“La V Azulada” era envergada pelo Vélez Sarsfield pela primeira vez há 87 anos

- Um dos mais icônicos mantos do futebol mundial tem origem incerta
La V Azulada

Uma das indumentárias mais emblemáticas do futebol sul-americano foi trajada pela primeira vez em 30 de abril de 1933. Trata-se da célebre “V Azulada” do Club Atlético Vélez Sarsfield, até então uma equipe de reduzido apelo popular, mas consolidada no âmbito institucional.

IDIOSSINCRASIAS FORTINERAS

Originalmente fundado em 1º de janeiro de 1910, por “pibes” que frequentavam a estação ferroviária de Vélez Sarsfield, situada no bairro de La Floresta, e que, posteriormente, foram acompanhados por integrantes oriundos da colônia italiana, o clube é personificado no design da camisa.

Azul e branco, vale ressaltar, já haviam composto o fardamento da Seleção da Itália. Enquanto a primeira predominou nas vestimentas do selecionado na estreia em partidas internacionais, a qual ocorreu em 15 de maio de 1910, contra a Alemanha, a segunda, responsável por originar o tradicional apelido “Azzura”, foi adotada em 1922, visto que era a cor predominante na bandeira da Casa Real de Savoia. Além disso, em 1926, ambas haviam pertencido ao escudo do Vélez Sarsfield.

De quebra, a icônica faixa tornou-se agradável. Isso porque exibe o mesmo formato da inicial do nome da instituição, a qual, visando evidenciar suas raízes argentinas adotou o nome Club Atlético Argentinos de Vélez Sarsfield. Anos mais tarde, o terno “Argentinos” seria suprimido, originando a designação atual.

Vale ressaltar que a maciça influência italiana marcava presença também no uniforme oficial até então envergado. Oficializada em 14 de maio de 1914, a camisa era composta por faixas verticais verdes, brancas e vermelhas, tal como a bandeira da Itália. O fardamento Tricolor do Vélez, atualmente relembrado em alguns uniformes alternativos, provocou um sentimento empático com os torcedores do Fluminense, a ponto de argentinos e brasileiros alimentaram um forte aliança.

“LA V AZULADA”: RUGBY OU MAÇONARIA

Apesar da maciça influência italiana desde os primórdios, o primeiro contato dos cartolas da instituição com “La V Azulada” foi totalmente ocasional. Com o transcorrer dos anos, muitas versões à respeito da história foram disseminadas. Porém, a mais aceita, a qual também é contada no site oficial do Vélez Sarsfield, diz que, visando uma remodelação no jogo de uniformes, os diretores aceitaram uma oferta de uma fornecedora de materiais esportivos. Esta, por sua vez, procurou a equipe somente porque o clube de rugby, com o qual havia fechado négocio pelas camisas, havia desistido do acordo em cima da hora. No entanto, nem mesmo os mais conceituados historiadores do Vélez Sarsfield, como Esteban Bekerman, foram capazes de desvendar a identidade da equipe de em questão.

Anos mais tarde, curiosamente, o José Amalfitani, cancha do “El Fortín”, passou a ser também casa de “Los Pumas”, equipe de rugby da Seleção da Argentina. Assim, vale ressaltar, que a modalidade é dividida em duas categorias: rugby union e league. Mais difundida ao redor do planeta, a primeira apresenta equipes que possuem, geralmente, suas camisas com listras verticais ou quadriculadas. Nesse sentido, o design em “V” é mais recorrente na segunda.

Outra vertente associa “La V Azulada” ao lendário dirigente do clube homenageado no nome do estádio. “Don Pepe” era membro da maçonaria, comunidade que teria sido referência para a implementação da listra.

PRIMEIRA PARTIDA

Seja qual for a verdadeira origem, fato é que a novidade logo foi aprovada. Aliás, adornar os uniformes com faixas estava em voga na época. A título de comparação, em 1933, o maior rival do Vélez Sarsfield, o Ferro Carril Oeste, também adotou as listras em “V”. Um ano antes, o River Plate voltou a utilizar “La Banda Roja”, com a qual, em 1908, havia ascendido à primeira divisão do futebol amador argentino.

Sendo assim, em 30 de abril de 1933, em uma partida válida pela 8ª rodada do Campeonato Argentino, “La V Azulada” foi envergada pelo Vélez Sarsfield pela primeira vez. No estádio situado no bairro de Villa Lucro, local onde o Vélez mandava seus jogos até 1943, quando, na campanha do título da segunda divisão, se mudou para Liniers, a equipe recebeu o Club Atlético San Lorenzo de Almagro.

Campeão daquele ano, “El Ciclón”, aos dez minutos da etapa inicial, abriu o marcador, com o brasileiro Petronilho de Britos. Porém, aos 35, o atacante Juan Pressacco igualou, placar que se manteve até o apito final, embora os visitantes tenham atuada com um homem a menos desde os 20 minutos. Após se lesionar, o Jaime Lema deixou o campo e, com isso, o atacante Genaro Canteli assumiu a meta “Azulgrana”.

No ano posterior, a indumentária se consolidou. Mesmo assim, cordialmente, a equipe ainda usava o fardamento tricolor quando enfrentava adversário que jogavam de camisas brancas.

Pedro Ferri

Sobre Pedro Ferri

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Pedro Rodrigues Nigro Ferri, 19, nascido em Assis-SP. Jornalista em formação pela Faculdade da Cásper Líbero e um fiel devoto. Católico? Protestante? Não, corinthiano. Sou mais um integrante do bando de loucos e nunca me conheci sem essa doença. Frequentador de arquibancada, sou apaixonado por torcidas. Sabe aquela música do seu time? É, eu canto ela no chuveiro. Supersticioso ao extremo e disseminador da política "NÃO GRITA GOL ANTES DA BOLA ENTRAR!".

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