Involução do colchão do Barça

A briga pelo título do campeonato espanhol segue mais intensa do que nunca, com duas rodadas do final e três rivais virtualmente empatados. Nem parece a liga que estava fadada a acabar com antecedência. E não precisamos voltar muito para lembrar disso; pouco menos de dois meses, na 29ª rodada, as aspirações do Barça eram outras.

Dia 12 de março a equipe catalã entrava na 29ª rodada como pleno favorito para ganhar tudo: Copa, Liga e Champions. O feito inédito de conquistar duas Champions e dois tripletes seguidos parecia questão de tempo. A temporada estava mais impecável do que a passada, o tridente MSN em estado de graça. O Barcelona goleia o Getafe por 6-0, Atlético vence o Deportivo por 3-0 e o Real vence o Las Palmas, fora de casa, por 1-2.

A classificação termina com a equipe de Luis Enrique em primeiro, com 75 pontos, seguido de Atlético, 67 pontos, e Real com 63 pontos. Uma distância atípica e monstruosa, 8 pontos de diferença da equipe colchonera e 12 pontos longe dos maiores rivais, os merengues. Zidane declarava na coletiva pós-jogo que a Liga já estava acabada para o Real. E o Barça se acomodava confortavelmente em cima do colchão de pontos que havia conquistado.

Na jornada seguinte a equipe catalã amargurou um empate fora de casa contra o Villarreal por 2-2, mas seguia muito confortável no topo e, mais importante, seguia mantendo seu recorde de invencibilidade. Mas depois de uma breve pausa para as datas FIFA, os jogadores retornam a seus clubes para o 31ª rodada e o Barça perde em casa para o seu maior rival, Real Madrid. A primeira partida após a morte de Johan Cruyff, que serviria para homenageá-lo, foi triste. Adeus invencibilidade, olá instabilidade.

Dia 9 de abril, apenas um mês depois do auge catalão, há mais reviravoltas na 32ª rodada. Os líderes perdem por 1-0 para a Real Sociedad, enquanto assistem o Atlético vencendo o Espanyol fora de casa por 1-3 e o Real goleando o Eibar por 4-0. Resultados que deixaram a classificação da seguinte maneira: Barcelona – 76 pontos, Atlético – 73 pontos, Real Madrid – 72 pontos. O confortável colchão de pontos começa a rasgar. As molas começam a estourar, a incomodar. Dormir nesse colchão já não é mais vantagem. Volta a Liga!

Na rodada seguinte o Barça perde mais uma vez, agora em casa, contra o Valencia. Tomou 1-2 de uma equipe que havia sido goleada por 8-0 nessa mesma temporada e nesse mesmo campo. Ninguém entende o que está acontecendo com a equipe catalã. Eliminada na Champions pelo vice-líder do Espanhol, Atlético de Madrid, que também vence na rodada enfrentando o Granada (3-0) e iguala os pontos do Barça, ficando atrás apenas por confronto direto. A briga pelo título da Liga ferve.

O processo de reabilitação catalã começa na 34ª rodada. A goleada, fora de casa, por 0-8 em cima do Deportivo reanima o torcedor. Na rodada seguinte o Barça goleia o Sporting por 6-0. O trio MSN volta a marcar, Suárez parece voltar a ser o matador de sempre, reassume a artilharia do torneio e a equipe catalã foca no doblete que resta: Liga e Copa. Mas seus rivais seguem vencendo e acirrando a disputa.

Dia 30 de abril deu lugar a 36ª rodada, a última disputada até agora. Barcelona venceu o Betis fora por 0-2. Atlético venceu o Rayo por 1-0. Real Madrid venceu a Real Sociedad fora por 0-1. Faltam duas rodadas e a classificação é essa:

Barcelona – 85 pontos

Atlético de Madrid – 85 pontos

Real Madrid – 84 pontos

O colchão que existe agora para a equipe de Luis Enrique é aquele feito de pregos. Qualquer vacilo e o Barça irá sangrar em cima dessa cama. Tem que manter a mesma calma e concentração dos ascetas faquires que meditam nessas camas de prego. Irá precisar, mais do que nunca, de resistência e da magia dos seus jogadores para superar essa involução que se viu no colchão de pontos do Barça.

Não haverá mais três líderes em um único dia na Liga. As partidas serão disputadas no mesmo horário; domingo, ao meio-dia no horário de Brasília. O Barça recebe o Espanhol, o Real recebe o Valencia e o Atlético visita o Levante.

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Diego Rey
Diego Rey, 27 anos, jornalista formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Sua paixão pelo futebol começou em 2006, ao ver Ronaldinho fazendo mágica em Barcelona. Desde então se tornou um torcedor culé fanático e não perde nenhum jogo do Barça. Morou na cidade catalã em 2013 e fez do Camp Nou sua segunda casa enquanto esteve lá.

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