Juventus x Milan: a rivalidade mais antiga da Itália

- O derby do norte da Itália é disputado desde 1901, acumulando história e glórias
Milan vs Juventus (Foto: REUTERS/Alberto Lingria)

Juventus e Milan são dois dos clubes mais vitoriosos da Itália e do cenário internacional. O motivo? Juntos eles acumulam nove conquistas da Champions League e quase 90 títulos nacionais. A rivalidade, até o momento que esse texto foi produzido, se prolonga por 119 anos. Em outras palavras, o que não falta é história com diversos episódios de goleadas, troca de jogadores, decisões de campeonatos, entre outros. Confira na sequência os detalhes desse dérbi!

HISTÓRICO

Disputado desde 1901, os rivais se enfrentaram em 231 oportunidades. Para alegria de parte de Turim, os bianconeri apresentam grande vantagem nas estatísticas, já que venceram 91 jogos e marcaram 331 gols (média de 1,43 por partida). Por outro lado, o rossonero saiu vitorioso 66 vezes, anotando 294 tentos (média de 1,27 por jogo). Além disso, as equipes empataram em 74 ocasiões, sendo o 1 a 1 o resultado mais frequente (24 vezes).

Ajudando na construção da rivalidade, os dois placares mais elásticos entre eles aconteceram no começo século passado. O clube de Milão, jogando em casa pelo Campeonato Italiano, goleou o adversário por 8 a 1 em 14 de janeiro de 1912. A revanche foi paga 15 anos mais tarde, pela mesma competição. No dia 10 de setembro de 1927, a Juve aplicou 8 a 2 em seu território, devolvendo quase o mesmo placar sofrido. 

Outra goleada marcante ocorreu há menos tempo, em abril de 1997. Em pleno San Siro, estádio do rival, os comandados à época por Marcello Lippi fizeram 6 a 1 no time de Arrigo Sacchi. Christian Vieri e Vladimir Jugovic comandaram a atuação com dois gols anotados por cada, além de Nicola Amoruso e Zinédine Zidane. Marco Simone descontou para os mandantes.

DISPUTA NACIONAL

Dando mais ingredientes para a rivalidade, quem manda na Itália é a Velha Senhora. O time é, com sobras, o maior vencedor do país. São 35 títulos oficiais da Serie A, apesar de contabilizar 37 (ignorando as conquistas retiradas das temporadas 04/05 e 05/06 por conta do escândalo de manipulação de resultados). Além disso, levantou 13 taças da Coppa Italia e 8 Supercopas.

Em contrapartida, os milanistas comemoraram o título da liga italiana em 18 momentos. O último foi na edição 2010/2011, quando ainda tinha em seu elenco Seerdorf, Gattuso, Abbiati e os brasileiros Thiago Silva, Robinho, Ronaldinho e Alexandre Pato. Depois disso não ganhou mais. A diferença fica menor quando abordamos as copas, já que o Milan conseguiu cinco taças e outras sete Supercopas.

Dentre tantas conquistas, algumas tiveram o embate entre ambos na final. A primeira foi na edição 1972/1973 da Coppa Italia, quando o Diavolo levou a melhor. Pela mesma competição, eles decidiram outras três vezes (1989/1990, 2015/2016 e 2017/2018), com a Juve ganhando todas. Na Supercopa não foi diferente. Também tiveram três clássicos em plena finalíssima, com nova vantagem bianconeri. Foram dois títulos (2003 e 2018), enquanto o rival levantou a taça em 2016.

RIVALIDADE INTERNACIONAL

É na comparação internacional que o jogo vira. O Milan é o segundo maior vencedor da Champions League, chegando ao topo sete vezes (1962/63, 1968/69, 1988/89, 1989/90, 1993/94, 2002/03 e 2006/07). O time fica atrás apenas do Real Madrid, que conquistou 13 orelhudas. Por outro lado, a Juve foi finalista em nove ocasiões, mas venceu apenas duas (84/85 e 95/96, contra Liverpool e Ajax, respectivamente).

O Milan também pode se gabar de ter levado a melhor no único duelo entre as equipes em uma final de Liga dos Campeões. O feito foi atingido no dia 28 de maio de 2003, no estádio Old Trafford, em Manchester (ING). O zero não saiu do placar ao longo do tempo regulamentar e a decisão foi para os pênaltis. Com isso, no confronto entre Dida e Buffon, a lenda italiana defendeu duas cobranças, mas o brasileiro parou três tentativas e levou a melhor.

VIRA-CASACA

É comum na história do futebol italiano a transferência de jogadores entre os clubes do país, sem restrição de rivalidade. Isso vale quando falamos de Milan e Juventus. O exemplo mais recente dessa cultura foi a ida (já desfeita) do zagueiro Leonardo Bonucci e do atacante Gonzalo Higuaín da Juve para o rossonero. Além deles, outros grandes atletas defenderam as duas agremiações ao longo da carreira.

O ex-meia Andrea Pirlo é um modelo a ser seguido nesse quesito. Isso porque, mesmo tendo identificação com o Milan (por onde atuou de 2001 a 2011 e acumulou 401 jogos), conquistou respeito e idolatria na Velha Senhora. Pela equipe de Turim ele vestiu a camisa em 164 oportunidades e jogou do ano em que saiu do antigo clube até 2015.

José Altafini Mazzola, Giuseppe Meazza, Fabio Capello, Paolo Rossi, Roberto Baggio, Zlatan Ibrahimović e o brasileiro Emerson são mais nomes que traçaram caminho semelhante. Outros jogadores foram além, tendo marcado gols no clássico pelos dois times. O feito foi alcançado por onze figuras: Pietro Pastore, Giuseppe Torriani, Roberto Bettega, Filippo Inzaghi, Sandro Salvadore, Bruno Mora, Paolo Virdis, Romeo Benetti e Gianfranco Zigoni, além dos já citados Bonucci e Pirlo.

ARTILHEIROS

Um ítalo-brasileiro é o maior goleador do clássico. Estamos falando de José João Altafini, mais conhecido como Mazzola. Campeão da Copa do Mundo de 1958 com o Brasil, ele fez a carreira em território italiano, principalmente pelo Milan. Defendendo a equipe, marcou 161 gols em 246 partidas, sendo 13 desses contra a Juventus. O ex-atacante também defendeu a equipe de Turim ao longo da carreira e balançou as redes milanistas uma vez, somando 14 gols.

Na sequência está Aldo Boffi, um legítimo representante do rossonero que marcou época nas décadas de 1930 e 1940. Como consequência do seu desempenho, anotou 11 tentos diante da Juventus, mesmo número de Gunnar Nordahl, o terceiro colocado. Por outro lado, a equipe de Turim também possui grandes nomes nessa lista. Em quarto, mas não menos importante, está um dos símbolos da rivalidade do norte italiano: Alessandro Del Piero.

Aposentado desde 2015, ele marcou nove tentos no dérbi, o que ajudou a consolidá-lo como um dos maiores ídolos da história bianconeri. Na sequência, com o mesmo número do eterno 10, temos Felice Borel e Giampiero Boniperti. O primeiro deixou sua marca nos anos 1930, jogando ao todo 13 anos pela Velha Senhora. Premiando seu desempenho pela equipe, foi convocado e consequentemente campeão da Copa do Mundo de 1934 com a azzura.

FOTO DESTAQUE: Alberto Lingria/REUTERS

BetWarrior


Poliesportiva


Rômulo Morse
Rômulo Morse
Acredito que o jornalismo me escolheu. Entrei na faculdade pelo simples fato de ser apaixonado pelo futebol, mas descobri um mundo muito maior na área da comunicação. Dessa forma, o desafio me move diariamente em prol dessa função tão importante.

    Artigos Relacionados

    Topo