Fernando

A Coluna Papo Azteca desta semana traz a história de um dos maiores jornalistas esportivos da história do futebol mexicano. O multifunções Fernando Marcos. Assim sendo, ao longo de seus 86 anos de vida, desempenhou várias funções dentro do esporte. Atuou como jogador de baseball e futebol, técnico, advogado, árbitro, dirigente, locutor esportivo, comentarista e até diretor de cinema. Certamente é um dos mais celebres personagens da crônica esportiva do México.

JUVENTUDE E INÍCIO COMO ATLETA

Fernando Marcos González nasceu no dia 30 de novembro de 1913, na Cidade do México, capital mexicana. Dessa forma, nasceu em família de imigrantes espanhóis vindos do Principado de Astúrias. Marcos começou a trabalhar desde jovem, exerceu as profissões de motorista e garçom. Ao mesmo tempo, se dedicava a faculdade de direito e a prática de baseball e futebol.  Seu primeiro clube profissional foi o Germânia FV, clube fundado por uma colônia de alemães no México. Posteriormente ainda passou pelo Club España, onde foi campeão do torneio da Liga de Futebol Amadora Primera Fuerza, em 1933-1934 e 1935-1936.

SELEÇÃO MEXICANA E FIM DE CARREIRA PRECOCE

Suas atuações pelo Germânia e pelo Club España lhe renderam chances na seleção principal do México. Nesse sentido, pelo selecionado mexicano disputou as eliminatórias para a Copa do Mundo da Itália de 1934. No entanto, a equipe Azteca ficou de fora do mundial após derrota para os Estados Unidos. Nesse sentido, o grupo resolveu fazer algumas partidas no continente europeu. Após dois anos de seu início de carreira, Don Fer sofreu uma grave lesão no joelho e teve que deixar a carreira de jogador.

DON FERNANDO: O ÁRBITRO

Depois que abandonou os gramados, , entre Necaxa e Astúrias em 1939. Em suma, durante o jogo, Los Electricistas perderam seu craque Horacio Casarín, depois de sofrer uma entrada de Carlos Laviada.

Por conseguinte, nos instantes finais do confronto, um pênalti foi marcado a favor do Astúrias e depois convertido deixando tudo igual no placar. Os torcedores necaxistas, furiosos com o resultado e com a lesão do astro Casarín. Tocaram fogo nas arquibancadas do estádio. Tanto os aficionados, quanto a imprensa já tinham escolhido o árbitro como responsável pela situação. Assim, Marcos exerceu a profissão de juiz até 1942.

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PIONEIRO NO RÁDIO E O TÉCNICO MARCOS

Em seguida, após a curta carreira de árbitro, Don Fernando foi um dos primeiros locutores esportivos do México. Trabalhou na Rede Continental de Rádio de 1942 a 1948. Nesse meio tempo, também se dedicava a escrever crônicas jornalísticas. Em um de seus textos, teceu várias críticas a equipe de Astúrias, por esta se encontrar em último no certame mexicano. Desse modo, para calar Marcos, o presidente do clube da colônia espanhola decidiu oferecer o cargo de técnico para o Locutor.

Fernando aceitou ser treinador das .

Também ficou conhecido como o Pai do Clássico Nacional, entre América e Guadalajara. Pois quando treinava Las Aguillas, após derrotar três equipes de Guadalajara, Oro, Atlas e Chivas, por 2 x 0. Disse a frase: “nova forma de marcar por telefone para Guadalajara era dois-zero, dois-zero, dois-zero”. Por certo acentuando a rivalidade. Ademais, sob o comando da seleção mexicana, conquistou o que é considerada a primeira grande vitória do México no futebol. Triunfo por 2 x 1 sobre a Inglaterra em 1959.

CARREIRA NA TELEVISÃO E COBERTURAS DE COPA DO MUNDO

Logo após sua carreira como técnico, iniciou sua jornada na televisão em 1962, na cobertura da Copa do Mundo daquele ano no Chile. Fernando como narrador e comentarista na Televisa e no antigo Canal 13, atual TV Azteca. Cobriu as Copas do Mundo de 1962, 1966, 1970, 1974, 1978, 1982, 1986, 1990 e 1994. Do mesmo modo, narrou a sensacional semifinal do mundial de 1970, no México. Entre Alemanha e Itália conhecida como o Jogo do Século.

FRASES FAMOSAS E FIM DE CARREIRA

Assim sendo, em suas narrações e comentários, foi autor de diversas frases que entraram para vocabulário da crônica esportiva mexicana. Por exemplo, a marcante frase: “O último minuto também tem 60 segundos”. Além disso, na transmissão da partida entre México e França pela Copa do Mundo 1966. Soltou a seguinte frase após um gol da seleção mexicana: “Borja, não falhe! Gol do México”. Por fim encerava seus comentários na televisão como seu famoso Editorial em Quatro Palavras. Também foi criador do termo Pelota Quadrada.

Anunciou sua saída da TV Azteca e da televisão, ao final da cobertura da Copa do Mundo de 1994 nos Estados Unidos. Nos anos seguintes ainda escrevia suas crônicas até falecer em 18 de Julho de 2000. O legado do lendário e inesquecível Fernando Marcos ainda permanece com os jornalistas mexicanos José Ramón Fernandéz e Enrique Perro Bermudez. Que sempre evidenciam como sua referência.

Foto Destaque: Reprodução/Excelsior

Amaury Ferreira
Escolhi o Jornalismo como profissão, porque desde a minha infância sempre fui fascinado pelos âncoras de telejornais e pelas transmissões esportivas no rádio e na televisão, a relação com meu time do coração também influenciou na minha escolha. Sou uma pessoa bem tranquila, mas que quando acredito em alguma coisa, sempre tento buscar correr atrás.

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