédias do Leverkusen 2001-02

Uma delas já foi contada. A única competição que não foi tão longe foi a Taça da Liga Alemã, ou LigaPokal daquela temporada, na qual foi eliminado pelo Hertha Berlim de Marcelinho Paraíba por 2 x 1 na primeira fase. No dia 05 de maio, a Alemanha parou para ver a última rodada da Bundesliga. Título, vagas continentais e uma vaga de rebaixamento a decidir. Todos os jogos tinham disputas importantes. O BVB e B04 jogam dentro de casa esperando a taça, o Bayern corria por fora caso os outros dois perdessem.

Em Dortmund, Staleri abriu o placar para o Werder Bremen. Ballack abriu o jogo contra o Hertha, assim, tudo dava certo. Koller empatou para os aurinegros no fim da primeira etapa. O camisa 13 alemão cravava os três pontos em Leverkusen. A torcida festejava até que aos 75′, no Signal Iduna Park, o brasileiro Ewerthon marcou o gol do título do Borussia. O clima de velório ficou na BayArena, apesar da vitória.

Dez dias depois, a história era contra o Real Madrid, em Glasgow. Raul abriu o placar cedo, Lúcio como fez em toda a temporada foi eficiente ao marcar de cabeça aos 14′. O jogo ficou franco até que aos 45′ Roberto Carlos foi ao fundo e cruzou para Zidane dar um voleio no ângulo, conhecido até hoje como um dos gols mais bonitos da história do torneio. A segunda etapa foi de uma pressão desorganizada alemã, que com as grandes defesas de César(saiu machucado aos 68′) e Casillas, os Blancos  saíram com a orelhuda da Escócia. A terceira tristeza em dez dias, e assim, a equipe vice de tudo entrou para a história do futebol mundial.

Lúcio subiu mais alto para marcar o gol de empate,que não deu em nada
Lúcio subiu mais alto para marcar o gol de empate,que não deu em nada (Reuters/Reprodução)

Panorama geral

O time que gostava de trocar passes rápidos e pressionar na frente, foi o melhor ataque da Bundesliga com 77 gols, fez 126 tentos em toda a temporada. O artilheiro foi Michael Ballack com 23, seguido por Neuville com 22 e Kirstein com 18. O brasileiro Zé Roberto foi o garçom com 24 assistências, depois vem Schneider com 16 e Basturk fecha o top 3 com 14 passes para gol.

O treinador Toppmuller mesmo com esses fracassos continuou para a temporada seguinte, no entanto, não conseguiu fazer um bom trabalho. Dos 11 onze titulares, sete foram convocados para a Copa de 2002, sendo seis titulares da sua seleção, apenas Butt era reserva da seleção alemã. A equipe que se dividia entre o 4-4-2 losango e o 3-5-2 até hoje não sabe porque não levantou taças naquela temporada. Em entrevistas, os dois brasileiros já disseram que foi uma das maiores injustiças que a bola já fez com eles.

Foto destaque: Getty Images/The Independent/Reprodução.

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Guilherme Ribeiro
Guilherme Ribeiro
Sou Guilherme Ribeiro, 20, paulista da região do ABC. Ler e escrever é um hobby, para o esporte que é a minha paixão.

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