Imagina se os valorizássemos

O site alemão Transfermarkt elaborou um ranking com o intuito de revelar quanto os clubes brasileiros arrecadaram, desde 2012, com a venda de suas joias das categorias de base. Mais do que isso, o relatório evidencia qual o time que melhor faz negócios. As cifras levantadas revelam um valor exorbitante, mas suscita uma discussão acerca da maior participação dos clubes nos contratos, somado a maior valorização de nossos talentos na hora da venda.

Dezessete clubes da elite do futebol brasileiro arrecadaram, nos últimos cinco anos, aproximadamente R$ 2 bilhões de reais em vendas. A primeira colocação do ranking, como era de se esperar, é ocupada pelo Santos.

Com a venda de oito jogadores – Neymar, Gabigol, Emerson Palmieri, Geuvânio, Felipe Anderson, Ganso, Rafael e Victor Andrade -, o Peixe arrecadou 152,8 milhões de euros. A quantia, porém, é imprecisa, uma vez que o montante foi calculado como se Neymar tivesse sido vendido por 57,3 milhões, sendo que apenas 17,3 milhões foram repassados ao Santos. Sabe-se hoje, após investigação do Ministério Público da Espanha, que Neymar custou 86,2 milhões de euros aos cofres do clube catalão.

 

Confira abaixo o ranking completo:

1º – Santos – 152,9 milhões de euros: Neymar, Gabigol, Emerson Palmieri, Geuvânio, Felipe Anderson, Ganso, Rafael e Victor Andrade;

2º – São Paulo – 80,6 milhões de euros: Lucas, David Neres, Augusto, Boschilia, Ademílson, Ewandro, Casemiro, Bruno Uvini e Lucas Evangelista;

3º – Internacional – 47,6 milhões de euros: Alisson, Fred, Leandro Damião, Otávio, Lucas Lima, Rodrigo Moledo, Rogério, Jonathan Lucca e Alan;

4º – Fluminense – 47 milhões de euros: Kenedy, Gerson, Wellington Nem, Biro Biro, Walace Oliveira, Marlon e Fabinho;

5º – Atlético-MG – 42,9 milhões de euros: Bernard, Jemerson, Giovanni Augusto, Eduardo Henrique, Wescley e Werley;

6º – Grêmio – 38 milhões de euros: Walace, Fernando, Mário Fernandes, Matheus Biteco e Wendel;

7º – Palmeiras – 34 milhões de euros: Gabriel Jesus e Luís Felipe;

8º – Cruzeiro – 32,7 milhões de euros: Lucas Silva, Wallace, Bruno Viana, Léo Bonatini, Anselmo Ramon, Vinícius Araújo, Gabriel e Sebá;

9º – Botafogo – 21,5 milhões de euros: Dória, Jadson, Ribamar, Vitinho e Gilberto;

10º – Atlético-PR – 19,5 milhões de euros: Cirino, Manoel, Hernani, Nathan e Marcos Guilherme;

11º – Flamengo – 17,9 milhões de euros: Jorge, Diego Maurício, Caio Rangel e Samir;

12º – Corinthians – 15,4 milhões de euros: Malcom, Matheus Pereira, Matheus Cassini e Marquinhos;

13º – Vasco – 13,1 milhões de euros: Danilo, Mosquito, Rômulo e Jhon Cley;

14º – Bahia – 13 milhões de euros: Talisca, Bruno Paulista, Gabriel, Pará e Filipe Augusto;

15º – Coritiba – 5,7 milhões de euros: Raphael Veiga, Tiago Real e Lucas Mendes;

16º – Vitória – 5,3 milhões de euros: Gabriel Paulista, Marcelo, Léo e Ramon;

17º – Sport – 3,2 milhões de euros: Renê e Joeliton

 

Tomemos o Corinthians, maior ganhador da Copa São Paulo de Futebol Júnior, como exemplo. Um dos maiores times do País, com fama mundial, amarga a 12ª colocação do ranking. O triste cenário é resultado de contratos mal formulados, que dão expressivo poder a empresários que usam os clubes como trampolim para o mercado europeu,  mas também inabilidade nas negociações. Cita-se, por exemplo, o caso do zagueiro Marquinhos, hoje titular da Seleção Brasileira.

Em 2012, o beque foi vendido a Roma por 3 milhões de euros sob a alegação de que não teria estatura para zagueiro. Hoje, o Transfermarkt informa que o valor mínimo de mercado do zagueiro é de 32 milhões. Mas, na última temporada, o Barcelona ofereceu 60 milhões de euros ao PSG. O clube parisiense negou, pois acredita que Marquinhos, hoje com 22 anos, pode se transformar em um dos melhores defensores do mundo. As atuações seguras do brasileiro mostram que o atleta caminha a passos largos para isso. 

Marquinhos e Cavani comemoram gol em clássico contra Olympique de Marseille
Foto: Gazeta Esportiva

 

Exemplos não faltam. Matheus Pereira, o Pirulão, mesmo que ainda tivesse o status de promessa, foi vendido para a Juventus, da Itália, por 2,5 milhões de euros. A questão é que o Timão possuía apenas 5% dos direitos federativos do atleta e, portanto, nada lucrou. Um escárnio.  

Por fim, os clubes deveriam elaborar os contratos com maior afinco, a fim de coibir a existência de cláusulas que tornem os clubes meros reféns de empresários.

A cláusula 4 do contrato de Gabriel Jesus, última grande revelação palmeirense, indicava que, em caso de proposta pelo atacante após os Jogos Olímpicos, para não perdê-lo, o Palmeiras deveria adquirir os 70% dos direitos federativos distribuídos entre os empresários Cristiano Simões e Fábio Caran. Mais do que isso, para Barcelona, Real Madrid, PSG, Bayern de Munique, Manchester United e PSG, o valor de compra era de 24 milhões de euros. O desfecho não foi dos piores porque o clube interessado foi o Manchester City, que ofereceu 32 milhões de euros, mas também porque o Verdão venceu uma disputa judicial contra Fábio Caran, aumentando em mais 22,5% sua participação no passe do jogador.

O caso de Gabigol foi semelhante. O Santos possuía 60% de seu passe, mas o contrato previa uma liberação em caso de uma proposta igual ou superior a 18 milhões de euros. Nesse caso, o restante ficaria com o próprio atacante. A Inter de Milão ofereceu 27 milhões. Assim sendo, o então camisa 10 da Vila arrecadou a exorbitante quantia de 9 milhões de euros – cerca de R$ 33 milhões.

Gabigol e Jesus disputam jogada em clássico na Vila Belmiro
Foto: 90min.com

Isto posto, é coerente dizer que o mercado brasileiro é bastante atraente para clubes estrangeiros, embora a lista acima não seja composta exclusivamente por transferências internacionais. A quantia arrecadada pelos clubes desde 2012 é considerável, mas poderia ser ainda maior. Resta aos clubes um planejamento eficiente, o qual vise valorizar as jóias formadas na base. Nenhum empresário pode colocar um clube contra a parede, em situação de subserviência. Os negócios devem trazer retorno financeiro para as instituições, uma vez que haverá decréscimo técnico. Caso contrário, serão cada vez mais comum notícias que evidenciam a habilidade de clubes como Benfica e Porto em revender jogadores contratados a preço de banana por quantias astronômicas.

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André Siqueira Cardoso
André Siqueira Cardoso
Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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