“Gostaria que o futebol feminino no Uruguai fosse profissional”, diz Fernanda Tenório

- Na segunda parte da entrevista com a atacante, foi destacado o futebol feminino no país charrúa
Profissionalização Futebol Feminino Uruguai

Fernanda Tenório, atleta do Danubio-URU, concedeu entrevista ao Futebol na Veia falando sobre seu começo de carreira. Agora, na parte dois do bate-papo, a atleta comentou sobre a situação do futebol feminino no Uruguai. Antes de mais nada, é preciso saber que no país apenas o futebol masculino é profissionalizado, por isso as jogadoras não conseguem viver de futebol, ainda. Além disso, discutiu sobre a importância da visibilidade do esporte no meio feminino.

No Uruguai, o futebol masculino é um dos principais da América do Sul, e falando na seleção, a celeste é uma grande potência mundial. Craques como Cavani, Luis Suárez, Godín e o ex-jogador Forlán, fizeram e fazem história em times de grande expressão da Europa. Por outro lado, as jogadoras femininas são pouco conhecidas, da leva atual, Esperanza Pizarro de 19 anos, é a esperança para essa geração. Mas mesmo assim, o futebol feminino está se desenvolvendo a cada dia.

“O futebol feminino vem crescendo pouco a pouco em todas as áreas. O nível de profissionais no futebol feminino aumentou em muitas jogadoras e também da equipe técnica,e de tudo o que é necessário para levar as grandes equipes a um ótimo desempenho. A importância que está sendo dada é maior. Portanto, estamos crescendo devagar, talvez um pouco mais devagar que outros países, mas pouco a pouco grandes coisas são realizadas.”, comentou Fernanda

Fernanda Tenório - Danubio
Fernanda Tenório- Danubio/ Acervo Pessoal

PROFISSIONALIZAÇÃO

Não é muita surpresa que o futebol feminino nos países sul-americanos não têm apoio e investimentos de peso como no masculino. Apesar disso, alguns países do continente detêm certa visibilidade no cenário mundial, como Brasil e Argentina. A Seleção Feminina Uruguaia, jamais disputou uma Copa do Mundo, enquanto a masculina é bicampeã do mundo.

Como dito anteriormente, no Uruguai, o feminino não é profissional, mas a busca por essa profissionalização já está entrando em prática. No começo deste ano, um dos times mais tradicionais do país, o Nacional profissionalizou pela primeira vez o contrato de três jogadoras do time, entre elas, Esperanza Pizarro, jogadora da Seleção Sub-20.  Porém, foi a única equipe a fazê-lo, por enquanto. Mesmo assim, está longe do ideal, e do que merece o futebol no país.

Mas, se a elite feminina ainda precisa caminhar bastante para ter espaço, nem precisa dizer a 2ª Divisão. Não possuem profissionais qualificados, equipamentos e nem campos com medidas indicadas para treinar. Fernanda contou que em seu clube, Danubio, as coisas melhoram muito em relação ao passado. Apesar disso, também não são profissionais e recebem um vale-transporte do clube.

A FIFA E OS TIMES FEMININOS

Em 2018, a FIFA determinou como requisito para a disputa da Libertadores, que os times tenham clubes femininos. Questionada sobre a gestão da AUF sobre essa decisão, a atleta do Danubio respondeu:

“Os próprios times iniciaram uma campanha para reunir os times de futebol feminino. Também tem sido um pouco desafiador para eles e para os jogadoras, já que muitas das equipes não apoiam o futebol feminino. As equipes femininas apenas existem para os homens poderem jogar as copas internacionais. E nós jogadoras, também nos pusemos em campanha para que todos os requisitos para manter e realizar um time de futebol sejam respeitados.”

Em relação às diferenças entre os Campeonatos Uruguaios Masculinos e Femininos, o ponto principal debatido pela entrevistada foi a forma como os jogadores são tratados. Desde os juvenis, os homens tem um desenvolvimento melhor e são mais preparados, pelo fato de terem mais apoios e investimentos. Assim, quando chegam ao time profissional tem a possibilidade de viver apenas do futebol. Já as mulheres precisam trabalhar, estudar ou fazer alguma coisa para se manterem paralelamente ao futebol.

TREINAMENTO NA QUARENTENA

Da mesma forma que a maioria dos campeonatos do mundo, o Uruguaio também foi paralisado por causa da pandemia de Coronavírus. Dito isso, todos tiveram que adaptar os treinamentos em casa, e não foi diferente com o Danubio. Fernanda Tenório nos contou que o seu clube envia as rotinas de treinamento para ela e as companheiras, e em um dia da semana, se reúnem por videoconferência para treinarem juntas. Ademais, a atacante tem um profissional que manda exercícios específicos, nos quais ela mescla com os enviados pelo clube.

https://twitter.com/DanubioFemenino/status/1252391806358089735?s=20

FUTURO DO FUTEBOL NO URUGUAI

Ao final, Fernanda disse o que ela gostaria que fosse falado no futuro sobre o futebol feminino uruguaio:

“Gostaria que o futebol feminino no Uruguai fosse profissional, onde todos os clubes têm as condições necessárias para que as mulheres desenvolvam sua capacidade neste esporte. Para que todas essas mulheres e meninas que querem jogar futebol que podem, e que não têm diferença. E que as mulheres podem viver do futebol, assim como os homens, e que o Uruguai venceu a Copa do Mundo Feminina”

Foto destaque: Facebook/Fer Tenorio Piriz

Mariana Dias

Sobre Mariana Dias

Mariana Tolentino Dias já escreveu 135 posts nesse site..

Meu nome é Mariana Tolentino Dias, sou goiana, tenho 20 anos e curso Jornalismo na PUC-GO. Não me vejo fazendo outra área a não ser o esportivo. Futebol e NBA são minhas paixões. Torcedora roxa do Goiás Esporte Clube e do Houston Rockets

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