Elkeson, o rei da China

Há sete anos na China, Elkeson vem, a cada temporada, acumulando títulos e marcas expressivas individualmente. O atacante partiu para o outro lado do mudo no fim de 2012, após uma boa passagem pelo Botafogo naquela temporada. Hoje, na terra da grande muralha, já faturou cinco vezes o Campeonato Chinês, em duas oportunidades conquistou a Liga dos Campeões da Ásia e uma Supercopa. Além disso, se tornou o maior artilheiro da Superliga Chinesa e trocou de nome para se naturalizar chinês.

A 1ª PASSAGEM DE ELKESON NO GUANGZHOU EVERGRANDE

Revelado pelo Vitória e com passagem de destaque pelo Botafogo, Elkeson está na China desde 2013. Ano em que se transferiu ao Guanghzou Evergrande, por cerca de seis milhões de euros (16,5 milhões de reais na época). Após burocracias na transferência, estreou apenas em 8 de março pelo Tigre do Sul, onde marcou dois gols na goleada por 5 x 1 sobre o Nangchang Bayi. Pasmen, logo na rodada seguinte, marcou um hat-trick nos 3 x 0 do Evergrande contra o Jiangsu Suning. Ali começava a história do hoje, maior artilheiro da competição, que marcou 15 gols em seus primeiros 11 jogos.

Com o Guanghzhou se consagrando o campeão na Superliga Chinesa daquela temporada, Elkeson conseguiu ser o artilheiro da competição, com 24 gols em 28 partidas, além de 11 assistências. E o ano foi ainda melhor, já que na Liga do Campeões da AFC, marcou seis gols em seis partidas. Incluindo o gol do título, ajudando o Evergrande a conquistar o título inédito. Naquele ano, terminou a temporada com 38 jogos, 31 gols e 16 assistências, acumulando os dois principais títulos possíveis para um clube asiático.

Na temporada seguinte, consagrou-se pela segunda vez seguida o artilheiro da Superliga Chinesa com 28 gols em 28 partidas – além da artilharia isolada, conseguiu o bicampeonato nacional. Em 2015, com números mais modestos – apenas 10 gols em 28 jogos – e ausente em muitos jogos por conta de lesão, alcançou o tricampeonato  Chinês. Além de novamente conquistar a Champions League da Ásia, também marcando o gol do título.

ELKESON NO SHAGHAI SIPG

Em 21 de janeiro de 2016, o Guagzhou Evergrande acertou a venda de Elkeson ao Shanghai SIPG, por € 18,5 milhões (R$ 83,2 milhões). Dessa forma, se tornou a transferência mais cara do futebol chinês na ocasião. O até então brasileiro, assinou um contrato de quatro temporadas com o Red Eagles. No entanto, ao contrário de suas primeiras aparições no Evergrande, não obteve as mesmas conquistas em sua primeira temporada no SIPG. Um clube que foi profissionalizado em 2005, e que estreou na Superliga da China em 2013.

Dessa maneira, Elkeson fez parte desse crescimento da equipe no cenário nacional, tanto que, desde 2016, a equipe de Xangai disputa anualmente a Champions League da Ásia.  Mas o ‘rei da China' não poderia sair do clube sem conquistar um título e não foi diferente. Em 2018, o Shanghai SIPG venceu o seu primeiro título de expressão em sua história: o Campeonato Chinês. Apesar de não ter sido o fator decisivo na conquista, Elkeson deixou sete gols e quatro assistências na campanha épica dos Red Eagles.

O RETORNO AO EVERGRANDE

Após 54 gols, 30 assistências e um título inédito pelo Shaghai, retornou ao Guanghzhou no meio da última temporada, em julho de 2019. E podemos afirmar que o jogador não está nada arrependido, já que terminou a temporada conquistando mais um título chinês. Elkeson, com 10 gols e cinco assistências pelo Guangzhou, outra vez, foi importante na campanha de mais uma conquista pelo Tigre do Sul. Mesmo não sendo o protagonista – porque Paulinho foi o mais decisivo pela equipe na competição – somando suas primeiras atuações pelo SIPG, concluiu o campeonato com 18 gols.

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O CHINÊS AI KESEN

Dono de passaporte chinês, Elkeson agora faz parte dos planos da Associação Chinesa de Futebol, de tornar a seleção mais forte para tentar a classificação para a Copa do Mundo de 2022, no Catar. O atacante nascido no Brasil foi convocado pela China pela primeira vez quando o técnico Marcelo Lippi divulgou uma lista de 35 nomes pré-selecionados para treinamentos antes de confrontos contra Maldivas e Guam. E o atacante marcou contra ambas equipes, mas passou em branco diante da seleção de Filipinas e da Síria. Com isso, em quatro partidas pela Seleção Chinesa já soma três gols marcados.

Como esperado, Elkeson passa a ter um novo nome, de origem chinesa, por agora ter o passaporte do país, após renunciar à nacionalidade brasileira. Isso porque, a lei chinesa não permite dupla-nacionalidade. Sendo assim, o ex-jogador de Vitória e Botafogo passa a ser chamado de Ai Kesen. Na oportunidade, em sua conta oficial no Instagram, publicou uma mensagem de agradecimento aos chineses por todo o carinho que recebe no país desde 2013, quando foi contratado pelo Guangzhou Evergrande.

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ELKESON, O REI DA CHINA

Hoje, aos 30 anos, Elkeson é o 2º chinês melhor avaliado no mercado – 6 milhões de euros – segundo o Transfermarket, atrás apenas de Wu Lei, em 10 milhões de euros. Por outro lado, em seu clube, no Guangzhou, está no top 3, atrás de Paulinho – 35 milhões de euros, com 31 anos – e Talisca, avaliado em 28 milhões de euros, com 25 anos, ambos brasileiros do Tigre do Sul.

Ao todo, somando seus números individuais por Guangzhou Evergrande e Shanghai SIPG, o atacante Elkeson, Ai Kesen para os chineses, acumula 245 partidas. Onde marcou 140 gols – o que faz dele o maior artilheiro da Superliga Chinesa com 106 – além de 62 assistências. Por lá conquistou oito títulos: cinco Superligas, duas Champions da Ásia e uma Supercopa da China.

O camisa 18 do Evergrande tem vínculo com o clube até julho de 2023, e numa recente entrevista para a CBF afirmou que está feliz com seu atual momento e pretende cumprir o contrato. Com isso, ‘Ai Kesen‘, que já é querido por duas torcidas de clubes diferentes na China, terá ainda mais tempo para conquistar a população chinesa. Isso porque, além de ter sido influente, de forma positiva, no início vitorioso do Guanghzou na década, e conquistar um título épico com o SIPG, pode, ao lado Ricardo Goulart, fazer história com a Seleção Chinesa, que quer, de todas as formas disputar a Copa do Mundo no Catar em 2022 – a única participação dos chineses na Copa foi em 2002, quando caiu na chave do Brasil.

Foto em destaque: Reprodução Sina.com

Thiago Lopes
Thiago Lopes, 20 anos. Estudante de jornalismo - 6º semestre.

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