Fim de um reinado?

No último sábado o Arsenal venceu o Everton jogando fora de casa. Embora as chances de título na Premier League sejam remotas, os sete jogos que restam no campeonato nacional servirão para os Gunners honrarem a camisa em uma temporada que começou com muitas ambições, mas que terminará com decepções acumuladas e a possível demissão de Arsene Wenger, treinador do clube há 20 anos.

O cenário construído pelo Arsenal ao longo da temporada, além de desapontar os torcedores, desgasta o reinado do técnico francês. No meio da temporada, o time inglês convivia com chances reais de título inglês, para por fim a um jejum de 13 anos. O artilheiro Giroud, o craque Sanchéz e o decisivo Ozil davam esperanças aos torcedores. Arsene Wenger, que já vinha sendo pressionado desde a última temporada, se segurava no talento deste trio para se manter à frente da equipe. Mas a continuação dessa história, marcada por derrotas seguidas, fez com que a disputa da Premier League se polarizasse entre Leicester e Tottenham. O Arsenal então depositou as esperanças na Liga dos Campeões e na FA Cup. Após uma primeira fase complicada, o time inglês encarou o Barcelona nas oitavas de final. Jogando em casa, a derrota por 2 a 0 praticamente selou a eliminação dos comandados de Wenger. No jogo da volta, o Arsenal foi valente, mas insuficiente. Restava a FA Cup, mas em pleno Emirates Stadium, os Gunners foram eliminados pelo Watford.

A insatisfação do torcedor com Arsene Wenger é justificada através de estatísticas. Nos primeiros dez anos do treinador no clube, o Arsenal entrou na galeria dos grandes, conquistando 11 títulos, sendo três na Barclays, incluindo a campanha invicta de 2003. Já na segunda metade de sua jornada pelo clube, apenas quatro títulos, duas vezes na FA Cup e duas Supercopas da Inglaterra. Embora tenha mantido o clube inglês, por muitos anos, na Champions League, o Arsenal colecionou decepções: derrota para o Birmingham City, na final da Copa da Liga Inglesa, em 2011, acachapantes derrotas – tais como o 6 a 0 para o Chelsea em 2014 – , e títulos escapando ano após ano.

Sem dúvida alguma Arsene Wenger é um dos maiores treinadores da história do futebol mundial. Suas conquistas pelo Arsenal trarão lembranças eternas aos torcedores ingleses. Por tudo que representa para a instituição, não merece sair pela porta dos fundos, mas não pode estragar o que escreveu pelo clube.

A diretoria e os jogadores apoiam o treinador, mas das arquibancadas o coro, outrora abafado, parece tornar-se uníssono.

“Obrigado pelas memórias, mas é hora de dizer adeus” , diz uma faixa levada por torcedores ao estádio em março deste ano. A frase agora é recorrentemente utilizada pela mídia inglesa e por torcedores do clube.

A passagem de Arsene Wenger pelo Arsenal, assim como a temporada, está chegando ao fim. O legado deixado pelo treinador é indiscutível. O torcedor deve reverenciar o técnico francês, aplaudi-lo em sua saída e agradecê-lo pelas boas lembranças.

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André Siqueira Cardoso
André Siqueira Cardoso
Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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