França x Estados Unidos: o talento e a representatividade ganharam

Muito se fala sobre a grande paixão sobre o futebol. Contudo, inúmeras vezes a modalidade feminina é desconsiderada, perde relevância ou até mesmo sofre grande discriminação. No ano de 2019, o mundo se deparou com um grande feito: a Copa do Mundo Feminina foi televisionada no Brasil pela primeira vez na história. Considerada a Copa da visibilidade, o torneio conseguiu mostrar a habilidade e talento que as mulheres carregam consigo, junto com o brilho do esporte. Sediada na França, a competição contou com o confronto entre Estados Unidos e as anfitriãs nas quartas de final. Por isso, a coluna Marcas da Copa relembra a grande partida entre duas excelentes equipes.

A PREPARAÇÃO

As duas seleções estavam brilhando na competição até o momento. O jogo aconteceu no estádio Parc de Princes, em Paris, em uma sexta-feira, dia 28 de junho, extremamente quente. Com casa cheia, França e Estados Unidos tentavam avançar para as semifinais, buscando uma maior aproximação ainda da grande final. O duelo marcava o encontro das duas equipes favoritas, tendo um ar de final antecipada.

As francesas chegaram após eliminarem a Seleção Brasileira. Além disso, tinham mandado a Coreia do Sul, a Noruega e a Nigéria para casa antes. Com isso, agregado ao fato de serem as grandes anfitriãs da competição, tinham uma pompa maior. Mesmo sem desfalques, as jogadoras, treinadas por Corinne Diacre chegavam cansadas, pois seu jogo anterior, diante as brasileiras, foi decidido na prorrogação.

França x Estados Unidos: o talento e a representatividade ganharam
Seleção Francesa (Foto: Getty Images)

Enquanto isso, a Seleção dos Estados Unidos, que ganhou a Copa do Mundo Feminina de 2015, tentava manter o título, alcançando o bicampeonato. Dessa maneira, as norte-americanas já haviam vencido a Tailândia, o Chile, a Suécia. Além disso, tinham eliminado a Espanha. Megan Rapinoe e Alex Morgan eram os principais nomes da equipe. Enquanto a primeira era a artilheira do time, a segunda era a capitã no duelo.

França x Estados Unidos: o talento e a representatividade ganharam
Seleção dos Estados Unidos (Foto: Christian Hartmann/Reuters)

O CONFRONTO

O palco estava montado e contava com casa cheia. O mundo parou para ver aquele confronto que prometia muito show com a bola, provando que o futebol feminino carrega consigo grande qualidade. Enquanto a França chegou com a domínio e posse de bola, os Estados Unidos mostrou a sua frieza e brilhantismo. 

PRIMEIRO TEMPO

Mesmo não estando com a braçadeira de capitã, Megan Rapinoe chamou para si a responsabilidade. Foram precisos apenas quatro minutos para a norte-americana abrir o placar. A jogadora bateu falta com a esquerda. A bola passou por todas e entrou, balançando as redes pela primeira vez no confronto. As francesas assustaram aos 12′. Majri cruzou da esquerda, e Le Sommer apareceu para cabecear quase na marca do pênalti. A bola, porém, saiu fraca.

França x Estados Unidos: o talento e a representatividade ganharam
Rapinoe comemorando o gol marcado (Foto: Reuters)

Se engana quem pensa que a França parou por aí. Aos 17′, Diani foi lançada pela direita, deu um belíssimo drible em Dunn e cruzou. As zagueiras norte-americanas apareceram e afastaram, contudo Henry pegou e chutou, mas a bola foi por cima do gol. As anfitriãs estavam ‘on fire' e continuaram colocando pressão. Dessa forma, aos 32 minutos, Thiney bateu escanteio da direita. Henry apareceu para cabecear, mas foi novamente por cima. Logo, o show teve uma pausa, com o jogo foi para o intervalo.

SEGUNDO TEMPO

Com os Estados Unidos mais recuados e a França nervosa, as estrelas da noite voltaram para dar sequência ao espetáculo. E, como sempre, não fizeram feio. Ainda não havia sequer completado um minuto quando as norte-americanas assustaram. Mewis chutou da entrada da área, e Bouhaddi, a muralha francesa, espalmou. Heath, no rebote, bateu fechado. Novamente a arqueira francesa salvou.

A resposta aconteceu aos 12′. Torrent cruzou da direita, com a bola indo em direção. Naeher não conseguiu pegar. No entanto, Le Sommer dominou, chutando para fora. Seis minutos depois, as francesas apareceram de novo. Henry lançou Gauvin na área, que venceu a marcação e cabeceou colocado. Mas a goleira da Seleção Norte-Americana fez uma ótima defesa.

Rapinoe apareceu aos 19′, focada em aumentar a vantagem das atuais campeãs – e conseguiu -. Alex Morgan deu um excelente passe para Heath. A jogadora cruzou rasteiro, e a artilheira, livre e desimpedida, finalizou, não dando chances para a goleiro Bouhaddi. Um terceiro tento das norte-americanas quase foi marcado aos 29 minutos. Dunn cruzou para Heath, que mandou para o gol vazio. A arbitragem, porém, assinalou impedimento.

Aos 35 minutos, as francesas conseguiram o que tanto queriam: anotar o seu gol! Thiney bateu uma falta na área. Assim, Renard subiu livre para cabecear e marcar o tento das anfitriãs, levando a torcida ao delírio. Entretanto, mesmo com a vantagem diminuída, o gol não foi suficiente para classificar a Seleção da França, que foi eliminada pelos Estados Unidos por 2 x 1.

REPRESENTATIVIDADE E TALENTO

A Copa do Mundo Feminina de 2019, que teve maior visibilidade naquele ano, conseguiu mostrar para inúmeras pessoas algo que ainda não havia se tornado claro: o futebol feminino tem sim uma grande qualidade. O tabu de que o esporte é coisa de homem teve mais um pedaço quebrado a cada jogo disputado na França. Inúmeros e gigantes talentos foram demonstrados através das quatro linhas.

Esperamos que o abismo existente entre o futebol feminino e masculino se diminua ainda mais, que se torne nulo, inexistente. Que a modalidade feminina tenha cada vez mais suporte, apreciadores e apaixonados. E que o machismo e todos esses valores que vêm do passado fiquem realmente no passado. E que, por fim, o respeito – algo que deveria haver desde os primórdios – se torne completamente recorrente. RESPEITA AS MINA!

Foto destaque: Reprodução/US Soccer

 

Lauren Berger
Lauren Berger, gaúcha e apaixonada por futebol. Cresci vendo grandes nomes do Brasil em campo e um sentimento especial cresceu em mim. Vi Ronaldinho Gaúcho, Fernandão, Cristiano Ronaldo, Iniesta e foi amor à primeira partida. Estudo na Universidade Luterana do Brasil-RS.

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