Eusébio: O Pantera Negra atuou no México (Foto destaque: Reprodução)

Foram apenas dez jogos e um gol, mas os mexicanos sabem que são privilegiados de poderem contar que o grande Eusébio passou pelo futebol de seu país. Nesta semana, a coluna Papo Azteca traz a história do Pantera Negra, contratado pelo Monterrey por duas temporadas, mas que não ficou por muito tempo no clube. Apesar disso, ele conseguiu aproveitar a vida em um país bem diferente daquele que ele conhecia.

Mais conhecido pelos seus feitos na seleção portuguesa e no Benfica, onde jogou por 14 anos, Eusébio decidiu passar parte de seu fim de carreira no México. No entanto, seu futebol já não era mais o mesmo de antes, muito por conta do joelho direito debilitado. Entretanto, o tempo que viveu com os Rayados de Monterrey foi proveitoso, como ele declarou uma vez:

“Gostei muito do tempo que passei no Monterrey, bem como as pessoas e os jogadores. Por que jogar lá? Monterrey pagou bem e sou profissional. Se um clube paga bem, não podemos deixar a oportunidade passar”, afirmou.

Eusébio com um companheiro de Monterrey (Reprodução/Record)
Eusébio com um companheiro de Monterrey (Reprodução/Record)

Quem levou Eusébio?

O responsável por convencer a lenda portuguesa a jogar no México foi uma figura conhecida de seu passado: Fernando Riera, técnico do Benfica nos anos 60 e treinador do Monterrey em 1975. Dessa forma, no único ano em que Eusébio fez parte do time, os Rayados chegaram às semifinais do campeonato nacional após eliminar o todo-poderoso Cruz Azul. Porém, nessa fase, foram eliminados pela Universidad de Guadalajara, muito por conta de um erro crasso da arbitragem.

Eventualmente, Eusébio também teve a chance de disputar um Clásico Regiomontano contra o Tigres. Todavia, o confronto acabou sem gols, e o moçambicano entrou apenas na etapa final no lugar de Romeo Corbo. Sobretudo, essa foi uma época em que o futebol ganhava cada vez mais importância na região e, com certeza, o Pantera Negra contribuiu para esse aumento de popularidade.

Antes de chegar ao México, Eusébio tentou a sorte nos EUA, mas a experiência pelo Boston Minutemen não durou muito. Depois de passar pelo Monterrey, o craque voltou a jogar na terra do Tio Sam e em Portugal. Acabou se aposentando em 1979 no Buffalo Stallions por conta das lesões. Também teve um tiro rápido no Canadá em 1976, pelo Toronto Metro-Croatia.

Carinho especial

A relação com os Rayados seguiu com o passar dos anos, tanto que, em entrevista ao ge.com, Eusébio revelou sua torcida pelos mexicanos no Mundial de Clubes de 2011.

“Desejo boa sorte ao Monterrey e espero que eles ganhem o título. Não posso mais entrar em campo, e a responsabilidade agora está nas mãos, ou melhor, nos pés dos próprios jogadores e do técnico que têm que entrar para ganhar, seja o adversário o Santos, o Barcelona ou qualquer outro time. É entrar em campo e dar uma satisfação aos seus torcedores”, declarou o moçambicano.

Nomeado como capitão do time, mais pelo seu grandioso passado do que seu presente, Eusébio tem boas recordações do México:

“Minha passagem pelo Monterrey foi fantástica e fenomenal. Uma experiência e tanto a começar pela maneira como as pessoas me receberam. O presidente, os funcionários do clube e o técnico todos me deixaram bem a vontade, o que me deu ainda mais força. Depois, me deram até braçadeira de capitão. Quando o nosso nome é conhecido em todo o mundo não podemos ficar indiferentes. Lembro que em 75 fizemos uma ótima campanha no Campeonato Mexicano, mas infelizmente não vencemos. Isso tudo me deixa com muitas saudades”, disse o Pantera Negra.

Eusébio trajado com o uniforme do Monterrey - Reprodução
Eusébio trajado com o uniforme do Monterrey (Foto: Reprodução)

Paixão fora das quatro linhas

Se dentro de campo a experiência como jogador do Monterrey foi a melhor possível, fora dele Eusébio também não tinha do que reclamar. Isso porque ele comprou um Chevrolet Sport no Texas e gostou tanto do carro que o levou para o México.

“Era um grande carro. Gostava de conduzí-lo para sentir aquela força. Depois eu até vendi ele para o próprio presidente do Monterrey, que pelo visto gostava tanto dele quanto eu. Bons tempos”, relembrou Eusébio.

Embora não tenha passado tanto tempo em solo mexicano quanto no Benfica, o atacante de Moçambique criou um forte laço com os Rayados. Em 2015, o clube regiomontano inaugurou seu estádio durante uma Eusébio Cup, torneio organizado pelo clube português em homenagem ao ex-jogador.

Em 5 de janeiro de 2014, a lenda veio a falecer em função de uma parada cardiorrespiratória. Apesar disso, sua figura humilde fica na lembrança daqueles que puderam vê-lo de perto, seja jogando ou apenas sendo Eusébio, o apaixonado pelo seu Chevrolet Sport.

Foto destaque: Reprodução

Rafael Sant'Ana
Escolhi o jornalismo porque sou apaixonado por informação e esportes desde sempre. Tenho o sonho de exercer a profissão no exterior. Dedicação e interesse por estudar são algumas de minhas marcas.

Artigos Relacionados