Fabio Grosso: um guerreiro em campo e o herói do tetracampeonato do mundo da Squadra Azzurra

Na coluna Calciostoria de hoje falaremos sobre a figura do herói improvável no futebol italiano. Em síntese, são muitos os jogadores coadjuvantes na história que se tornaram determinantes para conquistas da Squadra Azzurra. Sendo assim, escolhemos nada mais nada menos do que o atleta que teve a menor expectativa e o maior impacto/retorno para os torcedores italianos: Fabio Grosso, personagem fundamental para o tetracampeonato da Itália de 2006.

O COMEÇO

Nascido em Roma e crescido em Pescara, os primeiros passos de Grosso no futebol foram dados em 1994, no semiprofissional Renato Curi; e em seguida no Chieti, na época clube de quarta divisão. A saber, pelos Neroverdi, o lateral esquerdo se destacou por sua disposição física, seu forte apoio ofensivo e velocidade – ainda que medisse incríveis 1,90m. Além de todas essas características, o jogador conseguiu marcar nove gols no acesso do time à terceira divisão e acabou chamando a atenção de Serse Cosmi, treinador do Perugia, que o contratou.

O romano estreou na Serie A em 2001, e sob o comando de Cosmi atuou inicialmente de ala, no esquema 3-5-2 dos Grifoni. Por lá ficou por dois anos e se tornou peça muito importante de uma equipe bem organizada, na qual conseguiu ficar duas campanhas na metade de cima da tabela, além de ser semifinalista da Copa da Itália em 2002-03. Desse modo, pelo desempenho do camisa 11, Giovanni Trapattoni (técnico da Itália na época) lhe deu as primeiras chances como lateral esquerdo na seleção italiana. Grosso disputou três amistosos e não foi mal. Dois meses depois trocou o Perugia, da Serie A, pelo Palermo, então na Serie B.

PALERMO

Em suma, no clube da Sicília, bem como em seus times anteriores, o lateral se destacou muito. Ao lado do volante Eugenio Corini, do matador Luca Toni e de um forte elenco, o Palermo subiu para a primeira divisão ao ser campeão da Serie B, e se reforçou para a disputa da Serie A.

Por certo, em duas temporadas na elite, os Rosanero fizeram campanhas excelentes, conquistando duas classificações para a Copa da UEFA (atual Liga Europa), com um 5º e 6º lugar no Calcio. Neste tempo, Grosso, além de ter sido um dos atletas mais importantes da equipe da Sicília, se consagrou como um dos principais laterais esquerdos italianos. Isso muito por conta de sua qualidade ofensiva, obediência tática e precisão nas diversas assistências distribuídas para seus companheiros, sobretudo Luca Toni e Andrea Caracciolo.

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DECOLAGEM DE GROSSO NA SELEÇÃO ITALIANA

Após se notabilizar como um lateral esquerdo de elite na Itália, Grosso começou a ser convocado com frequência por Marcello Lippi, técnico da Azzurra na época. Em resumo, na reta final das Eliminatórias para a Copa de 2006, o lateral esquerdo atuou em todos os cinco jogos do returno e em mais alguns amistosos até chegar ao Mundial como titular da lateral esquerda. Gianluca Zambrotta, antigo titular da posição, passou a jogar na direita.

No começo do Mundial de 2006, Grosso foi titular na primeira partida, diante de Gana. Contudo, acabou perdendo a vaga no jogo contra os Estados Unidos. O jogador do Palermo só se firmou na posição de vez no duelo seguinte, devido a falha do companheiro Cristian Zaccardo, e a partir de então não saiu mais do onze inicial da Azzurra. Ele acabou sendo muito decisivo em três oportunidades no mata-mata do Mundial: logo nas oitavas, contra a Austrália, foi responsável por cavar um pênalti no último lance, no qual Francesco Totti converteu e deu a classificação para as quartas de final.

Após passar pela Ucrânia nas quartas, a Itália teria a dona da casa pela frente, a poderosa e embalada Alemanha. Como era de se esperar a partida foi muito difícil, a Azzurra se defendeu como pode e levou o jogo para a prorrogação. No finzinho do segundo tempo complementar, quando tudo levava a crer em uma disputa de pênaltis, Andrea Pirlo ajeitou na medida para Grosso, que bateu de primeira com muita precisão, sem chances para o goleiro Jens Lehmann. O lateral e o time comemoram de maneira intensa, pois era o gol que praticamente levava a grande final. Na sequência, a Itália conseguiu mais um tento, que sacramentou a classificação.

GROSSO HERÓI DE UMA NAÇÃO

Na finalíssima em Berlim, contra a França, Grosso entrou para a história da seleção e do futebol mundial ao converter o pênalti que deu o tetracampeonato ao país da Bota. O lateral acabou se tornando o herói improvável de uma nação, ao tirar a Itália de uma fila de 24 anos sem levantar um título mundial. Aos 29 anos, o romano, desacreditado por muitos, e que até então só havia atuado em clubes de pouca expressão, alcançava o topo do mundo e cravava seu nome para sempre no coração de cada torcedor italiano.

O PÓS TETRACAMPEONATO: INTERNAZIONALE, LYON E JUVENTUS

Poucos dias depois de conquistar o mundo com sua seleção, Grosso foi contratado pela Internazionale por 6,5 milhões de euros. Em Milão, o lateral não foi bem; sofreu com lesões e teve de lidar com a concorrência pesada de Maxwell e Javier Zanetti. Pelos Nerazzurri, em um ano no clube, conquistou um título de Serie A e uma Supercopa Italiana. Posteriormente foi comprado pelo Lyon, e saía de seu país natal pela primeira vez em sua carreira.

Na França, o herói italiano foi titular nas duas temporadas em que lá esteve, todavia, nunca conseguiu cair nas graças dos torcedores. Ainda assim, continuou sendo convocado para a seleção. Disputou a Eurocopa de 2008, na qual a Itália era comandada por Roberto Donadoni e a Copa das Confederações de 2009, onde Marcello Lippi era o treinador (retornou a Azzurra). No entanto, acabou ficando de fora da lista do Mundial de 2010, realizado na África do Sul.

Nesta época, da Copa do Mundo de 2010, Grosso já era jogador da Juventus, o último clube de sua carreira. Sua passagem pela Velha Senhora não foi boa; teve vários conflitos com a diretoria e participou de uma era negativa da história dos Bianconeri, que terminou em 7º lugar tanto em 2009-10 quanto em 2010-11. Depois de muitas polêmicas, o lateral foi colocado na lista de transferências e passou a treinar separado do grupo. Na sequência, até conseguiu algumas chances e participou de alguns jogos com o técnico Delneri; porém, desde a chegada de Antonio Conte, só atuou em duas partidas e foi deixado de lado em definitivo. Após o término de seu contrato com a Juve, ficou livre para acertar com qualquer clube, mas acabou não indo a lugar algum. Desse modo, em dezembro de 2012, aos 35 anos, anunciou sua aposentadoria.

Foto destaque: Reprodução/Getty Images

 

 

Guilherme Calvano
Sou Guilherme Calvano, carioca de 19 anos e jornalista em formação pela Universidade Estácio de Sá (UNESA- RJ). Apaixonado por esportes, sobretudo futebol e basquete, enxerguei no jornalismo a oportunidade perfeita de trabalhar com o que mais gosto! Aqui no Futebol na Veia sou redator líder da editoria de futebol Italiano.

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