Laziales? Conheça mais um pouco do fanatismo italiano

- O CalcioStoria mostra um pouco dos torcedores mais fanáticos da Itália

Quem disse que Futebol e política não se misturam é porque não conhecem ou nunca ouviram falar da relação entre os mesmos na Itália. Dessa forma, os Ultras, torcidas organizadas, promovem verdadeiras festas, passando dos limites em inúmeras oportunidades. Prova disso é os Laziales que por muito chamam a atenção nas arquibancadas do Estádio Olímpico de Roma. Logo, a coluna CalcioStoria resolveu mostrar um pouco mais dos Irriducibili.

Afinal, quem são os Ultras ?

Os Ultras surgiram por volta da década de 1970, logo de lá pra cá passou a ter vários embates com as autoridades, sendo protagonista de diversos atentados. Dessa forma, os enfrentamentos, e o discurso de ódio tem embasamento na política de extrema-direita que ganhou força na Itália nos últimos anos. Assim, os Laziales tem como principal mentor, ditador fascista Benito Mussolini.

Benito Mussolini

Mais conhecido como o pai do fascismo e comandante da Itália nos anos de 1923 e 1943 não era simpatizante da Lazio e inclusive ajudou a fundar a Roma. Contudo, a Le Aquile foi a equipe que mais abraçou e propagou suas ideias. Logo, ele se tornou sócio e passou a frequentar o estádio na torcida, porém, não viu a equipe ser campeã, algo que aconteceu somente após a sua morte.

A princípio, uma prova bastante real de amor e admiração aconteceu em 2005. Após um triunfo sobre a Roma, o ex- atacante Paulo di Canio, fã e admirador dos ideais, festejou o triunfo fazendo o símbolo “Saluto Romano”, gesto usado pelos fascistas.

Episódio Lazio x Roma

Imagine o estádio Olímpico, lotado e dividido num Lazio x Roma, imaginou ? A princípio, foi num cenário desses que a torcida organizada Biancocelesti, decidiu mostrar suas garras. Assim, o episódio da vez foi usar a imagem de Anne Frank com a camisa da Roma. Logo, a fotografia tinha a frase: “torcia pela Roma”.

A princípio vale ressaltar que Anne, foi uma figura que representou o símbolo do horror que o holocausto causou. Logo, ela ficou escondida por muitos anos em um espaço em Amsterdam.

Desde já, ficou claro que os Ultras chamaram, indiretamente, os Romanistas de “Judia”, e queria causar o mesmo terror com seus rivais. Por outro lado, a Lazio tratou de “reparar” e no jogo seguinte contra o Bologna entrou com camisas em que o rosto de Anne Frank estava estampado, e teve o decreto de seu mandatário que todos os anos realizaria excursões com os atletas da base para o campo de concentração, para que os erros não se cometam num futuro próximo.

Irriducibili

É possível que torcedores adeptos da violência e do ódio influenciem outros torcedores ao mesmo ? Sim, é possível. De antemão, o surgimento dos Laziales despertaram o novo modo de torcer em diversas outras partes. Logo, os mesmos que geram antipatia de tantas pessoas, conseguiram até se tornar uma grife, tendo seus produtos comercializados.

Dessa forma, além de manter seu discurso inflamado, seus ideais e suas doutrinas, eles ainda conseguem lucrar com: camisas, bonés, agasalhos, entre outros diversos artigos que apesar não fazer parte do clube, concorre com os oficiais da Lazio.

Na temporada 1998/1999, houve um Derby contra a Roma no qual todos os limites foram ultrapassados. Assim, foi estendida uma faixa com a frase “Auschwitz vossa Pátria, os fornos vossas casas“. Logo, uma clara referência aos campos de concentração na Polônia onde o fascismo matou milhares de judeus em fornos e câmaras de gás.

Curva Nord

É o espaço separado justamente para os torcedores radicais da Lazio. Assim, melhor dizendo, é um “templo sagrado”, onde os mesmos invocam seus cânticos, suas regras e acima de tudo seu modo peculiar de torcer. Logo, é uma casa onde eles comandam da forma como acha melhor. Dessa forma, há duas temporadas os Laziales proibiram as mulheres de se sentarem na frente em sua “residência”.

Comunicado divulgado por ultras da Lazio — Foto: Reprodução Twitter

“Para nós, a Norte representa um lugar sagrado. Um ambiente com um código escrito para ser respeitado. As primeiras fileiras, sempre, as vivemos como se fossem uma linha de trincheira. Nós não admitimos mulheres, esposas e namoradas, então nós convidamos você a se posicionar a partir da 10ª fila. Nós escolhemos o estádio como uma alternativa para o dia despreocupado e romântico na Villa Borghese (área arborizada de Roma). Vá para outros setores”. – escreveu o grupo.

Dica CalcioStoria

Apesar de não ser voltado diretamente para a torcida Laziale. O filme “ultras” na Netflix, mostra exatamente como pensa e age às torcidas organizadas. O longa, mostra como os torcedores se organizam para os jogos, consumos de drogas e a obsessão pelo time do coração. Além disso, ele aborda a hierarquia dentro da instituição e como os mais velhos são “espelhos” para os mais jovens que idolatram os comandantes.

Futebol e Política

Os Laziales não são os primeiros e nem serão o último exemplo que veremos de torcidas trazendo a tona suas pautas para o campo. A propósito o futebol como objeto da massa sempre haverá tentativas de ser usado como “massa manobra”, em interesses políticos e sociais.

Foto Destaque: Reprodução/Getty Images

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Sobre Gilvan Junior

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Gilvan Junior, 20 anos, natural de Feira de Santana, estudante de jornalismo pela FAT. Desde pequeno, meu principal assunto era o esporte. Sempre acompanhado programas, sites, etc. Decidir, partir pra área que me dará a oportunidade de viver daquilo que mais amo. O futebol.

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