jorge campos

Os anos 90 foram um capítulo à parte na história do futebol. O período ficou marcado por jogadores com características únicas, tão marcantes fora quanto dentro de campo: uniformes distintos, provocações e jogos até hoje lembrados com frequência. Se há um personagem capaz de sintetizar essa época tão saudosa, este é Jorge Campos.

Goleiro de baixa estatura (os registros pela internet apresentam respostas que variam entre 1,65 e 1,75), o mexicano era autor de defesas acrobáticas, e frequentemente se aventurava como atacante, tendo marcado diversos gols, a maioria deles com a bola rolando. O arqueiro chegou à seleção de seu país e escreveu seu nome na história.

O Começo

Jorge tem dois irmãos mais velhos, que também jogavam futebol: Antonio, que era goleiro, e Álvaro, centroavante. El Brody então se revezava entre ambas as funções para ajudar seus irmãos: ia para o gol quando treinava com Álvaro, e fazia o papel de atacante quando era a vez de treinar com Antonio.

Seu pai comandava um time amador, no qual seu irmão Antonio, considerado um goleiro mais qualificado, era o titular. Assim, jogava na linha quando surgiam oportunidades, mas mantendo os treinamentos como goleiro. No entanto, Jorge nutria ainda outra paixão: natural de Acapulco, costumava surfar – ainda que escondido do pai, que proibia a prática por ter medo de tubarões.

Torcedor do Interjap, logo chegou à base do clube. De lá foi ao Delfines de Acapulco, onde aos 17 anos se destacou durante um amistoso contra o Pumas e conseguiu um teste. Viajou à capital, Cidade do México, mas foi reprovado por sua baixa estatura. Um ano depois fez um teste no Cruz Azul, no qual não foi aprovado pelo mesmo motivo. Foi só em 1985, prestes a completar 19 anos, que conseguiu ingressar no time B do Pumas após muita insistência.

Uma das características mais memoráveis de Jorge era a peculiaridade de seus uniformes. Desenhados por ele mesmo, eram uma junção disforme de formatos e cores fluorescentes. Segundo o mesmo, a inspiração para os designs tão chamativos era a cena do surf em sua cidade natal, da qual ele fez parte. As peças de roupas coloridas o acompanhavam mesmo depois de abandonar as pranchas.

Outra coisa chamava atenção: a numeração. Frequentemente, quando atuando como goleiro, Campos envergava o número 9. Já como atacante, era comum vê-lo ostentando a camisa 1. Pela Seleção, costumava usar o segundo uniforme quando o time entrava em campo usando o primeiro, e vice-versa.

Carreira em Clubes

Levou três anos para que Campos fizesse sua estréia no profissional, que se deu no final de 1988 quando o titular, Adolfo Ríos, se lesionou. Ainda que tenha tido outras chances ao longo da temporada, Ríos ainda era a primeira opção. Descontente com a reserva, conseguiu convencer Miguel Mejía Barón, seu treinador, de que poderia atuar no ataque.

Sua estreia na linha ocorreu no ano seguinte, durante uma partida válida pela Concachampions. Apesar da surpresa geral na ocasião, Jorge anotou um gol naquela partida e não parou por aí: terminou a temporada com 21 gols, sendo 7 no torneio continental e 14 no torneio nacional. El Brody começava a conquistar a confiança necessária para levar sua carreira “dupla”.

Na temporada seguinte, o goleiro titular foi negociado e Jorge assumiu em definitivo a meta do Pumas, sob a condição de alternar suas funções. Foi um dos líderes da equipe na campanha do título mexicano, conquistado pela Equipo Azul y Oro pela primeira vez após dez anos. Suas performances e o troféu lhe renderam a convocação à Seleção Mexicana, onde atuou por 13 anos.

Primeira saída do Pumas e troca de clubes

Jorge Campos foi também campeão da Concachampions pelo Pumas, em 1989, ocasião em que inclusive marcou um gol na final. Em 1993 foi eleito o melhor goleiro do mundo pela IFFHS, além de ter cadeira cativa em La Tri. Em 1995, se transferiu ao Atlante, onde atuou por 38 jogos e marcou apenas um gol, que é considerado o mais bonito de sua carreira.

Impaciente com a ineficiência dos atacantes, Jorge foi ao ataque e viu o gol ser assumido por seu reserva Félix Fernandez. El Brody então anotou um gol num belo voleio, garantindo o empate para sua equipe que estava sendo derrotada. No entanto, Campos não repetiu no clube azulgrana o sucesso dos anos anteriores e passou a rodar por diversos clubes, incluindo agremiações da MLS.

Foi também na época do Atlante em que atuou por dois times ao mesmo tempo, quando passou a defender simultaneamente o Los Angeles Galaxy. Segundo Jorge, era divertido, pois quando jovem costumava disputar também duas partidas por dia. Regulamentos e normas das federações impediram a continuidade desta prática, mas foi mais um dos feitos admiráveis de El Chapulín, que foi a primeira grande contratação da emergente liga à época.

Novas passagens por Pumas e Atlante

Campos teve rápida passagem pelo Cruz Azul, onde apesar de quase não atuar, fez parte do elenco que conquistou a Liga MX de Inverno e a Concachampions, a segunda de sua carreira. Se transferiu ao Chicago Fire, onde após 8 jogos e a conquista da MLS Cup acabou retornando ao Pumas, clube no qual atingiu maior sucesso na carreira.

Após 1 ano e uma boa frequência de partidas, assinou com o Tigres em 1999, mas retornou novamente ao Pumas no ano seguinte após apenas 17 partidas. Foram 33 novos jogos pelo clube que o revelou, até que retornasse ao Atlante. Por fim, El Brody concretizou o que seria a última transferência de sua carreira. Em 2002 passou a defender o Puebla, numa passagem que durou dois anos até sua aposentadoria.

SELEÇÃO MEXICANA

Jorge Campos vestiu pela primeira vez a camisa Tricolor em 1991, e até o ano de 2004 colecionou 130 convocações. Suas boas atuações pelos clubes lhe renderam por cinco temporadas consecutivas o prêmio de melhor goleiro do Campeonato Mexicano, o que assegurava sua constante presença na Seleção.

Pela equipe nacional, foi duas vezes campeão da Copa Ouro em 1993 e 1996, campeão da Copa das Confederações na histórica campanha mexicana em 1999 e campeão dos Jogos Pan-americanos de 1999, além de um vice da Copa América em 1993. Além disso, acumulou três participações em Copas do Mundo, sendo titular em 1994 e 1998 e reserva em 2002.

No ano de sua aposentadoria, assumiu o cargo de auxiliar técnico do México, função que exerceu no Torneio Mundial de 2006. Apesar dos gols característicos, Jorge nunca chegou a marcar um gol pela seleção de seu país. Sua despedida de La Tri se deu também em 2004, num jogo amistoso contra o Tecos.

PÓS APOSENTADORIA

Além de assumir como auxiliar técnico do México, Campos se envolveu em outras atividades após encerrar sua carreira. Atualmente, é dono da Sportortas-Campos, rede de lanchonetes temáticas envolvendo o futebol, na qual são dados aos lanches nomes de jogadores. Por outro lado continua envolvido no mundo da bola, sendo também comentarista da TV Azteca.

Seus gols foram uma grande contribuição para a construção de sua história, e é o terceiro goleiro que mais anotou tentos na história, atrás apenas de José Luis Chilavert e Rogério Ceni. Balançou as redes em 46 oportunidades, e é detentor de um recorde: é o arqueiro que mais vezes fez gols com a bola rolando – foram 35 no total.

Jorge Campos definitivamente está eternizado. Sua característica mais marcante era sua personalidade, impressa em seus uniformes, postura em campo e seus feitos dentro dele. Por trás da aura mística que envolve El Brody, existiu um atleta qualificado que exercia muito bem suas funções, e após entrar para o folclore do esporte, certamente ainda irá inspirar diversas gerações que estão por vir.

FOTO EM DESTAQUE: Reprodução/Jam Media

Murillo Bolhsen
Me chamo Murillo, tenho 20 anos e sou estudante de jornalismo. Decidi que queria juntar as minhas duas paixões: o futebol e o jornalismo, vivendo e convivendo com ambas em todas as ocasiões que eu puder.

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