EXCLUSIVA COM DAVID BRAZ

O Brasil é tido como o país do futebol, celeiro de craques, no qual muitos meninos têm o sonho de tornarem-se um jogador profissional. Reside no senso comum a ideia de que o universo futebolístico é formado exclusivamente por fama, badalação e reconhecimento, mas na realidade, há uma série de fatores por de trás da glória da carreira profissional.

Em entrevista exclusiva, David Braz, zagueiro de 28 anos, natural de Guarulhos, atleta do Santos Futebol Clube, fala um pouco mais do início e das dificuldades enfrentadas ao longo de sua carreira, mas também dá conselhos a estes jovens garotos que, assim como eu, quiseram um dia ter o futebol como profissão.

ANDRÉ SIQUEIRA: Muitos garotos sonham em se tornar um jogador profissional, mas há um grande distanciamento entre a prática amadora e a profissional, isto é, as dificuldades para se destacar são maiores e a rotina é totalmente diferente. Quando você tomou esta decisão e passou a investir em sua carreira?

DAVID BRAZ: Comecei a gostar de futebol por conta da Copa do Mundo de 1994, ano em que a Seleção Brasileira foi tetracampeã mundial. Na época eu tinha 7 anos e decidi que queria ser jogador de futebol. Para isso, corri atrás de uma escolinha de futebol próximo ao local onde eu morava para praticar.

AS: A chegada aos clubes, cada vez mais, tem se tornado difícil, por uma série de motivos, dentre as quais eu destaco a desvalorização das peneiras e a supervalorização de dirigentes e empresários. Qual foi o seu primeiro clube e como chegou até ele?

BRAZ: Eu joguei em muitas escolinhas no famoso “terrão”, mas aos 14 anos, no ano de 2002, quando jogava por uma escolinha na Vila Maria, em São Paulo, o técnico do sub-15 do Palmeiras me viu jogando e pediu para que eu me apresentasse ao clube.

AS: Não são todos os clubes que possuem a infraestrutura necessária para fornecer condições dignas para seus atletas, haja vista as condições precárias de alojamentos, atraso no pagamento de salário e dificuldade no tratamento de lesões. Quais as principais dificuldades que você enfrentou até consolidar seu nome no meio futebolístico?

BRAZ: Eu sofri com o assédio das pessoas por conta de minhas conquistas. Muitas pessoas aproximaram-se de mim fazendo-se de boa pessoa, mas que tinham más intenções. Mas o principal são as lesões. Em 2008 eu vivia o meu melhor momento como jogador, mas tive que operar o joelho e fiquei afastado por 8 meses, mas graças a Deus pude voltar a jogar e no ano seguinte fui campeão brasileiro jogando pelo Flamengo. Esse foi o título que me deu destaque no futebol brasileiro.

AS: Em se tratando de realização de sonhos, a promoção ao futebol profissional é o mais importante desta carreira recente. O grande problema é que há uma linha tênue entre a badalação e o sucesso e o fracasso e o anonimato. Muitos atletas se perdem e não vingam dentro do futebol. Como um jogador experiente e vitorioso, quais os conselhos você daria a esses jovens jogadores nesse processo decisivo para suas carreiras?

BRAZ: Há o problema com os empresários, que só pensam em tirar vantagem em nossas costas e também a imprensa, que não poupa elogios quando você acerta, mas é dura quando te critica. Em caso de lesão, é preciso se dedicar 100% para poder voltar jogar em alto nível. Mas o mais importante é confiar em Deus, pois tudo que você sonha, Ele irá te ajudar a realizar. Sou evangélico e digo que depois que entreguei minha vida para Jesus, tudo que me aconteceu, foi Deus quem permitiu. Tudo o que sofri, Deus me ajudou a superar. Levo uma frase comigo: “Se com Deus tá complicado, sem Ele é pior ainda.”

AS: Dentre as ambições da carreira do jogador, a ida para o futebol europeu é uma das mais visadas. Você consolidou uma carreira de sucesso jogando em grandes times brasileiros, como Palmeiras, Flamengo, Vitória e Santos, mas teve uma passagem pelo futebol grego, no Panathinaikos. Qual o principal fator que o fez aceitar a proposta do futebol europeu e o que considera importante ponderar para decidir sobre a ida ou permanência no futebol brasileiro?

BRAZ: Jogar na Europa é um sonho de qualquer jovem jogador brasileiro, porque lá você disputa os melhores torneios e joga ao lado dos melhores jogadores do mundo, além de te dar experiência para quem sabe chegar à Seleção. Isso me fez ir ao Panathinaikos, que na época estava muito bem na Champions League e era o clube do Gilberto Silva, jogador campeão da Copa do Mundo de 2002. Houve o interesse do clube no meu futebol e eu aceitei o desafio. Estar na Grécia foi uma grande experiência na minha carreira.

AS: A carreira no futebol é marcada por bons e maus momentos, que são influenciados tanto pelo momento do time em que se joga, quanto pela condição física e técnica de um jogador em determinado período. Atuando no Brasil, você chegou a não ser aproveitado no Vitória e no Santos, por exemplo, mas hoje é um dos principais líderes da equipe santista. Passando por um momento difícil, em que e em quem você se apoia para virar o jogo e dar a volta por cima?

BRAZ: Apoiei-me em Deus e em minha família. Sem eles, certamente eu não conseguiria dar a volta por cima. Digo isso porque se eu estivesse sozinho, teria optado por coisas erradas, que me levariam a outros caminhos, eu perderia o foco. Nesses momentos difíceis, como minha passagem pelo Vitória, eles foram muito importantes.

AS: Aos 28 anos, ao meu ver, você vive o auge de sua carreira. Além de ser visto como um dos líderes da equipe santista, você teve uma temporada de 2015 excepcional, que infelizmente foi atrapalhada por uma lesão grave que o afastou dos campos por um período. Como é o processo de tratamento e como readquirir a forma física e técnica para voltar ao time titular?

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BRAZ: O ano de 2015 foi muito bom para mim mesmo, pois fui o segundo jogador que mais atuou no Santos, atrás apenas do Ricardo Oliveira. Agradeço muito a Deus por ter conseguido fazer um bom trabalho na temporada, mesmo com uma lesão que me afastou dos gramados por 4 meses. Na recuperação, você tem que fazer tudo de maneira correta, se dedicar para tratar a lesão e poder voltar bem.

AS: Entre os anos de 2005 e 2007, você jogou pela Seleção Brasileira sub-20, mas não teve oportunidades na equipe principal. Você ambiciona a chegada à Seleção?

BRAZ: Até o momento só pude vestir a camisa da Seleção enquanto estive nas categorias de base, mas é um sonho de criança chegar à equipe principal e espero poder ajudar a Seleção do meu país.

AS: Um jogador profissional sempre deseja atuar em alto nível, mas seu desempenho pode ser afetado por lesões ou outros problemas de saúde. O que pesa para um jogador na hora de decidir parar? Você pretende jogar até quantos anos?

BRAZ: Eu amo o futebol e não sei ao certo como seria viver essa situação. Faz nove anos desde que entrei em campo pela primeira vez como um jogador profissional e exerço minha profissão oficialmente há 13 anos, mas espero jogar por mais 8 ou 10 anos. Espelho-me no Ricardo Oliveira e no Zé Roberto, que com 36 e 41 anos, respectivamente, jogam em alto nível e por grandes clubes do futebol brasileiro.

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AS: Qual a sua referência dentro do futebol?

BRAZ: Tenho muitas referências dentro do futebol e sempre procurei escutar o que tinham para me dizer para que eu pudesse conquistar um pouco do que eles conquistaram. Tive a oportunidade de jogar ao lado dos pentacampeões Marcos, Denílson, Roque Júnior, Gilberto Silva, Kléberson, além de grandes nomes como Ronaldinho Gaúcho, Edmundo, Adriano, Petkovic, Robinho e Ricardo Oliveira. Mas em minha posição, sempre admirei e observei o futebol do Juan, que hoje está no Flamengo.

AS: Por fim, a carreira futebolística é vista como uma oportunidade de ascensão na vida. Muitos garotos sonham com a fama, badalação, riqueza e reconhecimento, mas o caminho é árduo e requer renúncias. Se você pudesse deixar uma mensagem a todos estes meninos que sonham em se tornar jogador de futebol, qual seria?

BRAZ: Dediquem-se a cada segundo durante os treinamentos. Não deixe para depois algo que você poderia fazer naquele momento. Procure sempre ouvir o que seus treinadores têm para dizer. Valorize cada bom momento que você tiver no futebol e os aproveite ao lado de sua família, que te ama de verdade. E o principal de tudo é confiar em Deus na esperança de que tudo dará certo. Faça coisas que agradem a Deus e siga o que Ele quer que você faça. Além disso, procure sempre ajudar os que precisam, faça o bem para alguém, não pense só em você.

André Siqueira Cardoso

Sobre André Siqueira Cardoso

André Siqueira Cardoso já escreveu 313 posts nesse site..

Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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