O Futebol na Veia conversou com Léo Santin, atualmente no cargo de Diretor Técnico das categorias de base do United Soccer. Leonardo Santin nasceu em São Paulo e na sua juventude jogou no EC Taubate e no AA Francana. Léo conseguiu uma bolsa para jogar futebol nos Estados Unidos onde jogou no Northwest College em Wyoming e na Union University no Tennessee. Além disso, após sua formatura, voltou ao Brasil onde começou sua carreira como treinador. Começou como treinador adjunto do AA Francana e também do Botafogo-SP, Batatais Football Club e Comercial Football Club. Por fim, Léo Santin foi treinador adjunto na Alabama A&M University da equipe feminina.

Recentemente Léo Santin retornou ao Brasil onde passou seis meses para tirar sua Licença Profissional da Confederação Brasileira (licença CBF). Além disso, também tem um Certificado de Treinador do Barcelona FC, onde fez um estágio sob a tutela do Jordi Vinyals, técnico do Barcelona B.

PING – PONG COM LÉO SANTIN

Você sempre pensou em ser técnico de futebol? Pois bem novo largou a carreira de jogador para focar nos treinos?

“Eu sempre pensei sim em ser técnico. Desde que, comecei a jogar, sempre tive essa ambição né de ta trabalhando na parte técnica depois que eu parasse de jogar. Quando eu tava no último ano, jogando aqui nos Estados Unidos em 2014 e eu parava de jogar em dezembro, em julho do mesmo ano já fiz a licença C da CBF. porque eu achava interessante, já tinha um plano de carreira eu já pensava nesse salto né eu não sabia quanto tempo ia ser.

Mas eu já imaginava que ia ser e os cursos da CBF estavam crescendo então era umas coisas que a gente como treinador tinha que pensar. Então foi uma das coisas que eu pensei. Mas desde criança, quando comecei a ficar um pouco mais velha 12, 13 anos eu já tinha aquela ideia de depois que eu parar de jogar eu vou vou seguir como treinador, vou seguir como auxiliar técnico, vou seguir como parte da comissão técnica.”

ESTADOS UNIDOS X BRASIL – ESTRUTURAS

Comparando o nível das suas passagens por Comercial, Batatais, Botafogo-SP, Francana, Union University, Alabama A&M e United Soccer, acredita que a estrutura dos Estados Unidos é a melhor em que já trabalhou?

“Comparando todas as estruturas que eu trabalhei, com certeza nos Estados Unidos. Estrutura física, campo, vestiário, sala de treinador, todas essas coisas não têm comparação no Brasil. Tanto que tinha pessoas do Brasil que vinham aqui para ver como é que era a estrutura para tentar levar. Pra você ter noção, em 2013 a gente tinha uns equipamentos na fisioterapia que o São Paulo mandou um cara do departamento médico deles para observar para comprar o equipamento.

Então são coisas que aqui estão bem na frente, mas assim, de todos os clubes que eu passei no Brasil sem sombra de dúvidas o Botafogo. Hoje está com uma estrutura muito boa, muito legal de ver o clube se revolucionando e hoje está numa série B do Brasileiro é uma coisa que me deixa muito contente. Porque quando a seleção da França teve em Ribeirão, eles deram uma atualizada nas instalações. Reformaram vestiário, reformaram gramado do Santa Cruz e isso é uma das coisas que realmente fez a diferença. No Botafogo a gente lembra do velho Santa Cruz, e hoje ainda mais depois que virou SA, reforma o estádio, trouxe empresas para o estádio e isso foi importantíssimo.

Mas em comparação de estruturas sem sombra de dúvidas, a estrutura aqui é uma das melhores, senão do mundo né, comparado ao nível europeu. Mas com certeza é melhor que o nível do que alguns clubes no Brasil, mas hoje também você vê o Corinthians R9, o Palmeiras na academia, já têm estruturas que times até europeus já também começa a olhar para isso. Ao nível que eu trabalhei, com certeza Estados Unidos também está muito à frente.”

ESTADOS UNIDOS X BRASIL – FORMAÇÃO PROFISSIONAL

O processo de base dos Estados Unidos deixa o jogador mais preparado a se tornar profissional do que no Brasil?

“Eu não concordo com essa afirmação. Acho que o processo de base aqui nos EUA ele prepara o jogador para ser um adulto e viver a vida com sua profissão. Não necessariamente vai preparar o jogador para ser um jogador profissional aqui você tem opções. O jogador pode pôr terminar os últimos anos na base dele jogando futebol Universitário, depois ele pode jogar a liga de verão e dentro disso as coisas podem encaminhar para ele.

Mas eu acho assim, o dia a dia de trabalho, o Brasil da um processo formativo claro, bem estruturado. Os clubes têm departamentos que fazem isso, até clubes pequenos, pequenos entre aspas. Clubes de menos estrutura, por exemplo, a Francana tinha um trabalho que querendo ou não tinha treinamento todo dia, que os atletas tinham responsabilidades que usavam uma camisa pesada que já tem história no futebol, que já teve ídolos no passado. Então é um processo formativo diferente é um processo no Brasil que visa preparar o jogador pra ser jogador nada mais do que isso.

Aqui não, aqui eles veem a vida, eles dão muito valor a jogador ter um diploma. O jogador ter ido pelo menos um ano na faculdade. Você vê atletas da NBA que são formados e tudo isso é um processo diferente. E o processo de categoria de base aqui é diferente, é um pouco mais complexos. São muitas ligas, são muitas opções que o jogador tem e a gente não pode esquecer que aqui nos Estados Unidos fundamentalmente é um esporte de elite. O futebol no Brasil é um esporte de camadas mais deficiência sociedade, é o jogador que sai lá da comunidade e tudo.

Aqui nos Estados Unidos é um esporte de Elite. Então os jogadores são o que a gente chama de pay to play, eles pagam para jogar. No Brasil é diferente, é o seu sonho, seu prato de comida, se você não vivenciar aquilo ali você não vai ter um futuro melhor. Sua família não vai ter um futuro melhor, é completamente diferente aqui.”

Foto Destaque: Divulgação/Arquivo Pessoal

Marcos Sibinel
Marcos Sibinel
Olá, me chamo Marcos Sibinel, tenho 23 anos e curso jornalismo na Anhembi Morumbi. Nunca tinha pensado em seguir uma carreira como jornalista, mas foi quando cursava Relações Internacionais que percebi que tinha uma vontade de trabalhar com esportes. Fui então pesquisando sobre o curso de jornalismo esportivo que surgiu um grande interesse, além de amar nosso futebol, tenho vontade também de fazer o outro futebol, o americano, crescer ainda mais aqui no Brasil. Foi então que decidi que queria jornalismo esportivo. Twitter: @masibinel / Instagram: @masibinel

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