Exclusividade perigosa!

A frase “Aqui é País do futebol” a um bom tempo já não pode ser utilizada por nenhum brasileiro, ao menos se for para lembrar a canção do saudoso Wilson Simonal, que nos remete ao período em que nossa população respirava o futebol com paixão, quando enchíamos estádios aos domingos de sol, e por que não dizer, nos de chuva também.

No Brasil as pessoas que acompanham o futebol com mais vigor, sabem que temos um monopólio nas transmissões futebolísticas, sejam elas nacionais ou internacionais. Evidente que esse esporte é um negocio, uma mercadoria que faz girar muito dinheiro, por isso é de interesse total da Rede Globo deter seus direitos e com isso, explora-lo da forma que achar melhor. Com isso esclarecido, é importante fazer uma reflexão entre esse fato e a redução do interesse geral em relação ao futebol de clubes do país. O tamanho do estrago que nossos insolentes dirigentes causaram é enorme, são inúmeros casos de corrupção, incompetência na formatação de campeonatos, viradas de mesa e diversos erros que culminaram na falência do nosso futebol dentro das quatro linhas, porem não podemos negar a influência negativa causada pela Rede Globo e o seu poder de exclusividade.

As transmissões de futebol pela televisão no Brasil começaram em meados dos anos 50, porem o seu auge ocorreu nos anos 90, com o aumento da tecnologia e principalmente com os elevados números de televisores vendidos nesse período, esse virou um dos programas preferidos da população, afinal poder ver seu time ou seu maior rival sem sair do conforto do lar, com qualidade e mecanismos de replay, VT e diversos outros recursos que as emissoras proporcionavam, era sensacional. A TV Bandeirantes foi uma potência, com Luciano do Valle e equipe era denominada “O canal do esporte”, o SBT de Silvio Santos também alcançava índices incríveis de audiência sobre o comando do mestre Silvio Luís e nessa disputa é claro que a Globo não deixava barato, tendo como sua estrela principal o eterno Galvão Bueno, porem a disputa era sadia e fazia bem, afinal você tinha o tinha uma gama de transmissões, de formas e horários distintos, porem á alguns anos tudo isso se perdeu. Hoje em dia necessariamente não importa mais a qualidade ou importância do jogo, apenas o numero de televisores ligados, o famoso índice de audiência ou o share conquistados em cada transmissão, o que vendo pelo lado do negocio está correto, mas que é enganoso, afinal o sucesso de um campeonato e automaticamente do “negócio futebol” depende de todos os clubes e não de uma gama de dois ou três apenas.

 Os números do nosso futebol atual se comparados aos anos 70, 80 ou 90 são muito melhores, porem se comparados a países europeus são praticamente insignificantes, claro que considero as diferentes economias, mas tento fazer uma equiparação das realidades. Grandes clubes passam um grande período sem patrocínio máster em seus uniformes, justamente pela falta de exposição que possuem, ou quando fecham, mesmo que detenha um número grande de torcedores, os valores não correspondem com a realidade da entidade e isso acaba virando uma bola de neve, pois sem bons valores no caixa para investir em atletas de alto nível ou até mesmo na formação de grandes promessas, o interesse do público despenca.

Algumas mudanças necessárias:

– Numero de transmissões televisionadas devem ser mais iguais entre  os clubes;

– Divisão mais justa no pagamento de cotas;

– Permitir que a emissora parceira na divulgação de um mesmo campeonato, escolha a partida que deseja transmitir não necessariamente a mesma, para que a exposição das equipes seja mais parelha.

– Fazer de suas transmissões realmente um produto atrativo ao público e não como são feitas hoje, principalmente o pré e pós jogo;

A transmissão de torneios internacionais é outro ponto interessante, a Globo também possui os direitos de torneios como Uefa Champions League, Eurocopa e a Copa América. A Champions League tem suas partidas transmitidas apenas a partir das fases finais, assim como a Eurocopa deste ano. No caso da Copa América do centenário vale exemplificar, Argentina e Chile fizeram a final no domingo dia 26, infelizmente quem não possui em sua residência TV por assinatura não teve a oportunidade de acompanhar a disputa, pois a Globo preferiu não passar algo que ela comprou e detinha sua exclusividade, para a transmissão do seu tradicional programa dominical, o Fantástico, porem eram evidentes os altos índices de citações nas mídias sócias de pessoas acompanhando a partida pelo canal pago, o Sportv.

A qualidade de imagem, o gabarito da maioria de seus profissionais e o famoso padrão Globo é exemplar, eu não seria tolo em dizer que tudo é ruim, muito pelo contrario, considero que seja a emissora com mais capacidade em transmitir qualquer evento esportivo no Brasil em alto padrão, porem é preciso uma nova regulamentação, sem os velhos favorecimentos e sim com novas demandas e novos deveres, que respeitem seu consumidor, pois não sou contra ou a favor da emissora A ou B, mas sim contra a forma como conduzem algo que poderia ser mais bem explorado, pois também o telespectador gostaria de consumir um produto com mais qualidade e o futebol brasileiro merece voltar a viver seus melhores dias.

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Sobre Murilo Ribeiro

Murilo Ribeiro já escreveu 6 posts nesse site..

Nascido em 1988, sou um apaixonado por historias do futebol, principalmente as ocorridas nos anos 90, período em que considero a “ÉPOCA DE OURO” desse esporte no Brasil. Formado em jornalismo pelas Faculdades Integradas Rio Branco, tenho como grande sonho ganhar a vida falando, escrevendo e narrando o maior esporte desse planeta, o Futebol. Sou fascinado pelo esporte e pelos meios de comunicação que fazem sua cobertura.

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Murilo Ribeiro
Nascido em 1988, sou um apaixonado por historias do futebol, principalmente as ocorridas nos anos 90, período em que considero a “ÉPOCA DE OURO” desse esporte no Brasil. Formado em jornalismo pelas Faculdades Integradas Rio Branco, tenho como grande sonho ganhar a vida falando, escrevendo e narrando o maior esporte desse planeta, o Futebol. Sou fascinado pelo esporte e pelos meios de comunicação que fazem sua cobertura.

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