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Kosovo declara independência

Em 17 de fevereiro de 2008, Kosovo declarou independência da Sérvia. Desde então, vem travando batalhas diplomáticas em busca de reconhecimento. De lá pra cá, 111 países da ONU já o reconhecem como um Estado soberano, incluindo a maior parte dos países da União Europeia e da Otan, além dos Estados Unidos.

Entretanto, ainda existem mais de 80 países que não reconhecem Kosovo, e o consideram um território da Sérvia. Aliás, esse é o caso de China, Rússia, Espanha, Grécia e, também, do Brasil. Países que tem relevância internacional e, em alguns casos, ocupam cadeiras permanentes no Conselho de Segurança da ONU, e barram sua aprovação como membro da organização.

Busca por respaldo

Com isso, o governo kosovar busca maneiras de se inserir cada vez mais na comunidade internacional, e garantir o reconhecimento do país. Para tanto, uma das estratégias adotadas foi a de fortalecer a identidade da população com a soberania e separação da Sérvia.

Dessa forma, além da esfera da política tradicional, o governo incentiva o fortalecimento de Kosovo em outros âmbitos, apostando suas fichas, principalmente, no esporte.

Identidade por meio do esporte

Decerto, o esporte tem o poder de união e mobilização das pessoas em torno de um ideal. O triunfo de seleções por muitas vezes foi usado para promover governos. Com efeito, a ditadura militar no Brasil tentou atrelar a imagem do regime ao sucesso da Seleção de 70, tricampeã do mundo, no México. Similarmente, a Rússia busca excelência no esporte para se sobressair frente às outras nações.

Assim, o governo kosovar buscou se inserir nas entidades esportivas mundiais. A partir de 2012, quatro anos após a independência, algumas federações começaram a aceitar a entrada Kosovo. Paralelamente, em 2014, o Comitê Olímpico Internacional formalizou o país como membro.

Com isso, seus atletas puderam participar dos Jogos Olímpicos do Rio 2016, e o país deu mais um salto na trilha do reconhecimento. O primeiro ouro olímpico já veio na estreia de Kosovo nos Jogos, e foi comemorado pelo então primeiro-ministro.

Futebol de Kosovo

A primeira partida de futebol da seleção de Kosovo contra um país associado à FIFA aconteceu em 2014. Apesar de ainda não ser membro da entidade, o país jogou um amistoso com a seleção do Haiti. A partida aconteceu no Estádio Olímpico Adem Jashari, em Mitrovica, Kosovo. O jogo terminou em um empate sem gols e teve clima de festa, por sua importância política.

FIFA

 No entanto, a entrada na entidade máxima do futebol veio só em 2016. Dessa forma, a seleção de Kosovo agora poderia disputar competições com uniformes oficiais, bandeiras e com execução de seu hino. Assim, com a participação oficial no esporte mais amado por todo o mundo, Kosovo conseguiu avançar mais em sua meta.

Dessa forma, Kosovo jogou as eliminatórias da Copa da Rússia 2018. O primeiro jogo foi contra a Finlândia. A partida terminou empatada em 1 x 1. Berisha marcou o primeiro gol kosovar em competições oficiais. Em seguida, com derrotas para Croácia, Ucrânia, Turquia, Islândia e a própria Finlândia, Kosovo não conseguiu classificar para a Copa do Mundo.

Curiosidades

  • A Espanha é um dos únicos países da União Europeia que não reconhecem Kosovo. Isso se deve ao receio de que regiões como Catalunha e País Basco possam se inspirar no caso para se separarem da Espanha. Ambas as regiões têm times de futebol muito fortes e que levantam as bandeiras locais, como o Barcelona e o Atlético de Bilbao.
  • O jogador com mais partidas pela seleção de Kosovo é Amir Rrahmani, com apenas 28 jogos.
  • O maior artilheiro da seleção é Vedat Muriqi, com o total de oito gols.

Foto Destaque: Reprodução/Andrew Boyers/Reuters

Daniel Cobra
Daniel Cobra
Nascido em Santos, dividiu infância e adolescencia entre os treinos de base do clube e os times de futebol de praia. Mudou-se para São Paulo e se formou em Bacharelado em Esporte na USP, atuando na comissão técnica de clubes como Portuguesa, Corinthians e Guarulhos. Voltou para a universidade e tonou-se Mestre em Filosofia do Esporte pela USP, atuando como pesquisador para a UNESCO. Hoje é Pesquisador Convidado do Centro de Referência do Futebol Brasileiro do Museu do Futebol e Redator do Futebol na Veia.

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