Jornalismo Esportivo – Paulo Vinicius Coelho

Jornalismo é uma profissão antiga, assim como o esporte. A profissão tem o seu papel de investigar, redigir e transmitir notícias. Por outro lado, o esporte possuí diversas funções na sociedade: o simples fato da prática da atividade física, seja ela individual ou coletiva ou simplesmente ser a razão de viver de muitas pessoas. Sendo assim, o que seria o Jornalismo Esportivo? Para responder essa pergunta, Paulo Vinicius Coelho em seu livro conta tudo sobre o que envolve a profissão. Portanto, a edição da coluna Futflix dessa semana irá trazer os aspectos apontados por PVC dentro do seu livro.

ATENÇÃO!!! O TEXTO PODE CONTER SPOILERS. CASO NÃO QUEIRA PERDER SUA EXPERIÊNCIA, SUGERIMOS QUE ASSISTA A PRODUÇÃO E VOLTE DEPOIS, PARA A LEITURA

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Publicado em 2003, o livro está na sua 4ª edição, onde teve sua atualização e 5ª reimpressão em 2018. Com 120 páginas, foi divido em quatro capítulos: A história; O mercado; Transpiração e inspiração e o último capítulo sendo um estudo de caso, aliás, muito interessante.

HISTÓRIA DO JORNALISMO ESPORTIVO

No começo, não foi nada fácil para o Jornalismo Esportivo. Próximo a Copa do Mundo de 1930, o futebol no Brasil não era profissional. Ademais, os clubes começaram a questionar o pagamento de jogadores. Além disso, o espaço que o futebol tinha era minúsculo. O Correio Paulistano por exemplo, liberava apenas uma coluna para matérias de futebol.

O interessante daquela época, era perceber a forma da escrita para fazer referências aos termos futebolísticos: football, stadium, scratchmen, traning, match, matches. Palavras de origem americana presente nas colunas de futebol do Rio de Janeiro, ano de 1919, Campeonato Sul-Americano realizado no Brasil.

Posteriormente, o autor aborda sobre como se fazia Jornalismo Esportivo. Sendo assim, ele descreve Nelson Rodrigues, como um romântico do futebol. Suas crônicas muita das vezes não mostravam precisão dos fatos, e sim uma história bem contada que motivava o público para ir aos estádios. Por outro lado, essa imprecisão diminuiu consideravelmente nas páginas dos anos 70. Dessa forma, a imprensa assumiu o papel de contar a verdade.

Portanto, neste primeiro capítulo do livro de Paulo Vinicius Coelho, o jornalista ressalta a importância da emoção dentro do Jornalismo Esportivo. É necessário conter aspectos dramáticos e romantizado, sem deixar a realidade de fora, sem extrapolar os limites da verdade. Por fim, o autor afirma:

“A emoção também fazer parte do Jornalismo, como bem mostraram as crônicas de Nelson Rodrigues no passado”

MERCADO DO JORNALISMO ESPORTIVO

Posteriormente ao trazer um pouco da história do Jornalismo Esportivo, Paulo aborda o retrato do mercado de trabalho da época. Sendo assim, com a ascensão da internet e das tecnologias, os mais variados sites de comunicado tiravam profissionais com toda bagagem e experiência dos grandes jornais. Contudo, esse primeiro boom da internet, não durou menos que um ano. Dessa forma, vários sites vieram anunciar sua falência nos anos seguintes a sua inserção no mercado esportivo.

Neste capítulo é possível observar as dificuldades de inserção e manutenção no mercado de trabalho. A editoria dos Esportes não é a editoria mais bem paga geralmente, e o pior, mesmo não sendo a mais bem paga, é onde existe mais concorrência. Ademais, PVC expõe sua opinião sobre um jornalista famoso, Milton Neves. Paulo Vinicius acredita que Milton caiu na grande armadilha de sua carreira: misturou publicidade pura com conteúdo jornalístico. Dessa forma, o Plantão de Domingo foi perdendo seus fiéis telespectadores.

TRANSPIRAÇÃO E INSPIRAÇÃO

Ao chegar no começo do 2/3 do livro, aliás, fique registrado o elogio, leitura maravilhosa. Embora que de forma algumas vezes superficial, querendo explicar o conceito da situação e não os detalhes, até porque o livro tem 120 páginas, até este momento o autor está passando por pontos interessantes, totalmente relevantes a todos os profissionais do Jornalismo Esportivo.

PVC conta que se pra chegar a um destaque falando sobre futebol é difícil, imagine por outro esporte? Sim, o caminho é mais árduo ainda. Me questiono, durante parte do relato do autor, se esse caminho é mais árduo pelo simples motivo: a falta de investimento, de publicidade, de infraestrutura para praticar outros esportes, tudo isso, não faz com que para o brasileiro exista “apenas” o futebol? Que o outro esporte, só será válido se dentro do contexto competitivo, os brasileiros forem o melhor. O UFC, por exemplo, foi um boom no Brasil, quando começaram a aparecer os brasileiros: Lioto Machida, irmãos Minotauro e Minotouro e claro, a lenda Anderson Silva. O autor do texto poderia trazer esse questionamento ao livro, trazer esse debate.

A principal visão, ensinamento, que pode se ter dentro desse capítulo é: estudar, conhecer, ter experiências e repetir esse ciclo infinito. Não chegar por exemplo, achando que porque gosta de futebol, você sabe tudo sobre o assunto e já é um Jornalista especializado em tal ramo, grande equívoco no qual as páginas desse capítulo acaba discorrendo para o leitor.

CLÍMAX

Difícil escolher um clímax na leitura deste livro, mas com certeza a parte dos esportes na TV irá prender sua atenção. Isso porque, PVC, autor deste livro, faz algumas críticas ao Grupo Globo, por algumas atitudes ao longo dos anos. Contudo, hoje o jornalista faz parte do grupo de funcionários da emissora. Dessa forma, ao ler sua opinião de anos atrás e comparar as ações da Globo no dia de hoje, podemos entender se houve mudança da TV e sua diretoria ou se o jornalista passou a ter uma visão diferente do que foi escrito em seu livro.

Outro momento interessante, é quando o autor aborda sobre o jornalista e o seu time do coração. Nesse quesito, vou me abster das falas de PVC para que você leitor possa tirar suas conclusões desse maravilhoso livro. Para aguçar a curiosidade sobre o tema, exponho a visão de Paulo sobre o seu papel de jornalista:

“Minha opção: não dizer o time nunca, a não ser quando perguntado. Nesse caso, dar a informação certa, verdadeira. Dever, afinal, de todo jornalista”

ESTUDO DE CASO

A criação do Lance! e as reformulações da revista Placar são abordadas com detalhes, visto que o autor esteve na revista e foi fundador do diário. O interessante é ver, o quanto o empresário Walter de Mattos Junior percorreu, na América e na Europa, para chegar a sua ideia do Lance!. Por outro lado, a Placar teve que se reinventar para não ter sua extinção decretada. Nesse capítulo, detalhes não faltam.

PAULO VINICIUS COELHO

Paulo Vinícius de Mello Coelho, nascido em São Paulo – SP, dia 30 de agosto de 1969, figura entre os maiores jornalistas esportivos da história do Brasil, tendo ganho notoriedade pela sua capacidade de trabalhar com números, estatísticas e muita memória, capaz de lembrar de jogos e escalações dos mais diversos escretes do esporte bretão. Com passagem de sucesso em praticamente todas as áreas do jornalismo esportivo: revistas, livros, jornais, rádio, redes sociais, sites e televisão, PVC passou pelos grandes grupos da mídia nacional, com destaque para: Placar, Lance!, O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo, UOL, Estadão, CBN/Globo, ESPN, Fox Sports e SporTV.

Foto Destaque: Reprodução / FNV

Thiago Abreu
Jornalismo Esportivo é um sonho desde criança. O esporte ele me emociona de uma maneira, onde apenas o Jornalismo, pode me tornar um ser humano melhor em todos os aspectos. A paixão natural, pelo conhecimento, pela escrita, pela gravação, pela conversa, é algo que impulsiona esse sonho. Criador do canal Mesa de Bar YouTube.com/c/MesaDeBarOficial, realizamos vídeos dos mais diversos assuntos. Formado em Gestão de TI e cursando atualmente o 5º semestre de Jornalismo, tenho objetivo de me tornar comentarista e/ou apresentador de programas esportivos. Muito comunicativo, principalmente em público, gosto de expor minhas opiniões e sempre tenho a curiosidade pelo conhecimento.
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