La Bombonera completa 80 anos de existência

Um dos maiores e mais sagrados templos do futebol está completando 80 anos de existência. Na América do Sul é temido por todos que pisam no gramado, afinal foram muitas batalhas disputadas no campo e poucos conseguem vencer os anfitriões. Muitos, inclusive, afirmam que o estádio é diferente dos outros, pois ele não balança ou treme, ele pulsa. É claro que é o estádio La Bombonera, casa do Boca Juniors há quase um século e, mesmo assim, não perde sua mística. A Coluna Parabéns ao Craque parabeniza este grande local!

HISTÓRIA

Localizado no bairro de La Boca, o estádio, batizado de primeiramente de Dr. Camilo Cichero (presidente do clube da época), foi fundado no dia 25 de maio de 1940. O apelido veio pela semelhança da forma retangular do estádio com uma caixa de bombons, ideia que partiu do arquiteto Iugoslavo Victorio Sulsic. E exatamente por conta desta arquitetura incomum nos estádios de futebol que a torna diferente. É possível produzir uma acústica tão impressionante quanto a paixão do torcedor xeneize.

Assim que se pôs de pé, o gigante demonstrou desde o início que seria um diferencial para o time mais popular da Argentina. Na primeira partida jogada no gramado de La Bombonera terminou com a vitória dos Xeinezes contra o San Lorenzo pelo placar de 2 x 0, sendo Ricardo Alarcón o autor do fato histórico de anotar o primeiro gol do estádio. Por conta da falta do sistema de iluminação na época, a partida foi disputada apenas 70 minutos, com dois tempos de 35, que não começou mais cedo por causa das solenidades. As iluminações só seriam instaladas nove anos depois.

Naquele mesmo ano, o Boca voltaria a ser campeão nacional depois de cinco anos de jejum. Além disso, venceu todos os 13 jogos que foram jogados na nova casa, incluindo um 5 x 2 sobre o Independiente, e um 3 x 1 sobre o maior rival River Plate, no primeiro Superclássico da história da Bombonera. Definitivamente, era o começo de uma nova era no clube.

Estádio La Bombonera em 1940
Imagem aérea do estádio La Bombonera no ano de 1940 (imborrableboca.blogspot.com)

CRESCIMENTO E GLÓRIAS

Com o passar dos anos, o estádio foi modernizado aos poucos. No início dos anos 50 foram construídos o terceiro lance de arquibancadas e o sistema de iluminação para os jogos noturnos. Apta também a receber já mais de 50 mil pessoas, a Bombonera era a principal atração da cidade e o principal reforço quando o Boca jogava diante da torcida.

Em 1963, o local recebeu sua primeira final de Copa Libertadores da história, em um confronto marcante dos Xeneizes contra o Santos, atual campeão da América e do mundo liderados por Pelé. Embora a pressão e o clima ambiente do estádio fossem favoráveis para os argentinos, os mais de 50 mil presentes viram o esquadrão santista vencer de virada. Com gols de Pelé e Coutinho, o Peixe conquistou o bicampeonato.

GRANDES FEITOS

No entanto, o Boca Juniors viria festejar em casa o título mais cobiçado da América na década seguinte. Na final de 1978, os argentinos eram os atuais campeões e defendiam o troféu contra o Deportivo Cali-COL. Após o empate de 0 x 0 lá na Colômbia, o jogo da Bombonera seria o tira-teima para definir quem conquistaria a Libertadores. E o Boca, lembrando do acontecimento de 1963, não se permitiu perder outro título em casa e goleou os colombianos por 4 x 0 para conquistarem o bicampeonato da América.

Boca Juniors x Deportivo Cali Libertadores de 1978
Estádio lotado prestigia a segunda conquista do Boca Juniors da Libertadores da América (El Gráfico)

Embora já fosse um estádio consolidado e famoso no país, a La Bombonera ficou de fora da Copa do Mundo de 1978, disputada no país. Isso porque as obras necessárias, impostas pela FIFA, para adequar o estádio nos padrões da época, seriam muito elevadas. Portanto a organização achou melhor deixar o caldeirão de lado. Dessa forma, o mundial daquele ano contou apenas com seis estádios: Monumental, José Amalfitani, José María Minella, Gigante de Arroyito e Ciudad de Mendoza.

ESQUADRÃO IMORTAL

Nos anos 90, a La Bombonera voltou a presenciar grandes esquadrões do Boca e, a partir de 1996, passou por mudanças consideráveis. As arquibancadas ganharam novos assentos, novas acomodações nos setores VIP, pinturas do estádio nas cores de azul e amarelo, novas iluminações, aumento da capacidade, dentre outras modernizações.

De casa nova e cara nova, o Boca Juniors começava a viver grandes momentos dentro dos gramados, e iniciava o esquadrão imortal (1998-2003). Com grandes jogos, grandes vitórias e grandes craques, como Riquelme (o jogador que mais atuou no estádio), Palermo (o que mais marcou gols no templo) e companhia, vieram também os grandes títulos. Nesse período, o Boca se sagrou bicampeão mundial, tricampeão da Libertadores e tetracampeão do Campeonato Argentino, sendo o de 1998 invicto.

SELEÇÃO ARGENTINA

De fato, o Boca Juniors tornou o seu campo o pior pesadelo para os adversários, principalmente os estrangeiros. Na Libertadores, o clube tem um aproveitamento assustador de quase 80% jogando em seus domínios. Apenas 13 equipes conseguiram vencer os Xeneizes no estádio, dentre eles cinco brasileiros.

Um fato interessante é a relação do estádio com a Seleção Argentina. Embora sempre tenha dado mais preferência para mandar os jogos no Monumental, estádio do rival River Plate, a Bombonera já abrigou dezenas de jogos da seleção albiceleste. No geral, o retrospecto tem sido positivo. Em 24 jogos foram 15 vitórias, sete empates e duas derrotas.

Entretanto, o resultado mais recente foi decepcionante para toda torcida argentina. Em 2017, no jogo válido pelas Eliminatórias da Copa, a seleção empatou com o Peru e adiou a classificação para o mundial do ano seguinte.

https://twitter.com/BocaJrsOficial/status/1264753054215221248?s=20

FUTURO DO TEMPLO

O atual presidente do Boca Juniors, Jorge Ameal, reforçou a vontade de remodelar a casa do clube. Os dirigentes dos Xeneizes apresentaram um projeto no qual o mandatário nomeou como “Bombonera 360”, que tem como intenção derrubar a parte das tribunas do estádio e completar o anel de três andares do templo. Com a intenção de ampliar o caldeirão, a capacidade aumentaria para 80 mil pessoas e ganharia um ar de modernidade a mais, como são vistos nas novas arenas.

https://twitter.com/BocaJrsOficial/status/1264939787364032513?s=20

Foto destaque: Reprodução/Gazeta Esportiva

Vitor Eduardo Simões Lima
Jornalista e apaixonado por futebol. Quando criança tive o sonho de ser jogador de futebol. Com o passar dos anos, tendo a responsabilidade de dividir a vida de atleta com os estudos, optei por deixar meu sonho de infância de lado e seguir outro caminho, mas jamais quis me desapegar do futebol. Entrei na faculdade de jornalismo com esse objetivo que levo até hoje depois de formado, trabalhar com jornalismo esportivo.

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