E Donald Trump impactou o futebol…

Donald Trump, o milionário mais enlouquecido da política internacional é figura quase garantida diariamente nos noticiários de todo o mundo. Marcado por seu discurso radical, racista, misógino e conservador, o presidente dos Estados Unidos passou a influenciar negativamente também o futebol.

A relação de Trump com o futebol teve início em 2012. Na época, o Glasgow Rangers, popular clube escocês, 54 vezes campeão nacional, enfrentou uma gravíssima crise financeira que o levou à falência. O empresário estudou comprar o clube para reerguê-lo, mas desistiu por considerar que não fazia sentido. Na oportunidade, os Rangers recomeçaram na quarta divisão local.

A investida mais contundente veio, então, em 2015. Em uma parceria com o empreendedor italiano Alessandro Proto, dono da Proto Group, Donald Trump formalizou uma oferta para comprar o Atlético Nacional, atual campeão da Libertadores.

“Depois das análises que fizemos sobre vários clubes, o Nacional nos pareceu o melhor (…) estamos dispostos a investir para fazer do clube de Antioquia um dos melhores do mundo”, manifestou o porta-voz do Proto Group, em agosto de 2015, ao jornal El País, da Espanha.

Mais uma vez, Trump não logrou êxito em sua empreitada. A proposta, de US$ 100 milhões, foi negada pelo presidente da equipe, José Carlos de la Cuesta, que pediu US$ 150 milhões para vender o clube.

Desta vez, entretanto, o manda-chuva estadunidense impacta o futebol em decorrência de uma de suas polêmicas medidas governamentais: o veto na concessão de vistos para cidadãos de países considerados como ‘’berço do terrorismo’’.

Restringir a entrada de sírios, iraquianos, iranianos, libaneses, sudaneses e iemenistas pode, segundo o presidente da UEFA, Aleksander Seferin, inviabilizar a candidatura dos Estados Unidos para a Copa do Mundo de 2026.

‘’Se quiserem sediar a Copa do Mundo de 2026, os Estados Unidos terão que tomar cuidado com a política colocada em prática pelo país. Se jogadores não puderem viajar ao país devido a motivos políticos ou decisões populistas, então a Copa não poderá ser sediada lá. Isso vale para os Estados Unidos e para todos os outros países. É o mesmo para torcedores e jornalistas, é claro. É a Copa do Mundo. Eles devem estar aptos para irem ao evento, seja qual forem as suas nacionalidades. Mas esperamos que isso não aconteça’’, disse Ceferin. Não sediar o Mundial de 2026 frustraria os planos das entidades esportivas norte-americana de transformar a liga local em uma atração de primeiro escalão do futebol.

Por fim, Justin Meram, jogador da Seleção do Iraque, cidadão norte-americano, filho de pais iraquianos e atleta do Columbus Crew, da MLS, recusou a convocação para defender as cores de seu país em decorrência da política criada por Donald Trump que proíbe a entrada nos EUA de pessoas que tenham em seu passaporte registro de passagem por países considerados ameaças à ‘’integridade americana’’. Xenofobia pura.

Foto: Blog do Rafael Reis – UOL Esporte

“Eu adoraria estar ao lado dos meus companheiros nesses jogos, mas, devido a razões que fogem do meu controle, eu não participarei das próximas rodadas das eliminatórias da Copa do Mundo. Espero que isso não se torne um problema para meu futuro. Esse certamente não é um adeus da seleção. Espero voltar a representar meu país no futuro”, lamentou o atleta.

Donald Trump, a bomba-relógio em forma de chefe de Estado, além de causar repulsa por conta de seus discursos, parece empenhado em estragar planos e sonhos alheios.

 

André Siqueira Cardoso
André Siqueira Cardoso
Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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