A hipocrisia matizada no sofrimento

A raça humana tem me envergonhado. Muito. Maravilhoso seria se todos tivessem a compaixão e a grandeza do povo colombiano. Utópico, claro. Porque, aos poucos, vamos juntando os cacos e obtendo a frieza necessária para analisar os fatos e encarar a realidade. A verdade, nua e crua.

E agora já sabemos que os guerreiros que embarcaram rumo à Medellín foram assassinados. Duramente assassinados pela ganância do ser humano. Mortos pela negligência. Um compilado de fatos inaceitáveis. Postura atroz de um escravo do dinheiro.

Sim, pois o mais novo áudio que circula nas redes sociais é que o dono do hangar que recebia o avião da companhia Lamia já havia constatado que o piloto deste avião costumava fazer viagens com níveis de combustível milimetricamente medidos. Nos últimos meses, cinco viagens nesta situação. E na única vez em que a aeronave fez o percurso entre Santa Cruz de la Sierra e Medellín, houve parada para abastecimento. Claro! Arriscar a vida com uma viagem teste? Jamais!

Sim, pois a funcionária da Lamia Celia Castedo questionou o plano de voo e a autonomia do avião. Como resposta, obteve um parecer que dizia que as condições eram suficientes. E o trágico desfecho nos provou que Celia tinha razão.
Sim, pois o mesmo proprietário do hangar formalizou uma denúncia à Agência Nacional de Aviação Civil da Colômbia. E nada foi feito. Ousaram e abusaram da vida. Quis o destino que uma tragédia acontecesse com outras 70 pessoas. Poderia ser com qualquer um. Foi com a Chapecoense. Foi com jornalistas.
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Não bastasse isso, vimos a asquerosa declaração de Fernando Carvalho, vice-presidente do Internacional. Temos nossa tragédia particular, disse o incompetente dirigente que não foi capaz de traçar um planejamento decente para um time durante sete meses. Autocrítica não existe para este deplorável senhor. O Internacional foi patético durante todo o campeonato e isto é unânime. Adiar a partida atrapalhará os planejamentos da nobre delegação. Por que não falarmos do inexistente planejamento dos meses passados?

O igualmente estúpido Piffero não aguentou e permitiu que o clube que comanda tentasse virar a mesa através do tapetão. O Internacional já soube que não há irregularidades na escalação de Victor Ramos. A determinação e competência que faltaram em campo sobram aos advogados, que sujeitam-se a um trabalho ridículo.
Por fim, o xeque-mate deste ardiloso jogo de xadrez. Jogadores do Internacional vieram a público para externar o desejo de que não haja última rodada. Campeonato paralisado. Interrompido.Os atletas fizeram questão de dizer que pensavam diferente de Fernando Carvalho. Mas o ponto central é o mesmo. Porque a paralisação beneficiará o Internacional. Mas para mitigar o interesse, fizeram questão de dizer que se houver decisão coletiva, jogarão a série B. Mera encenação.A postura dos jogadores parece já mexer com os bastidores da bola. A possibilidade do Náutico conquistar o acesso e caírem apenas três agremiações – Figueirense, Santa Cruz e América-MG – parece ter sido avaliada.

O Internacional dá um espetáculo de hipocrisia.

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E a CBF, representada pelo íntegro Marco Polo Del Nero, que sequer pode viajar para fora do País, se aceitar algum desses caminhos que culminará na salvação ilegal do clube gaúcho, perderá o ínfimo respeito – que respira por aparelhos – ante a nação tupiniquim.

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Em meio ao pântano de hipocrisia e egoísmo, entretanto, uma ressalva: a Conmebol, que também possui um passado recente obscuro e manchado por escândalos de corrupção, teve a nobre atitude de declarar que o título da Sul-Americana será a eterna Chapecoense
André Siqueira Cardoso

Sobre André Siqueira Cardoso

André Siqueira Cardoso já escreveu 313 posts nesse site..

Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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