Heleno de Freitas, a breve história do primeiro craque problema do futebol brasileiro

Ele vestia com amor o manto do Botafogo e da Seleção Brasileira, dentro de campo entortava a zaga adversária e durante sua breve carreira no futebol ficou marcado na história. Muitos torcedores podem associar essa descrição ao Garrincha, o “anjo das pernas tortas”, mas os fatos referem-se a outro grande ídolo do clube de General Severiano. É hora de relembrar a triste trajetória de Heleno de Freitas.

Mineiro de São João de Nepomuceno – MG, nasceu em 12 de fevereiro de 1920. Formado em Direito, nunca exerceu a profissão e foi considerado o primeiro “craque problema” da história do futebol brasileiro. Considerado um gênio dentro de campo, fora das quatro linhas levava a vida no limite. Heleno jogou pouco mais de uma década e faleceu aos 39 anos esquecido em uma casa de saúde em Barbacena – MG. Em toda sua carreira disputou 304 jogos como profissional e marcou 265 gols. Pelo Botafogo foram 233 partidas e 204 gols. Com a Seleção Brasileira balançou a rede apenas 15 vezes.

Um galã problemático

Elegante dentro e fora de campo, inteligente e aguerrido, o jovem sedutor caiu nas graças das meninas e do torcedor Botafoguense. Ao mesmo tempo que era considerado referência pelo futebol, virou sinônimo de problema devido ao temperamento explosivo dentro e fora de campo. Acumulou diversas expulsões e confusões em sua carreira. Perdia a cabeça por muito pouco, por inúmeras vezes chegou a discutir com os próprios companheiros. Ficava fora de si quando alguém o chamava de “Gilda”, apelido que ganhou ao ser comparado com a personagem da atriz americana Rita Hayworth numa referência ao temperamento explosivo, por não suportar a dor da derrota.

1948 – Breve passagem pela Argentina

Após vitoriosos anos pelo Glorioso, o craque foi seduzido por uma milionária proposta do Boca Juniors, não pensou duas vezes e rumou para a equipe de Buenos Aires. Por lá ficou seis meses, jogou 17 partidas e marcou 7 gols. Esteve envolvido em muitas polêmicas, dentre elas, um possível caso com Eva Perón, atriz e líder política na Argentina.

Outros clubes e o início do fim

De volta ao Brasil, Heleno conquistou o primeiro e único título da sua carreira. Atuando pelo Vasco da Gama, marcou 19 gols em 24 partidas e levantou o caneco do Carioca de 1949. Ainda no mesmo ano disputou a Liga Pirata da Colômbia pelo Junior de Barranquilla e por lá ficou até 1950. No mesmo ano atuo pelo Santos e disputou apenas uma partida pelo América. Curiosamente a única partida do craque no Maracanã. O sonho do craque em jogar no maior estádio do mundo terminou quando foi expulso aos 35 minutos do primeiro tempo. Acumulando desavenças e inimigos fora de campo o gênio incompreendido se afundou na bebida e no consumo de drogas e não disputou a copa de 50. Viciado em éter e lança perfume, nem de longe aparentava ser o craque que encantou o Brasil na década de 40.

O fim de uma lenda

Diagnosticado com sífilis, doença que provavelmente contraiu em uma de suas farras, o gênio indomável raramente estava lúcido. Após tentar cometer suicídio, foi internado pela família em um sanatório em Barbacena – MG.

Em 8 de novembro de 1959, faleceu esquecidos por todos e muito pobre. Certa vez Bob Marley disse que “os loucos vivem pouco mas vivem como querem”, frase perfeita que define a trajetória do príncipe maldito, Heleno de Freitas.

Recentemente a vida do craque virou um longa-metragem. Heleno foi interpretado pelo ator Rodrigo Santoro.

Aqui você pode conferir um gol de Heleno atuando pela Seleção Carioca

Fonte: www.imortaisdofutebol.com  e www.terceirotempo.bol.uol.com.br

Fotos: Busca no google

 

BetWarrior


Poliesportiva


Avatar
Wagner Trece
•Carioca, 27 anos. Futuro jornalista que estuda na Universidade Veiga de Almeida.•Colunista na equipe Futebol na Veia desde 2016.•Apaixonado por futebol, principalmente quando assistido na mesa de bar, regado a muita zoação e rivalidade.

    Artigos Relacionados

    Topo