Pelas semifinais do Mundial de Clubes da FIFA 2018, o River Plate não foi páreo para os árabes do Al Ain e caíram nos pênaltis. Todos viram o 1 x 0 logo no começo do jogo, aos três minutos, com gol do atacante sueco Marcus Berg, e imaginaram que seria só um susto, ou até o início de uma zebra. Porém, pouco mais de 10 minutos e o River Plate já havia virado a partida e deixado de lado a “zebrice”, com Borré marcando duas vezes. A superioridade durou, mas o jogo era equilibrado. Até que,aos 51’, o brasileiro Caio Fernandes marcou o gol de empate que levou a decisão para os pênaltis onde o time local ganhou por 5 x 4.

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Foi zebra?

Futebolisticamente falando, sim, pois era um clube de grande expressão sul-americana, vencedor e conhecido, contra o pequeno, inexpressivo e erroneamente tratado como fraco. Contudo, se formos falar de justiça, o River Plate nem deveria estar disputando este Mundial. Sendo ainda mais sincero, nem na final da Libertadores deveria ter chegado. Vamos aos fatos!

Fato 1 – Descumpriu norma da Conmebol

Seu técnico tinha sido punido pela Conmebol após o primeiro jogo contra o Grêmio pelas semifinais da Libertadores da América. O Tribunal Disciplinar da Conmebol informou que Marcelo Gallardo, além de multaao clube argentino por conta de infrações no jogo de ida da semifinal, na Argentina, o treinador não poderia comandar o time do banco de reservas na partida com o Grêmio e nem ter contato com eles durante a partida.

Porém, após a término do embate, informações de que Gallardo entrou no vestiário no intervalo da partida, mesmo com a punição, para motivar seu elenco a virada, algo agravado pelo fato de que o time argentino realmente reagiu e eliminou a equipe brasileira que, até então, vencia por 1 x 0 e estava se classificando. NÃO SOMENTE ISSO, imagens do técnico argentino em contato com o auxiliar por meio de rádio e da ação de seguranças do clube para impedir a entrada do delegado da Conmebol no vestiário, foram filmadas. Pós-jogo, o técnico do River Plate afirmou em coletiva para a imprensa que agiu por impulso e não tentou desafiar a Conmebol. O time argentino venceu o Grêmio por 2 x 1, com a virada após sua intervenção no vestiário. O comandante albiceleste tentou se explicar:

“Claramente, 48 horas ou três dias depois da partida, se tem tempo para, com mais tranquilidade, analisar o que foi o jogo. O que foi, em geral, os acontecimentos no Brasil depois de conseguir a classificação histórica pela maneira que foi. Não estou totalmente alegre, sobretudo para mim. De qualquer forma, queria esclarecer que o que eu disse depois do jogo, sobre ter ido no vestiário, transgredido uma norma regulamentária, acredito que teve mais a ver com emocional do que desafiar alguém. Eu não queria desafiar a Conmebol. Eu sempre estive convencido que era desagradável para os treinadores ter um ato de indisciplina”, falou o treinador que complementou: “Foi um ato de indisciplina da minha parte, não cumpri as normas, tenho que pedir desculpas à Conmebol, mas não foi uma postura de desafio, só como eu disse agora. Tenho tranquilidade. Me parece que não tem argumento algum para validar esta situação, que claramente conseguimos no campo. Mas isso é uma opinião pessoal, nada mais que isso”, finalizou.

Fato 2 – Punição pífia

Emocionalmente ou não, o técnico não deveria ter nem acesso aos vestiários da partida, diferente do que foi. Não é de hoje que a Conmebol é conivente com absurdos no futebol sul-americano e parece estar longe de resolver tais situações! O técnico foi punido pelos quatro jogos seguinte do River em competições da Conmebol: no primeiro não pode sequer ingressar no estádio e nos demais estará suspenso, mas pode, de leve, entrar no vestiário para trocar uma ideia com seus atletas, sem compromisso além do pagamento de multa no valor de US$ 50 mil (cerca de R$ 184 mil). Punição pífia para quem ganhou uma “mãozinha” do treinador suspenso e, claro, da entidade, esta que deixou de cumprir suas normas e regulamentações para apoiar a equipe da Argentina. Porém, quando é um jogador brasileiro irregular na Chapecoense ou no Santos, a equipe perde pontos e é eliminada. Quando o zagueiro Dedé, do também brasileiro Cruzeiro, dá uma cabeçada, nitidamente sem intenção, no rival, mesmo com uso do VAR (árbitro de vídeo), é expulso e sua equipe sofre mais um gol, dificultando a reversão no jogo de volta, causando outra eliminação, esta frente ao Boca Juniors, rival do River na final. CREDIBILIDADE ZERO ABALADA IRRESPONSABILIDADEDESORGANIZAÇÃO MAU EXEMPLO!

Fato 3 – Jogador irregular

O River Plate utilizou na competição um jogador que precisava cumprir duas partidas de suspensão por conta de uma expulsão em 2013. Mas a Conmebol, diferente do que aconteceu no episódio de Chape e Santos, a entidade assumiu a culpa e informou que o clube argentino não seria penalizado. O caso: o argentino Bruno Zuculini foi expulso no dia 28 de agosto de 2013, quando defendia o Racing, numa partida contra o Lanús, pela Sul-Americana. Pegou quatro jogos de gancho, mas, com uma anistia dada em 2016, a pena caiu para dois.

O River Plate consultou oficialmente a Conmebol antes de escalar Zuculini e recebeu o aval para tal. A entidade assumiu a culpa, tratando como um “erro administrativo”. O Santos, por sua vez, confiou unicamente no sistema Comet, que dizia que Sánchez tinha condições de jogo. Ou seja, não procurou diretamente a Conmebol. Nenhum dos adversários do River Plate apresentou denúncia dentro do prazo estipulado no regulamento, que é de 24 horas. Diferente do Independiente, que acusou a irregularidade de Sánchez logo depois da primeira partida das oitavas da Libertadores. Mesmo assim, Conmebol com dois pesos e duas medidas.

Fato 4 – Violência antes do 2º jogo da final da Libertadores

Devido à violência por parte dos torcedores do River Plate frente ao ônibus que transportava os jogadores do arquirrival, Boca Juniors, até o estádio Monumental de Núñez, onde aconteceria o segundo confronto, vários jogadores do Boca se machucaram por estilhaços dos vidros quebrados do ônibus, devido as pedras arremessadas, ou pelo uso de gás lacrimogêneo, por parte da polícia para tentar dispersar os exaltados torcedores do River. Os arredores do estádio mais parecia cenário de guerra. A final teve de ser adiada e disputada em Madri, uma vergonha!

Quer mais? Acompanhado o presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, de assessores e cartolas da América do Sul, o presidente da FIFA, o italiano Gianni Infantino, teve que passar por um “corredor polonês” formado por torcedores do River, na Argentina, no caminho entre o estacionamento VIP e o portão pelo qual as autoridades entram no estádio Monumental de Núñez.Os dirigentes foram xingados e houve quem tentasse cuspir neles. Nem o forte esquema de segurança conseguiu desencorajar quem queria hostilizar os cartolas.

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Então, afirmo: não foi merecido que chegassem à final da Libertadores e muito menos que fossem campeões. Contudo, a eliminação para o modesto Al Ain, fora, sim, merecida!

Eric Filardi
Quando pequeno quis ser jogador. O sonho de criança passou. Uma vida nova se anseia. Bem-vindo ao melhor site de futebol. Bem-vindo ao Futebol na Veia. Sou Eric Filardi, paulistano de 27 anos, criado em Taboão da Serra, jornalista pós-graduado em Jornalismo Esportivo e apaixonado por futebol. Como todo jornalista amo escrever. Como todo brasileiro amo futebol. Tenho meu clube e minhas preferências, mas viso o profissionalismo e a imparcialidade, sem deixar de lado a criatividade. Sou Tricolor, Peixe, Palestra e Timão. Sou da Colina, Glorioso, Flu e Mengão. Sou brasileiro, hermano, francês e italiano. Sou Ghiggia, Paolo Rossi, Caniggia e Zidane. Sou Alemanha dos 7 x 1, mas que o povo não se engane. Também sou Ronaldo, Romário, Zico, Garrincha e Pelé. Sou Bundesliga, MLS, Eredivisie e Premier. Sou das várzeas e dos terrões. Sou Clássico das Multidões. Sou Sul, Nordeste, Amazônia e Pantanal. Sou Galo, Raposa, Bavi e Grenal. Sou Ásia e África. Sou Barça e Real. Sou as Américas, a Europa, sou o mundo em geral. Sou a festa nas arquibancadas que o estádio incendeia: sou Futebol na Veia.
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