Leicester: há quatro anos o título mais espetacular da Premier League

O Leicester City conquistava o título mais importante de sua história há quatro anos. Apesar de azarão absoluto desde o início da temporada, os comandados de Cláudio Ranieri foram simplesmente amassando os seus adversários rodada a rodada. Fato é que da temporada 2015/16 é considerado por muitos um conto de fadas, que jamais será esquecido.

Vez ou outra o jornalismo esportivo costuma utilizar termos como “épico”, “fantástico”, “heroico” para adjetivar acontecimentos que não são corriqueiros no futebol. Uma partida contra a fraquíssima seleção da Bolívia pode se tornar algo homérico, e uma simples virada em um modorrento estadual torna-se memorável. Entretanto, o que aconteceu na Inglaterra em 2016 transcende a razão humana e a análise científica e freudianista de que o melhor sempre vence (menos no futebol), por vários motivos.

Primeiramente, o Leicester, time de uma cidade com pouco mais de 340 mil habitantes, com o quarto elenco mais valioso da competição – à frente apenas dos recém promovidos a primeira divisão – , era candidatíssimo ao rebaixamento. Cujo artilheiro, há quatro anos jogava apenas a 7ª divisão nacional. E um simpático técnico, que mesmo renomado, ganhava seu primeiro título de expressão aos 64 anos.

Estes, e outros ingredientes mais, fazem da conquista dos Foxes, algo acima de qualquer virada, ou recuperação de um eminente descenso. O título do Leicester, conquistado no dia 2 de maio de 2016, é o maior feito da história do futebol mundial e vamos explicar o porquê.

1- Leicester venceu nos pontos corridos

Apesar de ser um forte candidato ao rebaixamento, o Leicester conseguiu fazer algo muito improvável para uma equipe pequena. Manter sua regularidade ao longo das 38 rodadas do campeonato. Durante a campanha foram 23 vitórias, 12 empates e somente três derrotas. Assim sendo, foram 68 gols marcados e apenas 36 sofridos. Um aproveitamento de 71% dos pontos disputados.

Ou seja, o estereótipo de que os times de menor expressão conseguem surpreender somente em torneios de mata-mata, nos quais a força de vontade supera a técnica, não pode ser usado como parâmetro para destacar o título das Raposas. Portanto, a análise deve ser feita de modo mais profundo, valorizando os pontos positivos de uma campanha sólida, eficiente e quase irretocável. Diferentemente da Grécia na Euro de 2004 ou do Once Caldas na Libertadores do mesmo ano, não houve o fator sorte, e sim, desempenho.

2- Triunfo de um forte candidato ao descenso

Uma coisa é encontrar na história, diversos casos de times que eram considerados azarões se tornando campeões. Outra  bem diferente, é encontrar entre esses campeões, um representante que até antes do torneio começar, era cotado a figurar na parte de baixo da tabela, do início ao fim do torneio. Acreditar no título do Leicester na temporada 2015/16 era o mesmo que acreditar que o monstro do lago Ness existia ou que Elvis Presley não havia morrido.

Para se ter uma ideia do quão bizarro era acreditar no título dos Foxes, as casas de apostas cotavam as chances do Leicester em 5.000/1. Ou seja, a cada libra apostada, o apostador ganhava cinco mil. Logo, se alguém apostasse 200 libras, atualmente estaria milionário. Porém, com o passar do tempo e o título não parecendo algo tão impossível assim, as apostas caíram para 2/1. Porém, foi esse mesmo azarão que, contrariando tudo e todos, venceu e convenceu em terras britânicas.

3- Foxes venceram gigantes do futebol mundial

O que mais chama a atenção no título do Leicester é que a equipe do centro de Londres simplesmente foi superior a times que mais pareciam seleções. Ninguém imaginaria que o time de Jamie Vardy, Mahrez e companhia limitada pudesse ter alguma chance contra os bilhões de libras investidos em elencos caríssimos como o de Chelsea, Manchester City ou Manchester United.

Porém, o que se viu foi uma demonstração clara de que nem sempre, o mais rico ou o mais qualificado vence. No futebol, a organização, efetividade e aplicação das ideias treinadas são muito mais eficientes do que uma equipe recheada de craques.

Grande prova disso seja a melhor partida das Raposas nesta temporada da Premier League. Apesar de estar jogando no City of  Manchester e enfrentando o Manchester City, vice-campeão da competição naquela altura, os Foxes não tomaram conhecimento dos comandados de Manuel Pellegrini e venceram por 3 x 1, com dois gols de Huth e um golaço de Mahrez.

 

Apesar das inúmeras comparações do título do Leicester a outros grandes feitos de times pequenos, como o Nottingham Forest de Brian Clough, também campeão inglês em 1978, a conquista das Raposas é mais simbólica. Pelo fato da competitividade entre os grandes e menores clubes ter decrescido consideravelmente nos últimos anos, logo, ter um time pequeno campeão em um torneio que preza a regularidade, é algo louvável.

4- Leicester: exemplo de superação e inspiração para muitos

Então, mesmo que outro azarão na Inglaterra venha a ganhar o troféu da Premier League nos próximos anos, dificilmente terá uma história de superação e inspiração tão grande como essa. Pois, mesmo que ninguém acreditasse que era possível, os atletas do Leicester não se importaram com o que estava se falando da equipe. A força mental do time, orquestrado por Cláudio Ranieri, provou que no futebol, ganha quem joga e não quem especula.

O título dos Foxes serve de inspiração até hoje, seja para clubes ou para pessoas. De que não importa o que digam ou o que esperam. Não devemos desistir de nossos sonhos. Seguir em frente, com humildade e reconhecimento dos pontos a ser melhorados, é o fundamental para alcançar o sucesso, seja no futebol ou na vida. Portanto, manter o foco e seguir em frente, seguindo um objetivo é o principal ensinamento aqui. Mesmo que para alcançar essa meta seja necessário enfrentar gigantes.

Foto Destaque: Reprodução/Folha

Lucas Vinícius Souza
Meu nome é Lucas Vinicius de Souza. Tenho 24 anos sou formado em jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, apaixonado por esportes, encaro o jogo como a vida, muitas coisas que acontecem no mundo das competições podemos fazer um paralelo com nossa vivência. No ramo da comunicação tenho experiência como Assessor de Imprensa do Sindicato da Construção Civil de São Paulo, Assessor de Imprensa na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e como redator freelancer na Agência 3xceler. Acredito que a escrita é uma arte, a arte de trazer informação, conselho e direcionamento aqueles que buscam conhecimento.

Artigos Relacionados