Estranho no ninho

O ambiente no São Paulo está conturbado e não é de hoje. O cenário de crise – caracterizado pela briga entre dirigentes e atraso de salários – presente desde o ano passado mantém-se para a temporada de 2016 mas com um agravante: o tricolor do Morumbi não tem agora o líder e capitão Rogério Ceni.

Para solucionar este problema, virar a página e ter um ano de paz, a diretoria apostou em Lugano para assumir o posto de líder do grupo. Até agora, além de não ter mostrado nada demais dentro de campo, a chegada do zagueiro parece ter dividido o vestiário são paulino entre amigos de Lugano, contra amigos de Michel Bastos.

Mais do que isso, trouxeram Edgardo Bauza para a vaga de Milton apostando no histórico vencedor do treinador argentino. Só esqueceram-se de avisar a diretoria que apostar em treinador estrangeiro de nada adianta se os jogadores forem simplesmente medíocres. Na Europa, treinadores estrangeiros assumem os times e tem toda uma estrutura que lhes possibilitam escolher os melhores jogadores de cada posição para montar um time galáctico. Aqui no Brasil, especificamente no São Paulo, podem passar inúmeras versões, de Osório à Bauza, mas se os jogadores forem como Bruno, Lucão, Carlinhos, Mena, Wesley e Centurión, nada mudará.

Neste ambiente obscuro, um jogador destoa, mas continua sendo alvo de uma imprensa que não sabe analisar a partida como realmente é. Trata-se de Paulo Henrique Ganso, o camisa 10 do São Paulo que na tarde deste sábado completou 200 jogos com a camisa do tricolor.

Ganso está muito na frente de todos os seus companheiros de time. Não é válido criticá-lo por não correr, dar carrinho e roubar bolas. Este é o papel do volante. O papel do camisa 10 é a armação e isto ele faz magistralmente.  Ganso é gênio, é diferenciado. Faz a bola correr. Todo jogo deixa seus companheiros na cara do gol inúmeras vezes.  O problema é que as jogadas criadas por Paulo Henrique caem nos pés de Centurión, Calleri – que causou euforia pelos gols iniciais, mas ao que tudo indica foi apenas um bom momento contra equipes como Água Santa e Cesar Vallejo – e Carlinhos, o novo ponta esquerda do futebol brasileiro. O desfecho não poderia ser outro: finalizações ruins ou falta de entendimento entre o meia e os atacantes.

Ganso realmente deveria chegar mais ao ataque, finalizar mais, estar mais presente na intermediária. Este é um de seus defeitos. Mas, ao que tudo indica, o camisa 10 tem procurado aprimorar este lado ofensivo. Nos últimos dois jogos, marcou dois gols em chutes de fora da área. Contra o São Bernardo, Ganso marcou um golaço típico de quem sabe o que faz com a bola nos pés.

Ganso é craque, mas ainda tem que provar muita coisa. Sua idade ainda o permite ter ambições na carreira. A atual seleção brasileira não tem um meia como ele. E se dizem que a única fase boa do jogador se deu ao lado de Neymar, nada melhor que reeditar uma parceria como essa na seleção brasileira.

Para isso, Ganso precisa se superar, manter a boa fase e dar continuidade às suas atuações regulares. Nesta missão, nada mais importante do que chamar a responsabilidade na Libertadores, já que na competição continental a situação do São Paulo já é preocupante.

Ganso tem potencial. Resta, agora, motivar-se jogo a jogo para calar a boca dos críticos.

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André Siqueira Cardoso
André Siqueira Cardoso
Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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