Copa América

Após a desistência de Colômbia e Argentina, a CONMEBOL escolheu o Brasil como sede da Copa América 2021. A entidade divulgou o anúncio na manhã desta segunda-feira (21). No entanto, a decisão que contou com aval do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e da CBF gerou muito controvérsia. Já que grande parte da população e governos estaduais não concordam com a realização do evento.

Sendo assim, no início da noite o Ministro-chefe da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, falou sobre a situação: “Ainda não tem nada certo sobre a realização da Copa América no Brasil. O governo está fazendo esforços para atender as demandas da CBF”, declarou. Segundo o Ministro, irão tomar a decisão final nesta terça-feira (1º). “Ainda não tem nada certo, quero pontuar de forma bem clara. Estamos no meio do processo. Mas não vamos nos furtar a uma demanda, caso seja possível de atender”, declarou Ramos.

Reação dos governadores com a Copa América 2021 no Brasil

Em suma, alguns governadores de estados brasileiros não receberam bem a notícia. Aliás, já deixaram claro que não vão ceder estádios para a realização dos jogos, que é o caso dos governos de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Contudo, outros como São Paulo, Bahia e Amazonas aceitaram participar, mas exigem que protocolos sanitários locais sejam seguidos. Mato Grosso se mostrou a favor.

Repercussão nacional

Com toda a certeza muitas pessoas são contra a realização da Copa América 2021 no Brasil. Isso ficou claro ao longo do dia com diversas manifestações criticando a decisão da CONMEBOL e do governo federal. Nesse ínterim, até criaram memes, como o mascote “Cloroquito”, que faz referência a Cloroquina, remédio que não tem eficácia comprovada contra o Covid- 19, mas que foi amplamente defendida pelo governo brasileiro ao longo da pandemia.

Além disso, personalidades envolvidas com futebol também se manisfestaram. Por exemplo, o narrador esportivo Luís Roberto fez fortes criticas à decisão esta tarde durante o programa Seleção SporTV, na TV fechada. Para ele, o torneio continental ser realizado no Brasil neste momento “é um tapa na cara dos brasileiros.” O jornalista de 60 anos disse ainda que “a coletividade do futebol e do esporte não podem aceitar essa decisão.”

Por fim, a polêmica entrou de vez no campo político. Posto que, o vice-presidente da CPI da Covid, senador Randolfe Rodrigues, apresentou um requerimento para que o colegiado convoque o presidente da CBF, Rogério Caboclo, para explicar o aval dado à CONMEBOL para a Copa América no Brasil.

Opiniões de especialistas

Especialistas no assunto avaliaram que não é o momento de realizar o evento no Brasil. Em síntese, eles alegam que riscos incluem o aumento de viagens dentro do país, importação de novas variantes e aumento da taxa de contágio. A médica Lucia Pellanda, professora de epidemiologia e reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), lembrou de outro ponto:

Não é o momento, quando o país enfrenta o risco de terceira onda. Há um simbolismo muito forte. Precisamos de uma campanha de comunicação para engajamento de toda a sociedade. Quando ídolos e pessoas que a população admira estão vivendo a vida ‘normal', sem máscaras, desrespeitando regras, isso tem um impacto muito grande. Precisamos de ajuda de todos os setores agora”, afirmou a pesquisadora ao portal G1.

O epidemiologista Pedro Hallal, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), disse que a decisão é temerária. Ele também lembrou da situação da vacinação no Brasil.

“Eu achei uma decisão muito temerária. Tem outros países aqui da América do Sul que estão com a vacinação muito mais avançada e com a pandemia muito mais controlada – o Chile, óbvio, que é o exemplo mais fácil de dar. Então, fica estranho de entender de onde que vem essa decisão”, concluiu.

Foto destaque: Divulgação/Carl de Souza/AFP

Carlos Soares
Além da enorme paixão pelo esporte, eu sempre tive facilidade com a comunicação no geral. É uma habilidade que me destaca em qualquer ambiente que esteja. O desejo de fazer jornalismo surgiu devido a vontade de fazer com que essa aptidão possa me proporcionar grandes desafios em minha carreira profissional, principalmente na área esportiva. Ao ingressar na faculdade e estagiar na área, descobri diversas abordagens diferentes que o jornalismo pode ter e a quantidade de histórias que estão esperando para serem contatadas. O que fez eu me interessar ainda mais pela profissão e querer desempenhar um fazer jornalístico objetivo e de qualidade.