Entre cifras e polêmicas: os percalços da liberdade do goleiro Bruno

O goleiro Bruno Fernandes, 32, ex-Flamengo e Bangu 2, acertou contrato com o Boa Esporte-MG na última semana. O acerto com o arqueiro acusado de ter mandado matar a amante Eliza Samudio repercutiu no Brasil inteiro. Grande parte da população é contra a volta do goleiro ao futebol, visto que, foi condenado a 22 anos e três meses de prisão. Mas, condenado apenas em primeira instância, ele recorre da sentença desde 2013 e, no dia 24 de fevereiro, o Supremo entendeu que ele passou tempo demais na cadeia para uma prisão preventiva, por isso, ganhou o direito de aguardar o julgamento do recurso em liberdade.

Após menos de 15 dias de liberdade acertou contrato com o Boa Esporte, clube mineiro que disputa a 2ª divisão do Campeonato Mineiro e Brasileiro. O clube sofreu uma enxurrada de críticas após a contratação, da imprensa, de torcedores do clube, ou não, e também de patrocinadores, que inclusive deixaram de patrocinar o time mineiro. O time perdeu os patrocínios do Grupo Gois & Silva, a Cardiocenter Varginha e a Nutrend Nutrition, além da fornecedora de seu material esportivo, a Kanxa. O site oficial do clube chegou a ser hackeado e teve informações sobre partidas substituídas por dados sobre feminicídio e questionamentos da associação das empresas ao jogador.

Para aumentar ainda mais as polêmicas, o jogador receberá o maior salário do clube. Serão cerca de R$ 30 mil mensais, além de possíveis bônus por participação e jogos. 

O jogador foi apresentado no dia 14 de março de 2017, vestindo a camisa com o patrocínio das empresas que já não patrocinam mais o clube. Em sua entrevista de apresentação, se negou a responder algumas perguntas como: “Você acha que é um bom exemplo para um pai levar seu filho ao estádio para ele aplaudir você jogar?” – e o goleiro se negou a responder essas e outras perguntas.

Claro que todos nos chocamos com a notícia do assassinato e esquartejamento a ex-amante e queríamos que ele cumprisse todos os 22 anos de prisão. Mas, já que a justiça decretou que ele deve aguardar o julgamento em liberdade, ele não pode ter uma segunda chance? Todos não temos uma segunda chance? Claro que ele deve pagar sua pena, mas se não existir uma nova oportunidade para um ex-presidiário, não vamos estar incentivando que eles voltam a cometer crimes?

Números do Ministério da Justiça mostram que a grande maioria dos presos aproveita a progressão de pena para o regime aberto para cometer novos delitos. O índice de reincidência é que para dez pessoas que ganham a liberdade, de sete a oito pessoas voltam para o crime. O secretário de Administração Penitenciária, César Rubens, diz que não é fácil ressocializar um preso:

“Não dá para um preso que cumpriu cinco ou seis anos e está em liberdade, reconstituir sua vida. A recuperação de um preso é mais complexa do que se pode imaginar”, disse ele. Para ter direito à progressão de regime, o preso precisa cumprir dois sextos da pena e ter um bom comportamento. Segundo o código penal, como o regime se baseia na autodisciplina e senso de responsabilidade do condenado, ele, mesmo sem vigilância, deve trabalhar ou estudar.

Queremos que Bruno cumpra sua prisão, mas conforme a legislação brasileira, ele pode cumprir em liberdade, por bom comportamento e dois sextos da pena cumprida e deve trabalhar. O que ele está fazendo de errado? Não está procurando um recomeço? Será que isso ocorre apenas pelo caso ser famoso e com um jogador famoso?

O clube divulgou uma nota oficial, assinada pelo presidente Rone Moraes da Costa, se defendendo das críticas. O comunicado diz que a oportunidade dada ao goleiro não representa “nenhum crime conforme a legislação brasileira e perante a lei de Deus”, e que o clube tenta “fazer justiça ajudando um ser humano”.

Qual sua opinião sobre o assunto? O preso que aguarda julgamento em liberdade deve trabalhar ou não deve trabalhar e correr o risco de voltar a cometer crimes?

Eric Filardi
Eric Filardi
Quando pequeno quis ser jogador. O sonho de criança passou. Uma vida nova se anseia. Bem-vindo ao melhor site de futebol. Bem-vindo ao Futebol na Veia. Sou Eric Filardi, paulistano de 27 anos, criado em Taboão da Serra, jornalista pós-graduado em Jornalismo Esportivo e apaixonado por futebol. Como todo jornalista amo escrever. Como todo brasileiro amo futebol. Tenho meu clube e minhas preferências, mas viso o profissionalismo e a imparcialidade, sem deixar de lado a criatividade. Sou Tricolor, Peixe, Palestra e Timão. Sou da Colina, Glorioso, Flu e Mengão. Sou brasileiro, hermano, francês e italiano. Sou Ghiggia, Paolo Rossi, Caniggia e Zidane. Sou Alemanha dos 7 x 1, mas que o povo não se engane. Também sou Ronaldo, Romário, Zico, Garrincha e Pelé. Sou Bundesliga, MLS, Eredivisie e Premier. Sou das várzeas e dos terrões. Sou Clássico das Multidões. Sou Sul, Nordeste, Amazônia e Pantanal. Sou Galo, Raposa, Bavi e Grenal. Sou Ásia e África. Sou Barça e Real. Sou as Américas, a Europa, sou o mundo em geral. Sou a festa nas arquibancadas que o estádio incendeia: sou Futebol na Veia.
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