Flávio Valêncio

A princípio, a coluna Lado B do Futebol, segue trazendo toda terça-feira uma entrevista exclusiva com jogadores que atuam em países intrigantes e exóticos. Entretanto, hoje iremos relembrar o passado, trazendo uma conversa com um ex-jogador de futebol que teve passagem em alguns clubes como: Grêmio-Barueri, Neftchi, Chapecoense e CRB.

Portanto, lhe apresentamos Flávio Alex Valêncio, mais conhecido como Flavinho, 36 anos e natural de Jardim, município localizado em Mato Grosso do Sul. Nessa primeira parte da entrevista, o jogador comentou sobre os tempos de base, seus grandes ídolos do futebol e a ida para o Azerbaijão.

CARREIRA E INSPIRAÇÕES

Primordialmente, Flávio iniciou cedo nas quatro linhas e encontrou logo os desafios atrelados ao mundo da bola. O mesmo disse que seu tempo de base foi difícil, visto que o futebol no Mato Grosso do Sul (MS), não é muito visto e valorizado. Também comentou que nessa época, teve poucas oportunidades e chances, e que o clube que jogava disputava poucos campeonatos.

“Eu disputei uma copinha, taça São Paulo, e disputei um torneio de clubes de estados, que foi no parana, e desse campeonato saiu convocações para a seleção sub-20, e eu tive a sorte de ser convocado uma vez, mesmo jogando la em Mato Grosso, foi o auge da minha base essa convocação pra seleção brasileira. Me deu bastante visibilidade e noção do que era o futebol fora de lá.”, contou Flávio

Sobre os grandes ídolos, Flavinho relembrou o momento explosivo que presenciou de Ronaldo Nazário e Ronaldinho Gaúcho. Quando criança seus olhos brilhavam para Bebeto, Romário, Giovanni, e depois Diego e Robinho. Contudo, reiterou que suas maiores fontes de inspiração foram realmente Fenômeno e o Bruxo.

AZERBAIJÃO

No ano de 2010, o então Grêmio-Barueri, onde o atleta atuava, mudou de sede e se tornou Grêmio-Prudente. Nesse meio tempo, o time estava disputando o Campeonato Brasileiro. Logo, o presidente, o técnico e o treinador do Netchi, um clube sediado na cidade de Baku, capital do Azerbaijão, vieram ao Brasil à procura de possíveis contratações. Assim, gostaram da performance de Flávio nos campos e propuseram uma negociação, então, o jogador aceitou e deixou o clube paulista no meio da temporada rumo ao clube Alvinegro.

O Azerbaijão fica situado entre a Ásia Central, a Europa e o Oriente Médio. No ano de 1918, o país declarou sua independência, já que estava sob o domínio da Rússia. Entretanto, dois anos depois, a União Soviética no auge de sua formação, invadiu o território e o tomou. Contudo, em 1936, tornou-se uma república soviética separada, dando pequenos passos rumo à liberdade. Dessa forma, com o colapso da URSS, em 1991, finalmente o país pode declarar-se independente novamente.

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PING-PONG COM FLÁVIO

Como foi a sua adaptação ao Azerbaijão?

“O Azerbaijão em si, já foi bem curioso, porque eu não conhecia, nunca tinha ouvido falar. Até achava que era um país de guerra, fiquei super receoso. Mas foi completamente diferente, a minha adaptação foi super tranquila, as pessoas me trataram muito bem, eu gostei de cara do país. O futebol estava alavancando e o país também, o desejo do Azerbaijão é se tornar uma segunda Dubai, eles desejam ser um país turístico, mesmo o forte sendo o petróleo. A comida é bem diferente, a língua a gente tinha um tradutor que ele falava um “portunhol”, então facilitou. A maior dificuldade para mim, foi a cultura, eles ainda são muito fechados para o estrangeiro, mesmo sendo o último país da Europa. No clube não, as pessoas que você trabalha e convive, eles te tratam super bem, como família. Mas o país para você sair, shopping, restaurante, mercado… as pessoas te olham diferente. No fim, meus anos foram maravilhosos, sou muito grato, não tenho nada a reclamar. Tudo que eu vivi lá, eu tirei como lição para a minha vida.”

Como é o futebol por lá? Existe muita diferença para o futebol brasileiro?

“O futebol do Azerbaijão é bem diferente do brasileiro, eles tentam manter o padrão europeu, que é jogar com 4-3-3, é mais parte física, mais velocidade, e menos técnica. Eles marcam muito, e tem menos dribles, menos jogadas individuais, menos lances bonitos, é um jogo mais truncado. Isso também me ajudou bastante porque o meu tipo de jogo, era o jogo de drible, de fazer um 2, de jogada individual. Como tinham poucos jogadores assim, logo que eu cheguei eu comecei a me destacar por isso.”

Como foi jogar a Europe League e Champions League? Tem alguma recordação impactante?

“Jogar a Liga Europa, foi o auge da minha carreira, mesmo eu jogando quatro Campeonatos Brasileiros. Enfrentar a Inter de Milão, no estádio na Itália, foi o que mais me impactou, vivi aquele momento que nem imaginava chegar. Quando eu fui para o Azerbaijão, eu sabia que eles tinham um calendário europeu, mas eu sabia que era quase impossível entrar na Europa Liga, o Neftchi, no ano que eu disputei o campeonato, foi o primeiro clube a entrar na Europe League do país. Ouvir aquela música no San Siro…. quando você entra no estádio, foi o que mais me impactou sem dúvidas.”

Foto: Arquivo Pessoal
Foto: Arquivo Pessoal

Você ganhou três títulos com o Netchi, como foi esse sentimento? Considera essa a sua melhor fase no futebol?

“Eu ganhei três ligas, e duas copas, eu tive cinco títulos lá. A minha melhor fase como jogador, foi no Azerbaijão, porque tudo o que eu conquistei lá, eu não conquistei aqui, lá eu conquistei títulos, lá eu fui melhor jogador do ano, melhor jogador do país, então para mim realmente, os três primeiros anos no Azerbaijão foram os melhores na minha carreira, que eu consegui ganhar 5 títulos.”

Foto Destaque: Reprodução/Arquivo Pessoal

Giovanna Monteiro
Cursando o 4º semestre de Jornalismo na Universidade Anhembi Morumbi, apaixonada por esportes desde os 7 anos e hoje com a cabeça e o coração encaminhados ao Jornalismo Esportivo.

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