Japão olímpico: os samurais de bronze de 1968

- A seleção japonesa deixou para trás Brasil e França, e conquistou o bronze histórico na competição
Jogadores do Japão aparentemente descansando

É inegável que a seleção do Japão só alcançou de fato um nível de competitividade internacional, após a criação da J-League nos anos 90. Ademais, sua melhor campanha num torneio de abrangência mundial aconteceu bem antes disso, em 1968. Sendo assim, a equipe liderada em campo pelo lendário atacante Kunishige Kamamoto, brilhou nos Jogos Olímpicos da Cidade do México em 1968.

Assim, deixou para trás seleções como Brasil e França. Surpreendente, conquistou a medalha de bronze, ao bater os próprios mexicanos em pleno Estádio Azteca. A coluna Samurais da Bola relembra esse feito nesta semana.

A HISTÓRIA

Tudo começou quatro anos atrás em Tóquio. Quando, a Seleção Japonesa, anfitriã dos Jogos Olímpicos, cumpriu bom papel conseguindo chegar até as quartas de finais. Antes de tudo, na primeira fase, um grupo transformou-se em triangular com a desistência da Itália. Sendo assim, os nipônicos derrotaram a Argentina por 3 x 2, antes de perderem para Gana pelo mesmo placar.

Logo em seguida, caíram na etapa de mata-mata, diante da Tchecoslováquia por 4 x 0. Porém, não foi motivo para apagar o brilho dos japoneses na competição.

Logo, a boa impressão deixada, era produto da chegada do técnico alemão Dettmar Cramer. Chegou ao Extremo Oriente, em 1960 a pedido dos dirigentes da seleção do Japão. Primeiramente, métodos de treinamentos e sobretudo, de preparação física correntes na Europa, fizeram parte dos treinamentos da equipe. De antemão, foi feito um bom trabalho na seleção, formando um time competitivo, mas ele deixou o cargo logo em seguida.

Vale lembrar que, em junho de 1967, em Tóquio, a equipe pré-olímpica venceu o Palmeiras por 2 x 1. Djalma Santos e Ademar da Guia, estavam em campo naquele dia.

CAMINHO PARA OS JOGOS

Vale lembrar que, o futebol japonês naquele momento ainda era essencialmente amador. Pois, os jogadores, eram de  equipes universitárias e clubes fundados por fábricas e grandes corporações. Treinavam só depois do expediente e defendiam times de empresas.

Antes de Cramer sair, ele deixou “discípulos” para que seu trabalho fosse levado a diante. Logo, não foi surpresa quando a seleção voltou a garantir presença nos jogos. Com uma ótima campanha no pré-olímpico, a equipe japonesa bateu a seleção de Filipinas por incríveis 15 x 0. Superando os sul-coreanos no critério “goal average”.

OS JOGOS OLÍMPICOS

Realizou-se entre os dias 13 e 26 de outubro de 1968, na Cidade do México, no México. O torneio, antecedia em quase dois anos a realização da primeira Copa do Mundo no país. Teve uma forma de disputa parecida com a de quatro anos antes, mas desta vez sem as desistências.

O número de seleções foi reduzido para 14, fazendo com que dois grupos da primeira fase contasse apenas com três equipes. O Japão ficou no Grupo B, na Cidade do México e em Puebla, ao lado de Brasil, Espanha e Nigéria.

Chegou aos Jogos mantendo sua base. Dos 18 convocados, nada menos que 14 haviam participado dos Jogos em Tóquio quatro anos antes. . A mudança mais significativa havia sido no comando, com Shunichiro Okano. Tinha sido auxiliar técnico de Cramer e dessa forma, conseguiu manter a filosofia de jogo sem sobressaltos.

O time titular, também havia sido pouco alterado. O time titular também havia sido pouco alterado. Logo depois da estreia, ele  rompeu os ligamentos do joelho e perdeu o resto do torneio.

A CLASSIFICAÇÃO

A classificação em cima dos brasileiros e sem nenhuma derrota, provou a força daquela equipe japonesa. Havia também, jogadores com ótimo preparo físico, e uma defesa bem posicionada marcando duro. Logo, além de velocidade nos contra-ataques, os atletas tinham boas qualidades para jogar do meio para frente.

Diante da França, o Japão foi melhor e logo abriu o placar num belo gol de Kamamoto. O time francês, no entanto, empataria com o atacante Charles Tamboueon.

A ELIMINAÇÃO DO TORNEIO

O Japão, veria morrer suas expectativas de chegar à decisão. Aconteceu depois de uma dura derrota diante da Hungria, a melhor equipe do torneio. Foi para o intervalo perdendo para os húngaros por 1 x 0. Logo depois da volta do segundo tempo, os japoneses levaram mais quatro gols.

Para chegar à goleada inapelável de 5 x 0, a Hungria tratou de bloquear as jogadas de perigo dos japoneses já na origem. Todavia, o caminho das jogadas, eram intermediadas por Sugiyama. Sabendo disso, Kamamoto falou “Eles sabiam que o caminho para os passes chegarem até mim seria por intermédio dele” (Sugiyama).

A DECISÃO DO 3º LUGAR

A decisão da medalha bronze contra o México, no entanto, evitaria que a ótima campanha tivesse um desfecho decepcionante. Portanto, os orientais marcaram logo na primeira etapa, dois gols. De pé em pé, em meio a uma estática defesa mexicana, Kamamoto e Sugiyama foram combinando a jogada.

O ponteiro alçar a bola para a área, o ponta-de-lança se infiltrava sem ser incomodado. Kamamoto teve tempo de ajeitar e bater para o gol, sem chances para o goleiro Javier Vargas.

Todavia, o segundo gol também saiu fácil, aos 40 minutos. Yamaguchi recuperou uma bola na lateral-esquerda, e lançou na ponta para a correria de Sugiyama. O ponta se livrou do lateral mexicano, fez o passe cruzado para Kamamoto e o camisa 15 mais uma vez venceu Vargas.

Além da vantagem no placar, os japoneses levavam para o intervalo um melhor preparo físico e emocional. Portanto, o Japão venceu tranquilo e  merecidamente por 2 x 0 a seleção mexicana e faturou o bronze histórico.

Foto destaque: Reprodução/Twitter/ Japão FC

Milene Silva

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Escolhi jornalismo porque é uma profissão que me identifico. A primeira coisa que estou fazendo na área é escrever notícias sobre futebol. Meu objetivo é ser jornalista esportiva e vou batalhar muito pra consegui-lo.

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