Injustiçados?

O campeonato brasileiro chegou ao fim e com ele descobrimos os quatro rebaixados para a Série B de 2017. Mas quem é o culpado? A gestão? A comissão técnica? Os jogadores? É difícil nessa hora arrumar justificativa e cada um colocará a culpa em outra coisa, alguns até acusarão a arbitragem de ter ajudado tais adversários em jogo X ou Y.

Lamentações e desculpas a parte, América Mineiro, Santa Cruz, Figueirense e Internacional foram os quatro rebaixados, este último pela primeira vez em sua história. Não cabe a nós apontar os erros do time no campeonato, por mais que saibamos, deve ser algo discutido internamente e resolvido logo para que, no ano de 2017, façam uma boa série B e voltem ao topo.

Um detalhe que talvez tenha passado de despercebido é que os quatro times rebaixados têm excelentes goleiros, campeões e inclusive pretendidos por outros clubes antes do início do Brasileirão. João Ricardo, Tiago Cardoso, Gatito Fernández e Danilo Fernandes são goleiro de bom nível técnico, que falham pouco e são bastante seguros.

João Ricardo (América-MG): No América desde 2014, foi campeão mineiro de 2016. Para que diz: “Ah, o Campeonato Mineiro é fraco”, pode ser até que tenha um baixo nível técnico, mas o Coelho deixou para trás o excelente time do Atlético Mineiro e do recém bicampeão brasileiro, Cruzeiro. Vencer dois rivais considerados candidatos diretos ao título, que têm muito mais dinheiro e, teoricamente, melhores jogadores, não é para qualquer um.

João Ricardo foi eleito também o melhor goleiro do Campeonato Mineiro de 2016. Venceu Fábio, do Cruzeiro e Victor, do Atlético-MG, que são goleiros premiadíssimos:

O arqueiro do Coelho chegou a ser pretendido pelo Palmeiras para ser reserva de Fernando Prass em 2015. O goleiro tem vínculo com o América até o fim de 2018, com multa rescisória de 50 milhões de reais, mas o América não deve dificultar a saída de João caso o mesmo queira sair.

Mesmo rebaixado, o América Mineiro não sofreu nenhuma grande goleada no Brasileirão 2016. As maiores derrotas foram 5 placares de 3 a 0 para São Paulo, Santa Cruz, Coritiba, Atlético Mineiro e Grêmio. João Ricardo fez boas defesas apesar do péssimo Brasileirão do Coelho, o arqueiro salvou o time em várias oportunidades.

Tiago Cardoso (Santa Cruz): No Santa Cruz desde 2011, Tiago é um dos pilares dos seguidos acessos do Santinha e vem com o time desde a série D até a elite do campeonato nacional. É ídolo e capitão da equipe pernambucana.

O arqueiro é pentacampeão pernambucano pelo clube (2011, 2012, 2013, 2015 e 2016), além de ter conquistado o título da Copa do Nordeste de 2016, que deu vaga direta para a Copa Sul-Americana de 2016.

O “Paredão do Arruda”, como é apelidado pela torcida da Cobra Coral, já foi eleito melhor goleiro do Campeonato Pernambucano: 2011, 2013 e 2016, craque do Campeonato Pernambucano de 2011 e melhor goleiro da Copa do Nordeste de 2016.

O goleiro santa-cruzense interessava grandes clubes do futebol brasileiro, dentre eles um dos principais rivais de Pernambuco, o Náutico, mas o ídolo do Santa permaneceu e deve ajudar o clube na Série B de 2017. Se o clube não foi bem neste ano no Campeonato Brasileiro, de fato ele teve sua parcela de culpa como todo o time, mas fez também excelentes defesas evitando que o Santa Cruz fosse ainda pior.

Gatito Fernández (Figueirense): Paraguaio revelado pelo Cerro Porteño-PAR, foi campeão do Apertura, em 2009 e do Clausura, em 2013 pelo time paraguaio. Em 2014 chegou ao Vitória da Bahia para ser o reserva imediato ou até disputar posição com o então titular Wilson. Porém, Gatito só disputou algumas partidas e na reta final do Campeonato Brasileiro, após uma lesão de Wilson. Entretanto, o rubro-negro baiano acabou rebaixado para a Série B ao fim da temporada.

Em 2015, o paraguaio foi um dos responsáveis pelo acesso do Vitória para a Série A, tendo substituído Fernando Miguel no meio da Série B e sendo considerado um dos melhores goleiros do torneio e idolatrado pela torcida. No início desta temporada deixou a torcida do Vitória triste ao acertar sua transferência para o Figueirense para substituir Alex Muralha que tinha saído para jogar no Flamengo. Pelo Figueira foi convocado pela primeira vez para atuar pela Seleção Paraguaia do técnico Arce.

Gatito foi muito bem na medida do possível e mesmo com o rebaixamento do time catarinense neste Brasileirão, foi contratado pelo Botafogo do Rio de Janeiro para substituir a saída do então titular Sidão, que fechou com o São Paulo. O agora ex-goleiro do Figueira disputará posição com Jefferson, goleiro que já foi de Seleção Brasileira e ficou sem jogar no último ano devido a uma lesão. Assim como Sidão se destacou pelo Botafogo neste Brasileirão, Gatito Fernández tem tudo para conseguir o mesmo sucesso, já que o Botafogo terá muitos campeonatos a disputar no próximo ano, deve dar chances ao novo goleiro.

Danilo Fernandes (Internacional): Revelado pelo Corinthians, Danilo ganhou tudo o que foi possível pelo Timão, dois Campeonatos Paulistas, 2009 e 2013, Copa do Brasil, 2009, Campeonato Brasileiro, 2011, Copa Libertadores da América, 2012, Mundial de Clubes da FIFA, 2012 e Recopa Sul-Americana, 2013, porém, todos como reserva. O arqueiro alvinegro atuou em apenas 27 partidas pelo Corinthians em 6 anos de clube, sendo 3 em 2011, 8 em 2012, 15 em 2013 e uma em 2014.

Eterno reserva do time corintiano, foi contratado pelo Sport de Recife para a disputa do Campeonato Brasileiro de 2015 e se tornou uma verdadeira muralha no gol do time pernambucano, fazendo os corintianos se perguntarem porque não o manteram no elenco.

Em 2016, foi contratado pelo Internacional devido as suas boas atuações para suprir a saída do goleiro Alisson, que foi negociado com a Roma da Itália. No Colorado, foi bem nos primeiros jogos. Foram 9 jogos, 6 vitórias, 1 empate e 2 derrotas com o goleiro atuando e apenas 7 gols sofridos, uma média inferior a um gol por jogo (0,77). Danilo chegou na segunda rodada, a primeira havia sido um 0 a 0 com a Chapecoense, com Alisson no gol. Ao final da 10ª rodada, Danilo se lesionou, mas deixou o Internacional na vice-liderança da competição, a dois pontos do líder e futuro campeão Palmeiras.

O Inter colocou o jovem Jacsson, de apenas 22 anos em seu lugar para jogar a 11ª rodada e o resultado foi uma derrota por 3×2 em casa para o Botafogo. Nas três rodadas seguintes escalou Muriel, resultado: mais três resultados negativos. Perdeu para Flamengo e Santa Cruz, fora de casa e o clássico contra o Grêmio em casa e todas as derrotas foram por 1 a 0. Eis que fez a troca entre o titular do time do Bahia, Marcelo Lomba, que disputava a Série B, por Muriel. Lomba estreou na 15ª rodada e foram mais 6 jogos sem vencer. Perdeu para Palmeiras e Corinthians em casa por 1 a 0, revés contra Cruzeiro por 4×2 e para a Chapecoense por 1 a 0, ambos fora de casa e dois empates contra Ponte Preta fora e Fluminense em casa, todos por 2×2.

Na 21ª rodada Danilo Fernandes já havia se recuperado e de cara foram dois empates e uma vitória, finalmente voltando a vencer. Mas nesta altura do campeonato o time já estava totalmente desestruturado, abalado, trocando adoidado de treinador e acabou sendo rebaixado, muito pela falta que Danilo fez ao time. Danilo foi um dos muitos injustiçados deste time do Internacional que tem excelentes jogadores e, no papel, não tinha time para cair. O arqueiro colorado sofreu apenas 24 gols no Brasileirão, atuando 27 jogos, aumentando em apenas 0,1 sua porcentagem antes da lesão, ficando com 0,88 gols por partida. Para se ter uma ideia de como o goleiro do time gaúcho poderia fazer a diferença se não tivesse se lesionado, veja abaixo a média dos goleiros classificados para a Libertadores de 2017:

Jaílson (Palmeiras): 19 jogos, 12 gols sofridos, média de 0,63 gols por jogo.
Fernando Prass (Palmeiras): 16 jogos, 14 gols sofridos, média de 0,87 gols por jogo.
Vanderlei (Santos): 37 jogos, 34 gols sofridos, média de 0,91 gols por jogo.
Alex Muralha (Flamengo): 33 jogos, 32 gols sofridos, média de 0,96 gols por jogo.
Victor (Atlético-MG): 32 jogos, 43 gols sofridos, média de 1,34 gols por jogo.
Sidão (Botafogo): 32 jogos, 31 gols sofridos, média de 0,96 gols por jogo.
Weverton (Atlético-PR): 30 jogos, 26 gols sofridos, média de 0,86 gols por jogo.

De fato, Danilo tem uma média melhor que muitos dos classificados para a Libertadores. Talvez seu time poderia ter escapado e até brigado pelo título se o goleiro estivesse 100% durante todo o campeonato.

Sempre que um clube grande cai toma um choque de realidade e vê que algo precisa ser mudado. Os que sabem utilizar a 2ª divisão como “reabilitação”, quando voltam se tornam muito mais fortes do que quando desceram, casos de Palmeiras, Corinthians, Fluminense, Atlético-MG e Vasco.

Palmeiras venceu Brasileirão e duas Copas do Brasil após o rebaixamento, o Corinthians se tornou campeão da Libertadores e do Mundial de Clubes da FIFA após sua queda, o Fluminense foi finalista de Libertadores e bicampeão brasileiro, o Atlético-MG se tornou campeão da Libertadores e da Copa do Brasil e o Vasco campeão da Copa do Brasil.

América-MG, Figueirense e Santa Cruz já sabem como funciona a 2ª divisão, já aos torcedores do Internacional terão de se acostumar a assistir aos jogos as terças, sextas e sábados e aguentar a zoação dos adversários, mesmo que o Grêmio tenha passado duas vezes por lá, o mundo girou e agora a vez do Colorado chegou.

Eric Filardi

Sobre Eric Filardi

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Quando pequeno quis ser jogador. O sonho de criança passou. Uma vida nova se anseia. Bem-vindo ao melhor site de futebol. Bem-vindo ao Futebol na Veia. Sou Eric Filardi, paulistano de 27 anos, jornalista pós-graduado em Jornalismo Esportivo e apaixonado por futebol. Como todo jornalista amo escrever. Como todo brasileiro amo futebol. Tenho meu clube e minhas preferências, mas viso o profissionalismo e a imparcialidade, sem deixar de lado a criatividade. Sou Tricolor, Peixe, Palestra e Timão. Sou da Colina, Glorioso, Flu e Mengão. Sou brasileiro, hermano, francês e italiano. Sou Ghiggia, Paolo Rossi, Caniggia e Zidane. Sou Alemanha dos 7 x 1, mas que o povo não se engane. Também sou Ronaldo, Romário, Zico, Garrincha e Pelé. Sou Bundesliga, MLS, Eredivisie e Premier. Sou das várzeas e dos terrões. Sou Clássico das Multidões. Sou Sul, Nordeste, Amazônia e Pantanal. Sou Galo, Raposa, Bavi e Grenal. Sou Ásia e África. Sou Barça e Real. Sou as Américas, a Europa, sou o mundo em geral. Sou a festa nas arquibancadas, que o estádio incendeia: sou Futebol na Veia.

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