Álvaro Navarro comemorando gol pelo Botafogo

Assim como a grande maioria das competições de futebol pelo mundo, o Apertura Uruguaio também está paralisado. Entretanto, em entrevista exclusiva ao Futebol Na Veia via WhatsApp, Álvaro Navarro, sob quarentena, na primeira das duas partes desse bate-papo, o uruguaio falou sobre o início de sua carreira, a ótima passagem no Botafogo, embora curta, a falta do reconhecimento do clube carioca e o retorno ao Defensor Sporting do Uruguai em 2018, depois de ficar quase um ano fora dos gramados – por querer aproveitar mais tempo ao lado da família.

O INÍCIO DA CARREIRA DE ÁLVARO NAVARRO

‘El Chino', como é conhecido, nasceu em Tacuarembó, uma cidade que fica há quase 400 quilômetros da capital do Uruguai. Anos depois, ainda criança, foi morar em Montevidéu, e lá passou a praticar futebol por uma equipe de bairro disputando um ‘Campeonato Infantil' (como é chamado pelos uruguaios). A competição contava com mais de 90 times e, apesar disso, Álvaro esteve na seleção dos 11 melhores jogadores do torneio.

Como resultado, chamou a atenção do Defensor Sporting, o terceiro maior clube do Uruguai, e ingressou na categoria de base violeta. Dessa forma, aos 18 anos, o jovem uruguaio, que se inspirava em seu xará e compatriota Álvaro Recoba e Ronaldo Fenômeno nos tempos de Internazionale, passou a se tornar um jogador profissional.

Após algumas temporadas, já sendo titular da equipe, Navarro veio a se consagrar Campeão Uruguaio em 2007/08, com larga vantagem sobre Nacional (54) e Peñarol (54), com 66 pontos na tabela, à frente das duas maiores forças do país. Naquela temporada também se destacou na Libertadores, marcando dois gols na vitória por 3 x 0 sobre o Flamengo, eliminado os cariocas nas oitavas de final.

Álvaro Navarro, em 2007, em confronto com o Flamengo pela Libertadores. Foto: Agência AP

EXPERIÊNCIAS SUL-AMERICANAS

Em 2010, Álvaro se transferiu para o futebol argentino, rumo ao Gimnasia de La Plata. No entanto, seu desempenho não foi como esperado, no qual o atacante diz ter sido o seu momento mais difícil na carreira. “Onde tive mais dificuldade foi no no Gimnasia, porque eu era jovem e não consegui me adaptar muito rápido“. Apesar disso, o uruguaio permaneceu na Argentina, ao ser emprestado para o Godoy Cruz, onde chegou a atuar 46 vezes, em pouco mais de um ano.

Após o fim de empréstimo, Navarro retornou para a sua casa, o Defensor, onde ficou seis meses, até ir para o Cobresal, do Chile. Dois anos depois, optou em jogar no futebol equatoriano, no Olmedo. Por lá, foi artilheiro do clube na temporada 2014/15 com 19 gols. Entretanto, com a oportunidade de vir atuar no futebol brasileiro, com a camisa do Botafogo, El Chino não pensou duas vezes.

“FOI O MEU MELHOR MOMENTO FORA DO URUGUAI”

Em 2015, o Fogão estava na 2ª divisão brigando pelo retorno à elite do futebol brasileiro. Motivado, Álvaro havia prometido “trabalhar bastante e fazer muitos gols” com a camisa do clube carioca. Ele que chegou ao lado de um compatriota, o volante Gonzalo Bazallo, logo no início superou os números de Loco Abreu, considerado ídolo do clube alvinegro, também uruguaio.

Isso porque Navarro chegou a seis gols em suas primeiras partidas pelo Botafogo, enquanto El Loco marcou cinco no início de sua trajetória no Fogão.”Ele está numa forma extraordinária”, disse Ricardo Gomes, técnico do clube naquela oportunidade. No final do semestre, o camisa 9 marcou NOVE GOLS EM 15 JOGOS, assim, sendo o artilheiro da equipe, consagrando o clube como campeão da Série B, consequentemente, retornando para a primeira divisão – o principal objetivo. Entretanto, El Chino diz não ter recebido uma valorização por seu desempenho em campo no final daquele ano…

“Tenho um carinho muito grande pelo Botafogo. De todos as equipes que joguei na América foi o melhor e mais lindo momento de minha carreira. O carinho das pessoas no Brasil me fez sentir em casa. Desde que cheguei no Botafogo meu salário era muito baixo. Eu entendia isso, até porque eu era apenas um desconhecido para o futebol brasileiro. Mas quando ofereceram a renovação, o salário era apenas um pouco a mais do que recebia.  Ou seja, o Botafogo não me valorizou, não valorizou o meu rendimento em campo, e depois pagou muito dinheiro pelo Montillo” – ressaltou Álvaro na entrevista.

“EU QUERIA FICAR”

Sem chegar em um acordo com o clube carioca, Álvaro optou em ir para o futebol mexicano, para jogar no Puebla. Mas hoje, admite que seu desejo e de sua família era permanecer no Brasil.

“Minha ideia sempre foi ficar no Botafogo, porque eu e minha família estávamos muito bem adaptados. Minha saída foi muito triste, e assim como as pessoas pensam, eu fico imaginando como seria se eu tivesse ficado”,  completou.

Dessa forma, Navarro assinou contrato por dois anos com o clube mexicano. Até que veio a rescindir seu vínculo com os Camoteros em agosto de 2017. Depois disso, o atacante uruguaio ficou quase um ano sem atuar por nenhum outro clube, segundo ele, foi uma opção pessoal para aproveitar mais tempo com sua mulher e seus filhos.

Saindo do México tive várias propostas, mas eu tinha decidido passar mais tempo com a minha mulher e meus filhos. Estive a ponto de deixar de jogar para estar com eles, mas minha esposa me convenceu a voltar.

O RETORNO PARA CASA

Sendo assim, Álvaro Navarro acertou seu retorno ao Defensor Sporting, chegando a terceira passagem pelo clube, em julho de 2018. Naquele retorno aos gramados, marcou oito gols, estando em campo na eliminação para o Fluminense, na Sul-Americana. Por outro lado, já em 2019 as lesões o atrapalhou e muito, afinal, em apenas 13 jogos já havia marcado sete gols, incluindo dois na ‘Pré-Libertadores', na qual veio a ser eliminado para o Atlético Mineiro. Desde então, sua última partida havia sido em 7 de abril de 2019, até o início do Apertura 2020…

– As lesões nos tiram um tempo dos gramados, mas te dão mais força e gana de vencer, é como está sendo comigo. O Defensor é a minha segunda casa, desde os 9 anos estou aqui e meu objetivo é poder conquistar mais um título com a camisa desse clube, seria um sonho – finalizou.

Foto em destaque: Reprodução

Thiago Lopes
Thiago Lopes, 20 anos. Estudante de jornalismo - 6º semestre.

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