Éder Taino: o jovem que saiu do interior para ganhar a cidade grande

- Narramos um pouco da trajetória gloriosa da jovem promessa que fez sucesso no São Paulo da década de 80
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Quando falamos do futebol da década de 80, é comum escutarmos que o estilo de jogo era diferente dos dias atuais. Sobretudo, quem vivenciou a época, certamente defende seu passado. Do mesmo modo que a geração atual, defende seu presente.

Contudo, apesar da resenha, todos os jogadores tem algo em comum, que é o sonho em fazer história no futebol. Na nossa coluna Nostalgia Brasileira de hoje, iremos contar um pouco da trajetória gloriosa de Éder Taino, o jovem que saiu do interior paulista para ganhar a cidade grande.

O INÍCIO

Nascido na década de 60, na cidade de Taubaté, o menino Éder Taino Canavezi, começou cedo no futebol. De família tradicional italiana da colônia Quiririm, seu pai Taino Canavezi, e seu irmão, Toninho Taino, atuavam no Esporte Clube Taubaté, sendo assim, as grandes influências para que o jovem seguisse carreira nos gramados.

Sua história no futebol começou nas categorias de base da equipe taubateana. Posteriormente, com seu potencial destaque, a jovem promessa alçou novos vôos e fez um teste para atuar pelo Guarani e acabou por integrar a equipe. Porém, após algumas divergências de instalação por parte do Alviverde, sua passagem se encerrou antes mesmo de começar. De volta ao Taubaté, Éder revezou sua vida pessoal com a profissional e arrumou um emprego em um banco. Durante a semana, fazia suas obrigações cotidianas e aos domingos o que mais gostava, que era jogar bola.

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3º Tempo/Reprodução

A PARTIDA QUE DESPERTOU O INTERESSE DO TRICOLOR

No ano de 1980, os 19 anos, enfim sua carreira parecia engrenar, uma vez que o Taubaté, decidiu efetivar um contrato profissional. Desse tempo em diante, seu caminho parecia trilhar para um futuro promissor. Na equipe, atuou com grandes nomes da década, como Neca, Basílio e Carlos Alberto Garcia.

Apesar de não ser titular em todos os jogos, quando escalado, Éder fazia a diferença. Desse modo então que, durante uma partida do Taubaté diante o São Paulo, o rapaz foi surpreendido ao ser escolhido para substituir a lateral esquerda, deixada vaga pelo titular Paulinho. Na partida, ficou encarregado de marcar o ágil, Zé Sérgio, e acabou se destacando. Ao fim do duelo, com a vitória heroica por 1 x 0 do Burro Central, o treinador são-paulino na época, Carlos Alberto Silva, sinalizou a Éder o interesse em tê-lo no Tricolor para suprir o lugar de Getúlio, que estava de saída para o Atlético-MG.

A partir disso, 15 dias após o aviso prévio, dirigentes do São Paulo foram a Taubaté atrás da grande promessa. A principio, com uma proposta oficial, sua transferência parecia encaminhada. Sobretudo, na capital, Éder chegou a fazer exames e a dar entrevistas como jogador tricolor, mas sabendo do real interesse da equipe, a cúpula taubateana resolveu aumentar o valor do atleta, fazendo assim com que as negociações esfriassem e os tricolores acabassem por desistir.

VOLTA AO TAUBATÉ E IDA AO MATSUBARA

Com a negociação frustrada, Éder acabou voltando para o clube do interior. Todavia, a equipe parecia almejar grandes objetivos, em vista que fazia contratações de atletas que atuavam em grandes clubes brasileiros, como foi o caso do comandante, Claudio Garcia, ex- Flamengo. Simultaneamente, junto com o veterano, chegaram também Mandito, Déquinha e Antunes, todos atuantes do Rubro-Negro.

Com um elenco montado, Éder acabou dispensado e se transferindo ao hoje extinto, Matsubara. O clube recém-fundado, era uma grande aposta de empresários no mercado futebolístico, chegando a montar um elenco de ponta e se sagrar como o único time do interior a atuar com as grandes equipes paranaenses, inclusive chegando a ser vice-campeão do Campeonato Paranaense.

Em 1983, Éder retorna ao Taubaté e disputa o Campeonato Paulista. Apesar das boas atuações e contratações de destaque, a equipe não conseguia engrenar e corria o risco de ser rebaixada. No ano seguinte, novamente flertava com as últimas posições, mas durante um duelo contra o São Paulo, terminado em empate, o interesse em Éder se fez presente e a equipe resolveu reinvestir.

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3º Tempo/Reprodução

ENFIM, SÃO PAULO

Pouco mais de um mês, após demostrar um novo interesse, o Tricolor Paulista não quis saber de enrolação e tratou de trazer Éder Taino. Apesar do desejo em tê-lo no elenco, nos primeiros meses, houve-se uma certa dificuldade do atleta em se firmar, uma vez que Zé Teodoro, que havia chegado do Goiás, apossou-se da camisa 2. No ano de 85, Fonseca, o titular da posição de lateral-esquerda, se machucou e a partir disso, surgiu a tão sonhada oportunidade.

Conforme passavam as partidas, o jovem atleta ganhava confiança e se soltava cada vez mais em campo. Posteriormente, ao saber da notícia de que o São Paulo pretendia comprar 100% de seu passe, Éder que estava emprestado, se animou. Em 86, a equipe que desde o ano anterior, passava  por uma reformulação, chegou como um dos favoritos a faturar todos os campeonatos que disputasse. O elenco, a essa altura campeão paulista de 85, era um dos mais respeitados do Brasil, ainda mais pela chegada avassaladora da grande estrela, Paulo Roberto Falcão.

Ao todo, em sua passagem pelo São Paulo, Éder somou três títulos, sendo dois Paulistas (1985/87), e um Brasileirão (1986). Além de 76 partidas com a camisa são paulina, sendo 30 vitórias, 27 empates e 19 derrotas. Curiosamente, marcou apenas dois gols, mas com categoria em cima dos maiores rivais do Tricolor, Palmeiras e Corinthians. Na equipe ainda chegou a atuar por 34 partidas consecutivas, chegando a ser até o ano de 2017, um recordista em atuações regulares.

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COGITADO PARA A COPA DE 86

Se o objetivo de Éder Taino era sair de Taubaté e deixar sua marca no futebol, definitivamente, ele conseguiu. Com suas atuações de destaque no São Paulo, o jogador mais versátil da época, que as vezes se arriscava pela lateral direita, outras vezes pela esquerda, chegou a ser cogitado para a Copa do Mundo de 1986.

Para a imprensa, sua convocação era garantida, em vista que toda semana seu nome estava na Seleção da Rodada. Apesar do favoritismo por parte dos especialistas esportivo e dos torcedores, o técnico da Seleção Brasileira na época, Telê Santana, acabou por não convoca-lo. Além do Taubaté e São Paulo, Éder Taino ainda somou passagens pelo Athético-PR, onde ganhou o estadual paranaense e o Esporte Clube Quiririm. Atualmente, no auge de seus 60 anos, reside em sua cidade natal em Taubaté.

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Foto de destaque: 3º Tempo/Reprodução

Karine Valbusa

Sobre Karine Valbusa

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Jornalista em formação. Atualmente curso o 6° semestre em jornalismo pela Unicsul. Esporte sempre foi uma paixão, escrever foi um hobby descoberto. Desse modo, fiz do útil, agradável. Prazer, sou Karine Gomes 😉

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