Gustavo Costas: a personificação do Racing

No dia 28 de fevereiro de 1963, em Buenos Aires, nasceria um jogador que entraria para o panteão dos imortais de Avellaneda. Nesse sentido, Gustavo Adolfo Costas Makeira foi o atleta que mais atuou com a camisa de La Academia, em 337 jogos. Sendo assim, a 3 vai destacar a importância de Gustavo Costas para a história do clube argentino.

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Gustavo Costas não foi somente um jogador que marcou história pelo Racing. Além de atuar pelas quatro linhas, também torcia para o clube desde a infância. A saber, Costas foi mascote da histórica Equipo de José, elenco do técnico Juan José Pizzuti. Sendo assim, a equipe foi a primeira da Argentina a vencer a Copa Intercontinental, em 1967.

Foi em 1982 que o menino de 19 anos conquistaria o torcedor da Academia. Logo, Costas jogava de zagueiro, e mesmo não esbanjando um primor técnico, entregava o coração e dedicação pelo time. Portanto, após jogar seis partidas, o garoto já receberia a braçadeira de capitão da equipe.

A QUEDA PARA A SEGUNDONA

O torcedor do Racing foi se acostumando a tristes acontecimentos ao longo dos anos. Em 1983, sob o mesmo comando de José Pizutti, a equipe de Avellaneda foi rebaixada para a segunda divisão. Em outras palavras, uma manobra foi feita para evitar novo rebaixamento de um clube grande, após a queda do San Lorenzo em 1981. Sendo assim, foi instituído o sistema de promedios, que usava a média de pontos da atual temporada com a anterior para rebaixar os clubes.

Nesse sentido, os promedios salvaram o River Plate e prejudicaram o Racing. O rebaixamento foi decretado após a derrota para o Racing de Córdoba, a uma rodada do fim do Torneio Metropolitano de 1983. Além disso, o torcedor da Academia foi obrigado a ver o rival Independiente vencer seu clube e ser campeão do torneio.

“Não quero me lembrar o que foi isso. Os que éramos torcedores do Racing, de coração, choramos muito, e juramos mudar a história como fosse”, declarou Gustavo Costas.

O ACESSO À ELITE

Após permanecer na segunda divisão em 1984, o Racing conseguiria o acesso em 1985. Além disso, um dos principais responsáveis para o retorno à elite seria Gustavo Costas. Na semifinal do octagonal, os Alvicelestes venceram o Quilmes por 2 x 0, com um dos gols sendo marcados por Costitas. Em seguida, na final dos playoffs, a equipe de Avellaneda venceu o Atlanta, com um 4 x 0 e 1 x 1, garantindo o acesso para a primeira divisão argentina.

O RENASCIMENTO DO RACING

A campanha na volta à elite foi motivo de orgulho para os torcedores. Ou seja, o Racing terminou a competição a cinco pontos do campeão Central, e a sete do Newell's Old Boys, que seria o vencedor do campeonato seguinte. Na reta final da temporada de 1988, o Blanquiceleste disputava a primeira Supercopa Libertadores, torneio que reunia somente os campeões de La Copa. O Racing viu nessa competição a chance de quebrar o jejum de títulos e voltar a ser protagonista.

Nesse sentido, o clube argentino foi campeão da Supercopa, deixando para trás equipes como Santos, River Plate e Cruzeiro. Porém, Costas não foi o primeiro a levantar taça. “Em 1988, dei a braçadeira ao Fillol (que retornava ao clube), ele era um monstro…”, disse o jogador na época.

Gustavo Costas: a personificação do Racing
Equipe campeã da Supercopa de 1988 (foto: Futebol Portenho)

A SAÍDA DE COSTAS

Logo depois, na temporada 1988-89 o Racing terminou o primeiro turno do Campeonato Argentino na liderança. Entretanto, após um acidente, onde um rojão acertou o goleiro da Academia Montoya, em partida contra o Boca Juniors, a justiça deu os três pontos do jogo para a equipe Azul y Oro. Em seguida, La Acadé fez um péssimo segundo turno de apenas três vitórias, terminando em 9º lugar. Em seguida, Gustavo Costas acertou sua transferência para o Locarno, da Suíça.

Costas retornou à Avellaneda em 1992 para jogar a final da Supercopa contra o Cruzeiro. Porém, os mineiros levaram a melhor e venceram o confronto por 4 x 0. O clube argentino seguiu lutando para dar alegria aos seus torcedores. No Apertura de 1993, a equipe se viu na briga pelo título mais uma vez. Entretanto, o Racing, que estava a um ponto do River Plate faltando duas rodadas para terminar a competição, foi goleado pelo Boca por 6 x 0. Dessa forma, a Academia venceu a última contra o Estudiantes, mas não adiantou. O River foi campeão.

A VINGANÇA CONTRA O BOCA

Gustavo Costas permaneceu no Racing por mais dois anos, tempo suficiente para vencer um adversário entalado na sua garganta. Dessa forma, no Apertura de 1995, o Boca Juniors estava turbinado com a volta de Maradona e a chegada de Caniggia. Líder invicto na competição, os Bosteros receberam a equipe de Avellaneda pela 16ª rodada do campeonato. Porém, naquele jogo na Bombonera, os donos da casa perderam por 6 x 4, chegando a tomar três gols com 10 minutos de primeiro tempo.

A saber, o Boca só conseguiu mais um ponto nas últimas duas rodadas, terminando em 4º lugar no Apertura. Por outro lado, o Racing, embalado pelo trio Rubén Capria, Claudio López e Marcelo Delgado, quase levou a taça. La Academia precisava vencer o Colón e torcer por um tropeço do Vélez Sarsfield contra o rival Independiente. Sendo assim, o Racing venceu por 3 x 0 em Avellaneda, mas viu os Fortíneros levarem a taça, após vencerem os Rojos por 5 x 1.

A DESPEDIDA DE AVELLANEDA

Após conseguir superar a marca do ex-goleiro Agustin Cejas de jogador com mais partidas pelo clube argentino com 337 jogos, Gustavo Costas teve que dar adeus ao Racing. Logo, em 1996, o jogador não estava sendo aproveitado pelo técnico Miguel Brindisi, e decidiu sair do clube para jogar no Arsenal de Sarandi na segunda divisão. Sendo assim, Costas atuou por dois anos com a camisa do Arsenal, até decidir encerrar sua carreira no Gimnasia Y Esgrima de Jujuy.

Apaixonado pelo clube argentino, Gustavo Costas virou treinador e regressou ao Racing para trabalhar na beira do campo em 1999 e 2007. Entretanto, os trabalhos não foram tão satisfatórios, tendo em vista que o clube flertou com o rebaixamento durante esses anos. Atualmente, Costas tem 57 anos e é treinador do Guaraní. Nessa função, acumula passagens por Nacional, do Peru, Alianza Lima, Cerro Porteño e Barcelona, do Equador.

Gustavo Costas: a personificação do Racing
Gustavo Costas atuando como técnico do Guaraní (foto: Jorge Adorno/Reuters)

Foto Destaque: Reprodução/Wikipedia

Bismark Alves
Escolhi jornalismo porque sempre gostei de escrever, e muita gente me aconselhou essa área. E como sou apaixonado por futebol decidi juntar os dois e buscar minha vida profissional no jornalismo.

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