A diplomacia do futebol paulista em 2015

Em meio a uma das piores crises do futebol brasileiro, com falta de qualificação dos clubes, erros excessivos de arbitragem e escândalos envolvendo a alta cúpula da CBF, os quatro grandes de São Paulo viveram no ano de 2015 uma relação mista, repleta de amor e ódio. Essa curiosa relação, que envolve polêmicas e brigas dentro e fora de campo, mas também demonstrações de respeito, cumplicidade e afeto, não é vista em nenhuma outra região do Brasil, e exemplos não faltam para ilustrar a complexa realidade diplomática dos paulistas:

Paz

Palmeiras e São Paulo, por exemplo, recentemente reataram suas relações diplomáticas, que estavam abaladas desde 2014, quando o Ex-Presidente Tricolor Carlos Miguel Aidar ofereceu o “choro livre” para Paulo Nobre além de afirmar existir um processo de “apequenamento” dentro do Palmeiras, pelo clube não ter, na época, chegado a um acordo financeiro com Alan Kardec e este ter trocado o Palestra Itália pelo Morumbi. Vale ressaltar que a paz entre as duas diretorias só foi possível graças a renúncia de Aidar à presidência do clube, ocupada atualmente por Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco.

Já o Corinthians, com dinheiro em caixa por conta da venda de Jadson para o futebol chinês, tem condições de pagar à vista os R$ 4 milhões que o Al Nassr (Emirados Árabes) pede para liberar o meia Marquinhos Gabriel, entretanto, ao invés de “atravessar” o Santos, o clube já avisou o presidente Modesto Roma Jr que esperará a posição final do Peixe (desistência ou aquisição do atleta) para então negociar com o time árabe.

Caso parecido ocorreu em junho de 2015. Paulo Nobre assumiu de forma pública o interesse do Palmeiras em Paolo Guerrero, que ainda era atleta do Corinthians. O mandatário alviverde, que tinha condições de pagar aquilo que o centroavante pedia (U$ 10 milhões como premiações e luvas e salário de R$ 600 mil), telefonou para Mário Gobbi, então presidente corintiano, e afirmou que apenas negociaria com o peruano com aval da cúpula alvinegra, o que nunca veio a ocorrer, mas serviu para estreitar a relação política entre os arquirrivais.

Santos e São Paulo também já estiveram em pé de guerra político. A polêmica saída de Paulo Henrique Ganso do Peixe para sua consequente vinda ao Tricolor em 2012 gerou mal estar diplomático entre as diretorias, que hoje tem bom relacionamento e discutem o possível retorno de Ganso à Vila Belmiro.

Palmeiras e Corinthians protagonizaram o mais recente episódio diplomático. Semana passada o Palmeiras manifestou interesse em Edu Dracena, reserva de Felipe e Gil no Corinthians, que ao invés de dificultar a vida do rival (que também disputará a Libertadores), encerrou seu contrato de forma pacífica para o zagueiro se transferir ao Palestra Itália.

Guerra

No início de 2015, Corinthians e São Paulo travavam disputa ferrenha por Dudu. O Alvinegro já tinha acertado salários, enquanto o Tricolor procurava cobrir a oferta, quando o Palmeiras, em um prazo inferior a 48 horas, selou acordo com o atacante, dando um verdadeiro “chapéu” em seus dois irmãos de Estado, em caso amplamente ironizado pela torcida palmeirense e pelo próprio Dudu. Ambos os clubes reclamaram da ausência de fair-play político do Palmeiras.

No campeonato paulista desta temporada, Palmeiras e Corinthians fariam o clássico dentro do Allianz Parque. Paulo Nobre determinou, por questões de segurança, que o Derby Paulista seria jogado sem torcida adversária, e não enviou a tradicional carga de 10% dos ingressos para o rival. Revoltado, o presidente Mário Gobbi jurou não mandar o Corinthians a campo caso a Fiel não pudesse comparecer, além de levar o caso á Justiça. Deu resultado: o Corinthians (que venceu por 1×0 seu maior rival) teve o apoio de sua torcida nas arquibancadas do estádio alviverde.

A final da Copa do Brasil também gerou polêmicas. Na partida de ida, Ricardo Oliveira incitou a raiva dos jogadores do Palmeiras após comemorar seu gol com desdém, ironizando a defesa e o goleiro Fernando Prass. Na partida de volta, após conquista heroica, os palmeirenses deram o troco, comemorando com máscaras que retratavam a careta de Ricardo Oliveira ao anotar o gol além de entrevistas polêmicas concedidas por Rafael Marques e Robinho, que colocavam em dúvida o caráter e a índole do camisa 9 santista.

A relação de amor e ódio entre os quatro grandes de São Paulo é antiga e não se encerrará enquanto houver futebol no Sudeste. Contudo, em 2015 houve uma melhora significativa no tratamento publico entre as diretorias dos respectivos clubes, que agora conseguem negociar e se comunicar em níveis aceitáveis, o que não acontecia antigamente. A tendência é que em 2016 ocorram novos conflitos, mas que a boa relação diplomática prevaleça.

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Vinícius Deguar
Jornalista de 23 anos e estudante de Comunicação Social na UNG/SP, escrevo para o Site Futebol na Veia desde novembro de 2015 e sou especializado no núcleo do futebol paulista, cobrindo principalmente o cotidiano dos quatro grandes do estado de São Paulo. Aprendi como um time deve jogar bola vendo o Barcelona holandês-catalão de Cruiff, Rijkaard, Davids, Overmars e cia. limitada. Possuo o futebol em minhas veias desde criança. Contato: viniciusdeguar@aim.com

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