Entre os mais variados clássicos das seleções mundiais, Espanha e Holanda certamente é uma das rivalidades mais bélicas de todos os tempos, interna e externamente ao futebol. Chamada de Guerra dos 80 Anos, os países europeus se colidiram por conquistas do território brasileiro antes mesmo do surgimento do futebol em 1863.

À época, em 1648, a Holanda passou a ser um país independente, após enfrentar um comboio, oriundo da Espanha, do maior ataque em mares sulistas, conquistando a capital baiana, inclusive, sede do duelo, o qual vou falar a seguir. O assunto desta coluna do Marcas da Copa é o derby ocorrido na Copa do Mundo do Brasil em 2014.

Na ocasião, um dos vilões da vice colocação do Mundial há quatro anos atrás, o holandês Arjen Robben fez a diferença, ao lado do parceiro de ataque, Van Persie. Apagando a atuação abaixo da média, o canhoto bagunçou com a defesa da La Fúria. Já o camisa 9, atento, deletou a timidez de anos atrás: anotou dois gols que representaram o faro de atacante do jogador. O primeiro, sobretudo, uma pintura única no esporte.

Derby dos 80 anos: o renascimento da Laranja Mecânica avassaladora

Assim como toda reedição de final de Copa do Mundo, o clássico foi recheado de expectativa. Marcava o reencontro das seleções finalistas do último torneio. Enquanto a Espanha carregava o título de campeã do mundo e de uma das maiores equipes mundiais, a Holanda buscava digerir o vacilo na defesa do seu primeiro título de uma Copa e dar o troco no rival europeu.

De um lado, os Furiosos esbanjavam um plantel de craques dos principais clubes do mundo, com supremacia do Barcelona e Real Madrid. Para ter noção da qualidade técnica do time, o meio-campo era formado por Busquets, Xabi Alonso, Xavi, Iniesta e David Silva. Do outro lado, a Laranja Mecânica tinha uma equipe compactada, arrumada e comandada pelo tridente Sneijder, Robben e Van Persie.

MELHORES MOMENTOS

1° TEMPO

Antes mesmo da bola rolar, o favoritismo dentro de campo, evidentemente, era da Espanha, visto que a equipe manteve seu plantel campeão mundial, com exceção do artilheiro David Villa e do zagueiro Puyol. Entretanto, a torcida presente na Arena Fonte Nova, em Salvador, estava a favor da Seleção Holandesa.  Do mesmo modo, o alvoroço das arquibancadas logo no início do confronto fez o camisa 10 do “carrossel” perder uma ótima oportunidade semelhante a de Robben, na final há quatro anos atrás, cara a cara com Casillas. Após receber em profundidade do até então atacante de Bayern, Sneijder parou no arqueiro rival.

 

Passados alguns minutos de reconhecimento das estratégias de jogo de ambas as equipes, a Espanha abriu o placar aos 27’. Com a finalidade de deixar os companheiros em boa condição de finalização, Xavi, em um passe de mágica, colocou Diego Costa próximo do gol. Malicioso, o atacante cortou para o pé direito, deixando o esquerdo propositalmente para De Vrij derrubá-lo. Pênalti. Xabi Alonso cobrou firme no canto. 1 x 0.

INÍCIO DO VEXAME ESPANHOL

Costurando o adversário, a La Roja trabalhava com cautela a posse de bola até encontrar os espaços no cerco da Holanda. Dessa forma, no final da primeira etapa, aos 43 minutos, o maestro Iniesta quebrou a defensiva adversária com um passe milimétrico para David Silva. O cabeludo recebeu e, com calma, desperdiçou a chance de ampliar o placar ao dar um toque precioso de cobertura e ver Cilessen desviar providencialmente a bola para escanteio, alterando o curso dela.

 

 

Van Persie em movimento crucial para acertar o que é tido como um dos gols mais bonitos das Copas do Mundo. (Foto: Reprodução/Getty Images)


Ali começou o vexame espanhol. Em seguida ao lance anterior, o multiposição Daley Blind lançou na medida para Van Persie no meio dos zagueiros. O centroavante, ao ver Casillas adiantado, deslocou o arqueiro num voo artístico, o encobrindo através de uma cabeceada espetacular. Inerte, Casillas não teve reação e viu a pelota morrer no fundo da rede. Era o começo de uma virada histórica.

2° TEMPO

O espetáculo de gol foi um incentivo a mais para a Laranja voltar a campo e partir para cima da equipe espanhola. A ida em êxtase ao vestiário antecipou o que seria a etapa complementar: um Espanha e Holanda totalmente diferente. Com menos de 10 minutos de partida, Robben fez valer o apetite holandês. Após ganhar um passe sublime de Blind, o carecone dominou com a canhota de forma ímpar, deixou Piqué a ver navios e finalizou forte para espantar a infelicidade da chance clara de gol em 2010. Golaço. Definitivamente, o passeio começou naquele momento!

Voraz, a Holanda estava com sede de revanche. Aos 15’, o lateral-direito Janmaat roubou a bola, tocou para Sneijder e correu ao ataque. O camisa 10, então, deixou com Robben, que saiu em velocidade, abriu caminho para o ataque da seleção e devolveu para Janmaat. Este ajeitou para Van Persie, que soltou o pé de direita, acertando o travessão de Casillas. O famoso ditado: “se ficar o bicho pega, se correr o bicho come” entrou em ação. Posteriormente, uma falta cobrada por Sneijder parou no zagueiro De Vrij. Sozinho, o defensor aproveitou a sobra e empurrou para a meta. Assim, em busca da reação, o técnico Vicente Del Bosque colocou Pedro e Fernando Torres em campo. Mas de nada valeu a iniciativa.

SEM REAÇÃO

Aos 27 minutos, Janmaat fez o arremesso lateral. A zaga espanhola recuperou a pelota e recuou para Casillas. Acuado, o goleiro dominou bisonhamente e entregou a Van Persie. Na dividida, o camisa 9 roubou a bola e ampliou o marcador. Goleada em terra baiana.

Robben comemora em tom de satisfação o segundo gol da Laranja Mecânica; gol da virada histórica. (Foto: Reprodução/Damien Meyer/AFP)

Pensa que a festa acabou por aí? Não mesmo! Nesse ínterim, a noite de gala ainda teria a coroação. Faltando 10 minutos para o término no tempo regulamentar do duelo, Robben decretou o fim da dolorosa noite da Espanha. O meio-campo Sneijder fez um lançamento poderoso para o ataque, o camisa 11 engatou a “terceira”, ultrapassou Sergio Ramos, dominou a bola, deixou Casillas no chão, buscou um ângulo melhor para a finalização e, certamente, marcou. Por fim, na comemoração, o clássico canhoto holandês simulou uma nova disparada para a alegria da torcida da Laranja Mecânica.

REENCONTRO AMARGO PARA UNS E DOCE PARA OUTROS

Desde que a Espanha se tornou uma potência futebolística, nem os mais confiantes do esporte esperavam que a La Fúria fosse sofrer tanto em um único jogo de Copa do Mundo. Mas, a surpresa deste esporte mostrou o porquê dele ser tão apaixonante. O grande clássico do dia 13 de junho lavou a alma da torcida holandesa, do elenco que ficou em 3° colocado daquela Copa do Mundo, e de todos os envolvidos no comitê holandês.

A envolvência do meio-campo espanhol, antes mesmo da bola rolar, já era sinônimo de uma partida qualificada. Contudo, o fator que mais chamou a atenção nesse reencontro foi a efetividade do setor ofensivo da Holanda. Sem piedade, Robben comprovou o seu brilho, Van Persie justificou o poder de centroavante nato, e Sneijder reviveu o meia clássico de todos os tempos.

Portanto, para quem estava no estádio, certamente, o derby marcará para sempre os fanáticos pelo futebol mundial. E, para aqueles que assistiam da telinha, os lances do confronto entre Espanha e Holanda jamais serão esquecidos, mas sim eternizados. Em conclusão, nunca uma seleção campeã mundial havia sofrido tantos gols após conquistar o torneio.

Foto destaque: Reprodução/AFP 

Pedro Moraes
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