Em terra de CR7 e Messi, Pelé é sobrenatural

Amantes de um bom futebol, que esperam ansiosamente por um lindo espetáculo, sintonizam suas televisões atrás de Lionel Messi, craque argentino, líder da Seleção argentina e ídolo máximo do Barcelona. O camisa 10, carinhosamente chamado de ”La Pulga”, ambiciona o 500º de sua carreira há duas partidas. Na primeira oportunidade, o cenário não poderia ser diferente: Camp Nou lotado, arquibancada em festa, clássico contra o Real Madrid. No super clássico da liga espanhola, Messi pouco fez e viu Cristiano Ronaldo brilhar, marcar o gol da virada e calar os 98.902 espectadores. Em sua segunda partida atrás da marca, outro rival como oponente. Messi tinha os comandados de Simeone pela frente. Mais do que isso, o placar era desfavorável e o Barcelona perdia para o Atlético de Madrid, novamente jogando em casa. Mas não se pode duvidar de Messi: na blitz imposta pelo clube culé, o argentino recebe cruzamento da esquerda e com a frieza que é de seu feitio, mata no peito e vira uma bicicleta. Os torcedores pararam por um momento, câmeras focalizavam a finalização em slow motion, Oblak – goleiro do Atlético de Madrid – apenas observou. A bola foi para fora. O estádio aplaudiu, mas o gol de número quinhentos não saiu. Neste sábado, o Barcelona entra em campo, fora de casa, contra a Real Sociedad, em partida válida pela 32ª rodada do Campeonato Espanhol. O Barcelona quer o título, Messi quer fazer história. 

Competindo com Messi pelo posto de melhor jogador da atualidade está Cristiano Ronaldo, capitão da Seleção portuguesa, astro do Real Madrid, maior artilheiro da história do clube e maior goleador da Liga dos Campeões na atualidade. Se Messi ambiciona o 500º gol, o gajo ostenta a marca de 534 em sua carreira. Seu último tento foi, nada mais, nada menos, contra o Barcelona, naquele mesmo jogo em que as arquibancadas estavam em festa e o Camp Nou estava lotado. Mas Cristiano Ronaldo não se importou com isso. O Real Madrid foi para cima como um rolo compressor, Bale cruzou da direita e a bola sobrou para o português. Em uma fração de segundos, todos ficaram apreensivos. Calma, calma… ele estava ali. A festa era pra Messi, mas o gajo calou o Camp Nou. O Real vem em terceiro, ainda sonha com o título, mas Cristiano quer mais, quer desbancar Messi. 

 No dia seguinte, jornais de todas as partes do mundo estampavam matérias comparativas, propondo a seguinte discussão: quem é melhor, Messi ou Cristiano Ronaldo?

 De um lado Messi, vencedor de cinco Bolas de Ouro – prêmio dado ao melhor jogador do mundo na temporada – e melhor jogador da Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil. Seu rival, Cristiano Ronaldo, coleciona três Bolas de Ouro, quatros chuteiras de ouro – prêmio dado ao artilheiro geral de todas as ligas contempladas pela Uefa. A discussão acerca da superioridade de um em relação ao outro é pertinente, mas interminável. Há quem defenda que Messi é gênio por natureza própria, talento nato, concedido pelos deuses do futebol. No outro extremo viria Cristiano Ronaldo, o atleta por excelência: explosão física, força muscular, arranque, potência. O argentino teria nascido pronto; o português seria fruto de determinação e treinos exaustivos. 

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 Os dados mostram um Cristiano Ronaldo mais efetivo pelo clube, com média de 1,04 gols por jogo, enquanto Messi supera CR7 por quantidade mínima quando atua pela Seleção. 

 No que se refere à preferência, este que vos fala é mais fã de Cristiano Ronaldo, talvez pelo fato de o português ser mais midiático – é o show man, marrento, garoto propaganda – e igualmente decisivo se comparado ao argentino. Mas todas as vezes em que defendo o português, em detrimento do argentino, La Pulga arranca, dribla cinco ou seis marcadores e na saída do goleiro, com enorme frieza, põe no barbante com uma cavadinha matadora. 

 Mas se me permitem incluir um nome nesta comparação, a fim de explicitar sua genialidade, citarei Pelé. Isso mesmo, Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé, maior atleta do século e talvez da história do futebol mundial. Cabe a pergunta: por que comparar Pelé com Messi e Cristiano Ronaldo ? Porque os dois competem dia após dia para ver quem possui mais prêmios individuais, quem faz mais gols, quem ergue mais taças. Messi tem 499 gols, Cristiano tem 534, mas Pelé tem 1282 gols, em 1375 jogos. O argentino e o português competem em uma época na qual as redes sociais alavancam ainda mais seus feitos. Cada gol anotado pelos craques roda o mundo inteiro. Por outro lado, só via Pelé quem estava no estádio. Os meios de comunicação eram incipientes. Alguém aí tem um vídeo do tão falado gol do Rei na Rua Javari? Alguém conhece os quatro jogadores que tomaram os chapéus de Pelé? Algum registro no Instagram? Messi possui um vice campeonato de Copa do Mundo, Cristiano Ronaldo chegou ao quarto lugar em 2006, Pelé foi três vezes campeão. Isso sem falar na transformação suis generis do futebol de lá para cá: chuteiras, gramados, bolas, uniformes, todos de primeira linha, aliados dos atletas do século 21, algo totalmente diferente da rotina de Pelé. 

Messi corre atrás do 500º gol, Cristiano Ronaldo ambiciona o 535º tento. São números impressionantes, sem dúvida. É de se aplaudir de pé o brilhantismo e a eficiência destes jogadores. Mas em termos de comparação, Messi teria que marcar 2,56 vezes mais gols para alcançar Pelé. Já Cristiano Ronaldo teria que ser 2,4 vezes mais eficiente. Isto é, não há comparação.

 Messi é gênio? Claro que é. Cristiano Ronaldo é gênio? Com certeza. 

 Mas em terra de Messi e CR7, Pelé é sobrenatural. 

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André Siqueira Cardoso
André Siqueira Cardoso
Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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