Diversos jogadores chegam para marcar a história de alguns clubes. E não foi diferente com José María Gutiérrez Hernández. Conhecido como Guti, o ex-meio campista ficou quase 25 anos no Real Madrid, onde brilhou. Por isso, nesta quinta-feira (7), a coluna Navegando pela La Fúria conta a história do maestro dos Galácticos.

O INÍCIO

José María Gutiérrez Hernández nasceu no dia 31 de outubro de 1976. Ele é natural de Torrejón de Ardoz, uma comunidade de Madri. Com 10 anos, seu amor pelo futebol despertou. Assim, em 1986, já começou a atuar pelo Real Madrid. No início, ele era atacante. Contudo, foi para o meio-campo, de onde nunca mais saiu. Dessa forma, o jovem passou pela equipe de Juniores e pelo Castilla – time B do Real -.

Desde novo, o atleta mostrava uma enorme capacidade técnica e uma visão de jogo única. Todos os seus treinadores afirmavam que era um jogador especial. Assim, Guti contou com uma chance dada por Jorge Valdano e fez a sua estreia no time principal em 2 de dezembro de 1995. Na época, ele tinha 17 anos de idade. O jogo foi diante o Sevilla, onde o Real saiu com a vitória, em casa, por 4 x 1. Dessa forma, com nove aparições em campo, o meia terminou a temporada com um gol anotado.

(Foto: Real Madrid CF)

OS PRIMEIROS TÍTULOS

Foi no ano de 1997 onde Guti conquistou os seus primeiros títulos. Assim, ele levantou o troféu do Campeonato Espanhol de 1996/97 e da Supercopa da Espanha. Naquela temporada, foram 17 jogos. No ano seguinte, ajudou o Real Madrid a ser o campeão da Champions League e da Copa Intercontinental. José María chamava tanta atenção que ganhou uma chance na Seleção Espanhola, onde conquistou a Eurocopa Sub-21.

Na temporada de 1999/00, o ano começou mal para o jogador. Com 23 anos, ele teve a grande responsabilidade de substituir Clarence Seddorf em uma partida contra a Real Sociedad. Contudo, foi expulso por chutar um adversário. Esse acontecimento foi recorrente na carreira. Isso porque foi expulso oito vezes durante a La Liga. No mesmo ano, ele conquistou a Champions League, onde marcou seis gols. Já na próxima temporada, Guti teve seu melhor desempenho. Com Fernando Morientes fora, devido uma lesão, ele jogou como atacante e marcou 14 gols.

Meia em mais uma partida pelo Real (Foto: Real Madrid CF)

PRINCIPAL FUNDAMENTO…

Em 2002, Ronaldo chegou ao Real Madrid. Com isso, Hernández voltou para o meio-campo. Logo, seus gols diminuíram. Contudo, marcou pelo seu fundamento: as assistências. Guti mostrou ainda mais a uma visão de jogo impecável e colocava seus companheiros sempre na cara do gol.

Na temporada de 2004/05, ano onde o Real Madrid contava com os Galácticos, Guti só anotou um gol oficial. O tento saiu em um amistoso contra o San Marino, em fevereiro de 2005. Um ano depois, ele somou 43 jogos e seis gols – quatro no Campeonato Espanhol e outros dois pela Liga dos Campeões -.

TURBULÊNCIA

Ramón Calderón foi eleito como presidente do Real Madrid naquele época. Assim, junto dele, veio a promessa de contratar Kaká, que estava no Milan. Com isso, o futuro de Guti se tornou bastante incerto. Dessa forma, foi cravada uma transferência para o rival Atlético de Madrid. Contudo, no final, ele ficou com os Merengues – o brasileiro permanceu na equipe italiana -.

CHAMANDO A RESPONSABILIDADE

Em 2006, Zidane se aposentou. Com isso, Guti era o único meia de criação do Real Madrid. Assim, seus passes e lançamentos ficaram mais em evidência ainda. Uma das partidas que mais marcou as qualidades do meia foi diante o Sevilla, em maio de 2007, que terminou com a vitória dos Merengues por 3 x 2. Na ocasião, o jogador atuou em 32 minutos. Em 2007, o Real foi campeão espanhol pela 30ª vez.

Em 2008, além de ajudar com dois gols e três assistências contra o Real Valladolid, o jogador foi fundamental para a conquista da 31ª La Liga do Real Madrid. Assim, no dia 14 de setembro, Guti marcou o gol de número 5.000 da história do Campeonato Espanhol. Na ocasião, o jogo foi em uma vitória sobre o Numancia, por 4 x 3.

FIM DE UMA ERA…

Com a chegada de Kaká e Cristiano RonaldoGuti foi perdendo o espaço como titular. Mesmo assim, ainda na temporada de 2009/10, o meia conseguiu duas vitórias pela La Liga. Contudo, no final de outubro, em uma partida pela Copa do Rei, ele teria insultado o técnico Manuel Pellegrini. O ato fez com quem ele fosse afastado da equipe por um longo tempo. Mesmo sendo reintegrado, sofreu com algumas lesão. Contudo, com Kaká também com problemas físicos, Guti foi titular até o final da temporada.

Guti e Kaká
Guti e Kaká (Foto: Manu Fernandez/AP)

Em 25 de julho de 2010, os madrilenos tiveram um dos dias mais tristes. Depois de quase 25 anos de Real Madrid, Guti deixou o clube. Ele fechou um contrato de dois anos com o Besiktas, da Turquia. Pelo clube, foi campeão da Copa da Turquia. Na equipe também teve problemas com o técnico, tendo rescindindo seu contrato em 2011.

TÉCNICO

Depois de algum tempo sem entrar dentro dos gramados, o inesquecível Guti voltou ao Real Madrid. Assim, retornou para onde começou: treinou os juniores da equipe. Lá chegou em 2013, ficando até 2018. Deixou o time para ser auxiliar técnico de outro conhecido, o Besiktas. Contudo, em 2019, foi comandar o Almería, onde está até agora.

Guti
Guti no Almería (Foto: Marca)

CARACTERÍSTICAS INESQUECÍVEIS

Apesar de ter começado como atacante, é inesquecível esquecer a habilidade de Guti como meia. Ele ficou conhecido por sua grande visão, versatilidade, técnica, criatividade e precisão no passe. Além disso, marcou a carreira por distribuir diversas assistências. Foi um meia clássico, no melhor estilo camisa 10 – a sua função favorita.

Foto destaque: Divulgação/Real Madrid CF

Lauren Berger
Lauren Berger
Lauren Berger, gaúcha e apaixonada por futebol. Cresci vendo grandes nomes do Brasil em campo e um sentimento especial cresceu em mim. Vi Ronaldinho Gaúcho, Fernandão, Cristiano Ronaldo, Iniesta e foi amor à primeira partida. Estudo na Universidade Luterana do Brasil-RS.

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