“Haja coração!”: Os acréscimos e o torcedor

A Coluna Dicionário do Futebol dessa semana vem trazer toda emoção que resume os acréscimos. Imagine que o seu time do coração está perdendo a partida por 1 x 0. Nesse sentido, no apagar das luzes, um jogador da equipe mandante joga a bola para fora impedindo a equipe adversária de tentar o ataque ou empate. Logo depois, o árbitro simplesmente encerra a partida. Acha justo? É. Eu também não. Há rumores de que os acréscimos passaram a ser usados no futebol a partir de 1891, num jogo entre Aston VillaStoke City. Em suma, ocorreu o que acabei de descrever, mas como foi exatamente, já é outra história.

Talvez esteja pensando que falar sobre acréscimos no universo do futebol pode não parecer tão interessante assim. O que posso dizer é que não falta apreensão e nervos à flor da pele. Haja coração! Vitória, empate, derrota, lance polêmico, bola na trave, pênalti perdido, técnico xingando o juiz, torcedor eufórico, frio na barriga, êxtase e decepção. Ufa! Tudo isso pode, e geralmente acontece, durante esse “tempo milagroso”. Se pudéssemos fazer um bolo, boa parte desses momentos seriam os nossos ingredientes e não poderiam faltar. Logo, poderíamos, inclusive, apelidá-lo de LOUCURA NOS ACRÉSCIMOS.

OS ACRÉSCIMOS

Os acréscimos marcados pelos árbitros de futebol ao término dos 1º e 2º tempos numa partida de campo tem por objetivo compensar o tempo de jogo parado. Em outras palavras, as substituições, tratamento de lesões; ou mesmo a cera, catimba feita pelo time visitante, gandula, mandante que está perdendo, se dando mal na disputa, competição; tudo que possa interromper o andar do confronto. Ou seja, a depender da situação do jogo, poucos minutos acrescentados à partida podem ser uma E-T-E-R-N-I-D-A-D-E para alguns torcedores ou A ESPERANÇA para outros.

A cada bola alçada na área, o coração de alguns quase sai pela boca. Definitivamente, renderia um emblemático e nostálgico movie assistir, em câmera lenta, uma compilação das diversas expressões, manias e gestos que acontecem somente em uma partida depois que o assistente ergue a plaquinha dos acréscimos. Além disso, alguns players que levaram a pior no confronto ainda falam para o juiz ao fim do confronto: “Professor! Ei! Só cinco?”

HAJA CORAÇÃO!

Por exemplo, os torcedores que presenciaram e assistiram a Brasil x Costa Rica na Copa do Mundo da Rússia em 2018, que o digam! Os Canarinhos pecavam na última bola. Keylor Narvas tinha fechado o gol até então. Tudo parecia que seria aquele mais um empate amargo da seleção na competição, pois ela já tinha empatado com a Suíça por 1 x 1. Contudo, a redenção veio nos ACRÉSCIMOS. Imediatamente, o narrador  Galvão Bueno deve até ter exclamado: “Haja coração!“.

MILAGRE NO APAGAR DAS LUZES

No dia 3 de agosto de 2017, aconteceu um dos jogos mais históricos, malucos e polêmicos na Liga dos Campeões. Era as oitavas de final da temporada 2016/17 na ocasião, Barcelona e Paris Saint Germain (PSG) se enfrentariam pelo jogo de volta da competição. Nesse sentido, na primeira disputa o Les Parisiens deram um chocolate no Culés por 4 x 0 e estavam com um pé nas quartas de finais. O que aconteceu no segundo jogo? Contudo, só para refrescar a memória: muitos gols e uma virada ESPETACULAR dos anfitriões nos ACRÉSCIMOS do 2º tempo com direito a – pasmem! – três gols em apenas sete minutos.

Contudo, você deve estar se perguntando: “Oxe! Disso eu já sei. O que você está querendo dizer?” Pois bem,  o jogo foi muito comentado não somente pela virada heroica do Barça com Neymar se destacando no confronto, como também pelos erros grotescos cometidos pelo árbitro da partida, o alemão Deniz Aytekin. Nesse sentido, as possíveis infrações beneficiaram majoritariamente a equipe mandante, especialmente nos lances de pênalti. Foi o que alegou o PSG em dossiê apresentado à UEFA. Apito amigo? Jogo roubado? Vai saber! Posteriormente, a reclamação não deu em nada, o Barcelona avançou às quartas de final, mas acabou sendo eliminado pela Juventus.

O VAR

Em síntese, o árbitro de vídeo ou VAR (Video Assistant Referee, em inglês) é um juiz assistente que serve para auxiliar o que está apitando a partida através da análise de imagens de vídeo. Sendo assim, o intuito de usar esse recurso nas partidas é procurar encontrar quaisquer erros que possam modificar o resultado de um jogo, seja na confirmação dos gols, aplicações de cartões ou mesmo identificação de jogadores. Qual o impacto da existência do VAR nos acréscimos nos jogos? Todavia, é uma boa pergunta, no qual caberia uma discussão mais aprofundada e estudada.

Muitos amantes da pelota no gramado dizem que se fosse usado o VAR no confronto entre Barça e o PSG, a história do jogo teria sido totalmente diferente. Confesso que concordo. Nada a ver marcar aquele pênalti em cima de Luis Suaréz nos acréscimos. O zagueiro Marquinhos mal encostou no uruguaio e este, simplesmente, desabou no gramado. Erro bizarro! A verdade é que o objetivo da FIFA ao implementar o recurso foi tornar os jogos mais “justos”, mas ainda há muita polêmica. A demora é uma delas.

12º JOGADOR

Não poderíamos terminar esse bate-papo cool sem falar deles. Não acha? O que seria do mundo da bola sem eles, sem nós? Afinal, são tais admiradores que vão lá motivar seu time perto de algum jogo importante; criam comunidades no YouTube e falam sobre os “pernas de pau” que deveriam sair. Quem deveria ser contratado, se o esquadrão deixou a desejar ou não na partida? O porquê disso, o porquê daquilo etc.

Nesse sentido, muito mais do que simples contribuintes que pagam para ir ao estádio, o 12º jogador é que torna o fútbol apaixonante. Em outras palavras, é aquele tempero necessário que deixa a pipoca (o jogo!) tão saboroso, proveitoso. Enfim, o torcedor que é torcedor apoia, cobra! (sem violência). Sofre até nos acréscimos se necessário apoiando seu time do coração, vai do êxtase à decepção, vive o momento, vive os gols. Em suma, futebol é isso e mais um pouco. É um Haja Coração!

Foto destaque: Reprodução/Getty Images

Shelton
Estudante Jornalismo em Alagoas.

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