A epopeia angustiante de Ganso

Se a vida de Paulo Henrique Ganso tivesse de se enquadrar em algum gênero literário, certamente seria designada como epopéia. Em definição informal, trata-se de um poema longo sobre assunto grandioso e heróico.

Ganso possui apenas 26 anos, mas sua trajetória no futebol dá brechas para enormes discussões, as quais possibilitariam a elaboração de uma longa narrativa. Ademais, embora hoje aparentemente decadente, o âmago de sua existência revela um futebol genial, de encher os loucos, arrancar suspiros e aplausos. E por isso descreveria algo grandioso, heróico.

Este santista que vos escreve acompanhou os passos deste camisa 10 no Santos e acompanhou a genialidade de um atleta que outrora foi considerado melhor que Neymar.

Por obra do destino, entretanto, a genialidade de Ganso transformou-se em lampejos. Os aplausos evaporaram e deram lugar às vaias. O mágico da bola perdeu sua armadura de gladiador. E ninguém sabe o porquê. Talvez pelas lesões no joelho, coisa que o jogador jamais admitirá. Talvez porque seu início no Santos tivesse sido apenas um lampejo, coisa improvável, como prefiro acreditar.

O sonho de jogar na Europa, concretizado por Sampaoli e o Sevilla, tornou-se pesadelo. Ganso não possui mais clima, foi detonado pela mídia local. Passou a não ser relacionado para as partidas. A mídia espanhola cravou: Ganso só serve para atuar em ligas periféricas da Europa, onde o nível técnico é baixo. E, como em um anti-clímax, este pode ser o destino do camisa 18 do Sevilla.

O jornal turco Aksam informou na última terça-feira que Paulo Henrique estaria prestes a se transferir para a Turquia. O destino, por sua vez, é desconhecido. O Trabzonspor, segundo a publicação, já teria acertado valores com o Sevilla e o jogador, mas um suposto interesse do Fenerbahce, clube tradicionalíssimo na Turquia, travou as negociações.

Ganso deixou seu futuro na mão do treinador, Jorge Sampaoli. Mas não quer sair. Amadureceu e não se opõe ao banco de reservas. A torcida pede mais minutos do meia em campo. O camisa 18 precisa, entretanto, de mais garra, pois, com a bola nos pés, é gênio.

Na vida, às vezes é preciso dar um passo para trás para avançar duas casas. Por vezes, a oportunidade é única, é só bate uma vez em nossas portas. Mas o caso de Ganso é diferente. Recomeçar é preciso.

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André Siqueira Cardoso
André Siqueira Cardoso
Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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