Escalação principal do Huracán campeão Metropolitano em 1973 (Foto destaque: Reprodução/Huracan).

Nesta semana, a Coluna Catimbando irá relatar a conquista do Huracán em 1973, a equipe encerrou um jejum de quase meio século. Assim, sob o comando de César Luis Menotti, os Quemeros demonstravam um estilo de jogo totalmente oposto ao utilizado pelos argentinos historicamente. Desse modo, foi inevitável o técnico ser chamado para treinar a Seleção Argentina após aquele título, sendo o responsável direto pelo inédito mundial vencido em 1978.

JEJUM HISTÓRICO: COMO LIDAR COM A PRESSÃO DE QUASE MEIO SÉCULO SEM TÍTULOS?

A época de ouro do Globo havia passado, a década de 20, principal momento do Huracán em sua história, já estava distante. Dessa forma, os torcedores não queriam ficar apegados apenas nos quatro títulos conquistados naquele período, a pressão de retornar aos triunfos só aumentava. Posteriormente, a contratação de César Menotti visava o oposto do que vinha sendo apresentado, visto que em ocasiões anteriores contava com Osvaldo Zubeldía, técnico que priorizava o setor defensivo e a raça argentina.

ESCALAÇÃO DO HURACÁN: UMA DEMONSTRAÇÃO DE OFENSIVIDADE

Historicamente, o esquema tático utilizado pelo comandante foi popularizado como o clássico 4-3-3. No entanto, o que realmente era demonstrado em campo ia muito além estrutura prévia, a equipe do Globo atuava em grande parte do jogo com um quinteto ofensivo. Assim, os meio-campistas Babington e Brindisi se juntavam com Larrosa, Avallay e a principal figura, René Houseman.

Nesse sentido, vale ressaltar que todos tiveram oportunidades pela Seleção Argentina, dirigida por Omar Sívori, nas eliminatórias para a Copa de 1974. Ademais, é necessário também dar os méritos ao setor defensivo, fator essencial para a permissão de uma postura agressiva no ataque. Como um dos principais destaques, tinha o lateral-esquerdo Jorge Carrascosa, que se tornou capitão na seleção e só não foi convocado para a Copa de 1978 por não ser favorável ao sistema político.

“Eu tenho minha convicção e vou defendê-la até a morte. Este é o futebol do Huracán, este é o futebol que eu quis sempre, este é o futebol que quis para o meu país.” – afirmou Menotti, que viria a ser técnico da Argentina.

Escalação: Buglione, Chabay, Russo, Basile e Carrascosa; Brindisi, Babington, Larrosa, Roganti e René Houseman; Téc: César Luis Menotti.

 

Dentre eles, quatro jogadores foram convocados para Seleção Argentina. (Foto: Reprodução/El Gráfico)
Dentre eles, quatro jogadores foram convocados para Seleção Argentina (Foto: Reprodução/El Gráfico).

SELEÇÃO ARGENTINA: O PRINCIPAL ADVERSÁRIO DO HURACÁN

Uma convocação para o seu país é o ápice na carreira de um jogador que vem evoluindo tecnicamente. Contudo, a maior refém desse sonho é a equipe do atleta, visto que é recorrente as partidas das competições nacionais ocorrerem simultaneamente com amistosos e eliminatórias. Sendo assim, esse foi o caso do Huracán em 1973, após um primeiro turno brilhante, o Globo ficou de mãos atadas, cogitando a possibilidade de perder o Metropolitano.

Entretanto, o início de campeonato deu fôlego à equipe de Menotti, que concretizou o troféu com duas rodadas de antecedência. Apesar de tropeços inesperados, como a derrota sofrida para o Gimnasia La Plata em casa, o protagonismo assumido por Basile deu sobrevida ao time. Inclusive, no jogo da confirmação do título, as principais estrelas, como Avallay e Babington estavam disputando as eliminatórias pela Argentina.

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RENÉ HOUSEMAN: ALMA QUEMERA

Neste contexto em que a história se construiu, é inevitável ressaltar o quão diferenciado foi René Houseman para o Huracán. O atacante que viria a ser campeão da Copa do Mundo de 78, era denominado pela torcida como El Loco, já que era conhecido pela sua grande apreciação pelo álcool. Contudo, seu instinto decisivo e habilidoso era mais do que suficiente para cair nas graças dos Quemeros. Pelo Globito, atuou entre 1973 e 1980, disputou 266 partidas e marcou 108 gols, além de ser essencial na quebra do jejum.

Antes disso, em uma partida contra o River Plate, na campanha do Metropolitano de 1973, o atacante faltou aos treinos que antecederam o confronto. Desse modo, César Menotti, que pediu sua contratação quando René atuava pelo Belgrano, foi lhe buscar para recuperá-lo. A saber, mesmo de ressaca, o argentino marcou um gol contra os millonários, feito primordial para assegurar o troféu no Parque de los Patrícios.

“Apenas uma vez toquei enquanto estava realmente bêbado. Eu vim da festa de aniversário do meu filho e cheguei ao acampamento que eu quase não conseguia suportar. Eu não sei quantos chuveiros congelados eles me forçaram a tentar me colocar de volta aos trilhos. No final, eles deixaram a decisão comigo e eu respondi que podia jogar mesmo com uma perna! Eu os convenci, entrei em campo desde o início, fiz um gol, pedi uma mudança e fui e fui para os vestiários para dormir.” – confessou Houseman, um tempo após a conquista.

René Houseman comemorando o Metropolitano de 1973 junto com a torcida do Huracán (Foto: Reprodução/El Grafico).
René Houseman comemorando o Metropolitano de 1973 junto com a torcida do Huracán (Foto: Reprodução/El Grafico).

CAMPANHA DO EL GLOBITO

Apesar da ofensividade utilizada, a equipe conseguiu alcançar um equilíbrio raramente produzido na história. Dessa forma, em 32 rodadas, o Huracán sofreu apenas 30 gols, além de balançar as redes adversárias em 62 oportunidades. Assim, o plantel venceu 19 partidas, empatou oito e perdeu apenas cinco, terminando a campanha com 46 pontos. Ademais, vale ressaltar que aquele torneio foi o primeiro Metropolitano disputado, que consistia em classificar o campeão para a Copa Libertadores.

HURACÁN X ARGENTINOS JUNIORS: O FAVORITO CHEGOU!

Inicialmente, ainda havia dúvidas do quão longe poderia chegar o Furacão, mesmo com o 3° lugar em 1972, porém essa suspeita foi quebrada após a goleada aplicada no Argentinos Juniors. O placar de 6 a 1 foi algo assombroso, a superioridade aplicada pelo time de El Flaco surpreendeu a todos. Não havia mais pessimismo, definitivamente a equipe estava disposta a reverter o título perdido. Anteriormente, uma demonstração disso foi o 3 a 0 aplicado no San Lorenzo, que havia dado a volta olímpica antes do início da partida.

ROSÁRIO CENTRAL X HURACÁN: APLAUDIDO PELO ADVERSÁRIO

Pela 10ª rodada, a equipe visitou o Rosário Central em busca de mais uma vitória no torneio. Até então, El Globito havia disputado nove jogos, marcou 27 gols e sofreu apenas nove. Após a partida ter sido suspensa devido à chuva, no dia seguinte, o Central, apesar de ter uma excelente equipe, que conquistaria o Nacional no mesmo período, sofreu um protocolar 5 a 0 em sua casa, com direito a aplausos da torcida adversária.

“Após o terceiro gol, todos começaram a bater palmas. E eu disse o que diabos aconteceu? Foi para nós. Não foi quando o jogo terminou. Foi no terceiro gol. Fizemos um desses movimentos, bem … todo mundo gosta deles. E El Loco definiu isso … e ele saiu correndo atrás do arco e começamos a correr para abraçá-lo e começamos a ouvir os aplausos. Eu acho que foi um dos picos máximos da equipe de 73. O time era violino “. – relatou Menotti em seu livro “The Last Romantic”.

HURACÁN X GIMNASIA LA PLATA: O JOGO DO TÍTULO!

No Tomás Adolfo Ducó, estádio do Furacão, a situação foi muito favorável para o encerramento daquele jejum. No entanto, como dito anteriormente, o plantel sofria com os principais destaques disputando as eliminatórias com a Albiceleste, resultando em uma derrota em casa para o Gimnasia por 2 a 1. Todavia, naquele 16 de setembro, o bom aproveitamento permitiu a comemoração apesar do placar. Naquele dia, o Club Atlético Huracán encerrou a seca de 45 anos com uma campanha irreparável, o Globo mostrou como é ser um campeão genuíno.

Foto destaque: Reprodução/Huracán

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Caio César Esplugues de Oliveira
Desde minha infância já tinha escolhido o jornalismo como profissão, sentia que poderia ter conhecimento necessário e flexibilidade na comunicação com o público, além de não "passar pano" para erro de pessoas que conheço. Comecei esse ano o curso de Jornalismo, logo após que acabei a escola e pretendo seguir firme e forte nessa carreira ao qual sou apaixonado.

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