Em 12 de novembro de 1961, em Montevidéu, nasceu Enzo Francescoli Uriarte, ídolo do futebol uruguaio, sem ao menos ter jogado por Peñarol e Nacional. Ele que, com todo seu estilo clássico e elegância passou a ser chamado de ‘El Príncipe'. Dessa forma, Francescoli foi considerado craque em um período decadente da Seleção Uruguaia, por qual teve duas participações em Copas do Mundo (1986 e 1990), e três títulos de Copa América. O uruguaio fez história no River Plate, também é ídolo do Cagliari e marcou a adolescência de Zinedine Zidane, que batizou seu primogênito como Enzo, em sua homenagem.

O INÍCIO DE ENZO FRANCESCOLI

Ainda jovem, Enzo era torcedor do Peñarol, mas foi no Montevideo Wanderers que teve a oportunidade de se tornar um jogador profissional. E aos 19 anos passou a atuar pelo Bohemios, que em seu primeiro ano na equipe, terminou em 2º lugar no Campeonato Uruguaio, alcançando a melhor posição do clube no torneio desde o último título em 1931. Ali começou a se destacar com toda sua classe de jogar em campo e mais tarde viria a ser chamado de ‘El Principe'.

Pouco tempo depois, Francescoli estreou na Libertadores com o Wanderers e logo recebeu a primeira convocação para atuar na Seleção Uruguaia. Com a camisa celeste foi campeão da Copa América de 1983. Após a competição, o meia-atacante atravessou o rio de prata para se tornar ídolo de um gigante argentino, o River Plate, por $ 310.000 na época.

O início no Los Millonarios não foi dos melhores, sem muito o que destacar. Entretanto, já em 1984 devido as atuações em seu clube e com a camisa da Seleção Uruguaia foi eleito o melhor jogador sul-americano. No ano seguinte, depois de recusar uma proposta do América de Cali, financiado pelo poderoso Cartel de Cali da Colômbia, foi eleito o melhor jogador da Argentina. Sendo assim, o primeiro jogador estrangeiro a receber tal premiação. Logo, foi campeão do Campeonato Argentino na temporada 1985/86, quando terminou como o artilheiro da competição com 25 gols.

O GOL MAIS BONITO E O ‘ATÉ LOGO, RIVER'

Em janeiro de 1986, Enzo marcou um gol de bicicleta que deu ao River, uma vitória sobre a seleção da Polônia, em um torneio amistoso. Depois disso, Francescoli foi disputar a Copa do Mundo em 86, onde os uruguaios foram eliminados pela Argentina de Maradona, que veio a se consagrar a campeã daquela edição. Após a conclusão da Copa, o uruguaio deixou o River rumo a Europa, depois de 113 jogos, onde marcou 68 gols.

Sendo assim, se transferiu ao Racing Paris/Matra Racing da França. Até então, a equipe era bem estabelecida no cenário nacional, mas já há um tempo estava em crise. Depois de três temporadas salvando o clube do rebaixamento foi para o Olympique Marseille. E logo em seu primeiro e único ano no clube – 1989/1990 – conquistou o título do Campeonato Francês. Foi ali que o sul-americano passou a encantar o ainda garoto Zinedine Zidane.

O Oympique é o time de coração de Zizou. E quando o craque uruguaio passou a jogar no Les Phocéens, passou o admirar ainda mais, já que o acompanhava, de longe, no Matra Racing, de Paris. Anos mais tarde, se encontraram em campo no Mundial Interclubes de 1996, entre River Plate e Juventus. O francês trocou sua camisa com o veterano e não queria mais largá-la e Zidane disse: “Um dos meus maiores sonhos era ter sua camisa“. Um detalhe interessante é que, um ano antes, Zidane havia batizado seu primogênito como Enzo, em homenagem ao uruguaio.

A PASSAGEM NA ITÁLIA

Logo depois da Copa do Mundo de 1990 na Itália, na qual o Uruguai foi eliminado pelos anfitriões, Francescoli optou em permanecer por lá e jogar no Cagliari. E embora não tenha conquistado nenhum título pelo clube em três anos, é considerado um dos maiores jogadores de todos os tempos, sendo incluído no Hall da Fama do Rossoblu. Em 1993, aceitou a oferta do Torino, atual campeão da Coppa Italia.

O mais perto de conquistar um título em solo italiano foi a Supercoppa de 93, mas a taça ficou com o Milan. Apesar de uma temporada bem-sucedida para a equipe, Francescoli não teve um desempenho tão bom quanto nas temporadas anteriores, do ponto de vista individual, afinal, marcou apenas três gols em 24 jogos, o número mais baixo nas quatro temporadas na liga italiana. Dessa forma, o meia-atacante uruguaio decidiu retomar ao futebol sul-americano, a sua casa na Argentina.

O RETORNO AO RIVER PLATE

No retorno de Enzo Francescoli ao River na Argentina, logo conquistou o título de forma invicta pela primeira vez, aos 33 anos. No ano seguinte, novamente foi eleito o melhor jogador na América do Sul, consequentemente, também recebeu o prêmio de melhor jogador no futebol argentino, depois de recebê-lo 11 anos atrás.

Então, Francescoli se aposentou na seleção do Uruguai para se dedicar totalmente ao River. E em 1996 ele liderou uma equipe de jovens talentosos que contou com: Ariel Ortega, Matias Almeyda, Juan Pablo Sorín, Hernán Crespo e Marcelo Gallardo, hoje técnico do clube, a conquistar a Libertadores e o Argentino daquele ano.

Entretanto, no final da temporada veio a derrota no Mundial Interclubes para a Juventus de Zidane, que idolatra Enzo. “Quando vi Francescoli jogar, ele era o jogador que eu queria ser. Ele era o jogador que eu via e admirava no Olympique de Marseille“. Dias depois, o uruguaio decidiu ‘sair da aposentadoria' e ajudar sua seleção a classificar para a Copa do Mundo na França.

Mas o experiente jogador celeste não conseguiu seu objetivo de levar o Uruguai a Copa de 98, e então anunciou que se aposentaria no início de 1998, recusando uma oferta de cerca de um milhão de dólares para continuar, sentindo que não poderia jogar mais um ano devido às contínuas lesões que o incomodava.

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O ADEUS COM FINAL FELIZ

Os últimos dois jogos de Enzo Francescoli pelo River Plate foram memoráveis. Isso porque em 17 de dezembro de 1997, veio a conquista da Supercopa Libertadores, sobre o São Paulo, na vitória por 2 x 1 no Monumental de Núñez. Já nos últimos dias daquele ano, veio o título do Apertura com o empate em 1 x 1 diante do Argentinos Juniors. Assim, concluindo a tríplice coroa Argentina vencendo o Apertura de 1996 e o Clausura de 1997, derrotando o rival Boca Juniors candidato ao título e sofrendo apenas uma derrota na liga.

Ali se encerrava sua segunda passagem de Enzo no River com 84 partidas e marcou 47 gols, somando, ao todo, 197 partida, indo 115 vezes às redes com a camisa vermelha e branco, por qual conquistou seis títulos importantes.

Por fim, Em 1 de agosto de 1999, Francescoli voltou ao Monumental para um amistoso de despedida. Por lá, estiveram presentes 65 mil espectadores, entre esses o presidente da Argentina Carlos Menem e o presidente do Uruguai Julio María Sanguinetti, além de alguns fãs do Boca Juniors. A partida reuniu os amigos do River Plate e do Peñarol, clube no qual ele gostaria de jogar quando jovem, e os uruguaios sofreram uma goleada por 4 x 0.

ENZO FEZ HISTÓRIA PELO URUGUAI

Pela Seleção Uruguaia, Enzo Francescoli disputou as Copas do Mundo de 1986 e 1990. Além de cinco edições da Copa América, vencendo três – em 1983 , 1987 e 1995.  Ao todo jogou 73 vezes, nos quais marcou 17 gols com a camisa celeste. Assim foi elogiado por suas atuações em um período difícil para a equipe nacional, aposentando-se como o jogador com a segunda maior participação no Uruguai, apenas quatro jogos atrás do recordista da época, o goleiro Rodolfo Rodríguez.

Contudo, Enzo Francescoli foi um jogador clássico e elegante. Talvez, seu estilo tenha sido aperfeiçoado por Zidane, que ao lado de Platini colocava o uruguaio como o seu grande ídolo. Certamente, lhe faltou um título importante na Europa, uma melhor passagem pelo futebol italiano. Mas ao mesmo tempo, marcou seu nome na história do River Plate e da seleção do Uruguai, o que não é pouca coisa. Fato é que se tornou um craque uruguaio sem ter jogado em nenhum dos dois clubes mais fortes de sua terra natal.

Foto em destaque: Reprodução/3º Tempo

Thiago Lopes
Thiago Lopes
Thiago Lopes, 20 anos. Estudante de jornalismo - 6º semestre.

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