A incoerência na gestão do futebol feminino

O futebol feminino começou a todo vapor nos jogos olímpicos, mas sucumbiu às expectativas do torcedor ao longo do torneio e não conquistou nenhuma medalha. O Brasil sentiu a falta de Cristiane, é verdade. Mas com a bola rolando, no decorrer da competição, a Seleção feminina pareceu não ter alternativas, pois, mesmo quando Cristiane esteve em campo, pouco criou. Isso porque foram mais de cinco horas sem balançar as redes adversárias. Faltou brilho nos momentos mais importantes. A involução tática deve ser creditada ao trabalho de Vadão, técnico da Seleção. Às meninas, por outro lado, restam aplausos e reverências. Em um país cujo investimento no esporte é pífio, estar entre as quatro melhores seleções do mundo é algo louvável.

Justificar o insucesso do futebol feminino alegando que a modalidade não é atraente, além de machista, soa como grotesco. Se não bastasse a incompatibilidade de salários, a confederação brasileira de futebol não faz o menor esforço para investir no futebol. As consequências são as mais previsíveis possíveis: poucos campeonatos, a grande maioria de curta duração e uma cobertura midiática quase inexistente.

A discussão sobre a disparidade existente entre o futebol masculino e feminino entrou em pauta, com maior fervor, agora, graças ao jogos olímpicos. O senso comum foi despertado por ver o absurdo diante do próprio nariz. Se não fosse a Olimpíada no Rio de Janeiro, será que a modalidade de Formiga, Cristiane e Marta teria a devida atenção?

Arrisco um palpite: não!

Não, porque o Brasil não foi capaz de valorizar uma jogadora cinco vezes eleita a melhor do mundo. Não, porque Cristiane joga no Paris Saint Germain, muito longe do Brasil. E o estrangeirismo na Seleção não é exclusividade das grandes estrelas do selecionado. Até mesmo as menos badaladas jogadoras jogam no exterior. Não, porque quando o Santos Futebol Clube montou uma espécie de Barcelona do futebol feminino, o time logo desfez-se.

E não! Principalmente porque o campeonato brasileiro feminino, em se tratando de organização e divulgação, é um fracasso, uma piada de mal gosto.

Sim, o futebol feminino não recebe investimentos e as justificativas abrangem inúmeras áreas, seja de cunho publicitário, ou embasado em argumentos vazios, machistas e ridículos. Defender o futebol feminino não pode ser cogitado apenas quando existirem medalhas. Até porque, já são duas pratas conquistadas e nada foi feito.

Mais um ciclo olímpico se fechou e, mais uma vez, o futebol feminino não sabe qual rumo traçará nos próximos anos.

André Siqueira Cardoso

Sobre André Siqueira Cardoso

André Siqueira Cardoso já escreveu 313 posts nesse site..

Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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