Futebol Brasileiro: Rebaixado de mercado secundário à terciário?

O retrocesso na economia brasileira finalmente atinge o futebol. Não é de hoje que exportamos nossos jogadores e técnicos para Ásia e Oriente Médio, porém nunca os principais craques dos maiores clubes do país, algo que vem ocorrendo desde o final de 2014, antes com proporções moderadas e agora de uma forma preocupante. Os chineses, principais responsáveis pelas últimas grandes aquisições no futebol brasileiro, oferecem ao atleta um salário de três a quatro vezes maior que o atual e atam as duas mãos dos clubes, que nada podem fazer ante a situação.

Contando com mais de 1,4 bilhão de habitantes e segunda melhor economia do mundo, a China possui o ambicioso projeto de implantar o gosto por futebol na população, fomentando principalmente a prática do esporte pelas crianças e a ida aos estádios de futebol espalhados pelo país. Idealizado pelo presidente do país (e amante de futebol) Xi Jinping, o projeto conta com incentivo fiscal às empresas, que são as proprietárias de 90% dos clubes chineses. O Guangzhou Evergrande, time de Felipão, Ricardo Goulart e Paulinho, por exemplo, pertence á Evergrande Group, empresa do ramo de mineração, e o Shandong Luneng, clube que quer contratar o zagueiro Gil e o meia Lucas Lima, pertence ao Grupo Shandong, principal fornecedor de energia elétrica chinesa.

O mérito de defender a Seleção Brasileira parece não mais influenciar o julgo dos atletas, visto que muitos preferem jogar na Ásia ao invés de atuarem em solo brasileiro para continuar sendo lembrados por Dunga. Exemplo deste caso é o meia Renato Augusto, melhor jogador do último Campeonato Brasileiro e convocado para defender o Brasil contra o Peru, pela última rodada das eliminatórias. Agora em solo chinês, dificilmente o meia Ex Corinthians continuará defendendo a seleção canarinho, situação idêntica vivenciada por Ricardo Goulart e Diego Tardelli, que optaram por trocar Cruzeiro e Atlético-MG, respectivamente, para jogarem na China, e que não mais voltaram a figurar nas convocações.

Veja a lista de grandes atletas que recentemente trocaram o futebol brasileiro pela Ásia/Oriente Médio:

Everton Ribeiro

O canhoto Ex Cruzeiro trocou a Raposa e a Seleção Brasileira pelo Al-Ahli (Emirados Árabes). Éverton, então recém-eleito craque do Brasileirão 2014 (que também o conquistou em 2013), foi para o oriente médio para receber cerca de R$ 1,2 milhões por mês, o triplo de seu salário no Cruzeiro.

Ricardo Goulart

Parceiro de Éverton na Raposa em uma das melhores duplas de meias dos últimos tempos, Ricardo também abriu da mão do Cruzeiro e da Seleção Brasileira para atuar no Guangzhou Evergrande, com vencimentos de R$ 1,5 milhão mensais.

Diego Tardelli

No início de 2015, o então centroavante do Atlético-MG causou enorme polêmica ao trocar o Galo pelo Shandong Luneng, para receber mais de 1,6 milhão por mês.

Robinho

Em junho de 2015, o rei das pedaladas teve seu empréstimo junto ao Santos expirado, e enquanto o clube preparava uma oferta para adquiri-lo, o atacante foi rapidamente contratado pelo Guangzhou Evergrande, causando a ira dos torcedores e dirigentes santistas. No futebol chinês, Robinho ganha em torno de R$ 2 milhões por mês, o quádruplo de seu salário anterior.

Renato Augusto

Melhor jogador do último campeonato brasileiro, Renato Augusto recebeu, em suas palavras, “oferta irrecusável” do Beijing Guoan, de cerca de R$ 2,2 milhões em salários mensais, trocando o Corinthians pela China.

Jadson

Negociado duas semanas antes de Renato Augusto, o Ex camisa 10 alvinegro recebeu proposta do Tianjin Songjiang de R$ 1,9 milhões por mês, e a aceitou sem hesitação.

Não-Jogadores recentemente negociados com a China:

Mano Menezes

Após excelente trabalho de recuperação no Cruzeiro, onde tirou o clube da zona de rebaixamento e o colocou no 7º lugar do Brasileirão, Mano foi mais um a ser seduzido pelos altos salários da Ásia, recebendo no Shandong Luneng, seu time atual, cerca de R$ 2 milhões.

Bruno Mazzioti

O fisioterapeuta, tido como melhor profissional da área no país, deixou o Corinthians rumo ao Shandong Luneng, novo time de Mano Menezes. Mazziotti tem em seu currículo a recuperação de atletas com histórico de lesões recorrentes como Ronaldo, Alexandre Pato e Renato Augusto. Com ele á frente do departamento de fisiologia, o Corinthians teve apenas 22 lesões em 2015 (a média de um clube de Série A é de 45 lesões por ano).

Muito por conta de um processo sócio-histórico além de econômico, o futebol brasileiro forma atletas para atuarem nos grandes centros europeus. Agora, as cifras da China estão rebaixando nosso mercado de segundo para terceiro lugar na cadeia do futebol internacional, com um êxodo sem precedentes de jogadores de ponta do Brasil para a Ásia. O único absurdo da história é sugerir que o fim deste processo esteja próximo.

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Sobre Vinícius Deguar

Vinícius Deguar já escreveu 26 posts nesse site..

Jornalista de 23 anos e estudante de Comunicação Social na UNG/SP, escrevo para o Site Futebol na Veia desde novembro de 2015 e sou especializado no núcleo do futebol paulista, cobrindo principalmente o cotidiano dos quatro grandes do estado de São Paulo. Aprendi como um time deve jogar bola vendo o Barcelona holandês-catalão de Cruiff, Rijkaard, Davids, Overmars e cia. limitada. Possuo o futebol em minhas veias desde criança. Contato: viniciusdeguar@aim.com

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Vinícius Deguar
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