Ao relembrar a Copa do Mundo de 1986, logo vem a mente a brilhante campanha de Maradona, que levou a Seleção Argentina ao bicampeonato mundial. Contudo, a Coluna Marcas da Copa desta terça-feira (23), irá te contar sobre uma notória equipe nórdica, que estreava no torneio. Desse modo, a Dinamarca chegou ao México como zebra, visto que, havia caído em um grupo composto por dois bicampeões mundiais. Porém, encheu os olhos do mundo com um futebol tático, agressivo e revolucionário, que lhe rendeu a alcunha de Dinamáquina.

Dinamáquina Euro 84
Imagem: Getty Images

PRINCIPAIS DESTAQUES

Em síntese, boa parte do sucesso da Dinamáquina vinha da beira do campo, mais precisamente da casamata, onde ficava o Sepp Piontek. O alemão, visto por muitos como um dos grandes revolucionários do futebol mundial, se fez notar ao emplacar o esquema 3-5-2. Dessa maneira, retirou um defensor e recheou o meio campo com habilidosos atletas. Entretanto, para tal esquema dar liga, foi necessário uma espinha dorsal que misturava experiência, entrosamento e juventude. Desse modo, como pilar do trio defensivo, o líbero e capitão Morten Olsen, eleito o Jogador Dinamarquês do Ano em 1983 e 1986. Na sequência, um talentoso meio-campo composto por Soren Lerby, Frank Arnesen e Jesper Olsen, que jogavam juntos no forte Ajax.

Junto ao trio, Klaus Berggreen, que atuava na Itália, compunha a linha que funcionava como uma engrenagem. Para que assim, a Dinamáquina, sempre muito voluntariosa, pudesse ser criativa, ofensiva e constantemente surpreender seus adversários. Por fim, e de total importância, uma dupla fatal. Composta por, Michael Laudrup, meia-armador e jovem promessa da Juventus, que futuramente se tornaria o melhor jogador da história da Dinamarca. E Preben Elkjaer Larsen, a grande estrela, o astro que havia sido campeão italiano pelo Hellas Verona na temporada 1984-85 e, que ficoyo no pódio do prêmio Bola de Ouro por dois anos seguidos.

Dinamáquina
Imagem: Blog Três Pontos

FASE DE GRUPOS

De antemão, o esquadrão nórdico conseguiu a vaga para a sua primeira Copa do Mundo através d0 1° lugar no Grupo 6 das Eliminatórias Europeias. Os atletas de Sepp Piontek somaram 11 pontos em oito jogos, onde triunfaram cinco vezes, empataram uma e perderam duas. De volta ao Mundial, tudo começou com um indigesto sorteio, que colocou o plantel no Grupo E. Composto por duas bicampeões mundiais, Alemanha Ocidental e Uruguai, e pela Escócia, que disputaria sua quarta copa consecutiva.

DINAMARCA 1 X 0 ESCÓCIA

Desde já, a estreia aconteceu diante dos escoceses. Na época, o elenco era comandado pelo futuro maior técnico da história do Manchester United e um dos melhores da história do futebol mundial, Sir Alex Ferguson. Porém, tinha pouco material humano para figurar entre os favoritos. Dessa forma, a Dinamarca dominou o duelo do primeiro ao último minuto. Entretanto, devido à tensão da estreia e falta pontaria para finalizar as jogadas, deixou a partida tensa. Finalmente, aos 12 minutos da etapa final, Elkjaer driblou o rival, invadiu a área e bateu na saída do goleiro, dando números finais ao jogo.

Dinamarca x Escócia
Imagem: Getty Images

DINAMARCA 6 X 1 URUGUAI

Ademais, na partida seguinte, o time confrontou o Uruguai, rival muito mais complicado que a pequena seleção do Reino Unido. Visto que, os sul-americanos eram os atuais campeões da Copa América e precisavam se recuperar após o empate na estreia diante da Alemanha. Assim que a bola rolou,  pouco tempo se passou até que Elkjaer abriu o placar. Em seguida, Miguel Bossio foi expulso e deixou a Celeste Olímpica com um atleta a menos. Na reta final da etapa inicial, Soren Lerby ampliou para a Dinamáquina. Ainda, no último minuto do 1° tempo, Enzo Francescoli descontou.

De volta do intervalo, a Dinamarca dominou completamente o confronto e não deu a mínima chance para os uruguaios reagirem. Assim, logo após o recomeço do jogo, Michael Laudrup ampliou o placar. Pouco depois, Elkjaer fez o que seria inimaginável, marcou mais dois gols, seu terceiro na partida e o quarto na copa. Por fim, nos últimos minutos da partida, Jesper Olsen anotou o sexto e fechou o duelo.

Dinamáquina x Uruguai
Imagem: Getty Images

DINAMARCA 2 X 0 ALEMANHA

Enfim, a última partida da Fase de Grupos, diante do adversário mais complicado e o grande favorito ao primeiro lugar do Grupo E, a Alemanha Ocidental. Desse modo, com todos os holofotes direcionados à partida, em principal aos nórdicos após o fantástico 6 x 1. Todos assistiram novamente uma seleção imponente , que não mudava sua maneira de jogar, sem importar qual fosse seu rival. Dominante, abriu o placar somente aos 44 minutos da etapa inicial, com Jesper Olsen, de pênalti.

Posteriormente, a Dinamáquina ampliou na metade do 2° tempo. Após contra-ataque rápido, Frank Arnesen invadiu a área e tocou para John Eriksen, que havia entrado na vaga do craque Elkjaer, apenas desviar para as redes. Ainda mais, nos últimos instantes do confronto, Arnesen foi expulso.

Dinamarca x Alemanha
Imagem: Getty Images

A FRUSTRAÇÃO

DINAMARCA 1 X 5 ESPANHA

Em primeiro lugar, vindo de um grupo caracterizado como “Grupo da Morte“, com uma campanha perfeita, a Dinamáquina comandada por Sepp Piontek, mostrou um futebol encantador, que lhe rendeu não apenas três vitórias consecutivas. Como também, nove gols marcados e apenas um sofrido, sendo ele, de pênalti. Nesse ínterim, era lógico que, além dos holofotes, os nórdicos também carregariam um notável favoritismo. Não somente sobre seus adversários, mas também, o de candidato a conquistar a Copa do Mundo.

Desse modo, na oitavas de final, o adversário era a Espanha. Logo, o duelo podia ser considerado uma revanche após a acirrada batalha que culminou na eliminação escandinava na Eurocopa, dois anos antes. Do mesmo modo, assim como na Euro 84, os dinamarqueses saíram na frente, com Jesper Olsen, cobrando pênalti. Contudo, no final do 1° tempo, após lambança da defesa, Butragueño igualou o marcador. Na etapa final, ao inverso dos outros confrontos, o time foi completamente dominado. Assistiu à Butragueño virar o jogo, Goikoetxea ampliar de pênalti e novamente “El Buitre” marcar mais duas vezes e decretar o fim do sonho Viking.

Ainda assim, mesmo diante de uma eliminação precoce, a Dinamáquina de 86, entrou para história das Copas do Mundo. Juntamente com outras seleções que marcaram época, assim como, o Brasil de Telê Santana em 82, o Carrossel Holandês de 74, entre outras que, embora não tenham erguido o troféu, levaram alegria e apresentaram um futebol cativante e revolucionário. Ademais, ao fim do mundial Preben Elkjaer Larsen, ficou com o prêmio Bola de Bronze e, ao lado de Jorge Valdano, Alessandro Altobelli e Igor Belanov levou a Chuteira de Bronze, por marcar quatro gols.

Dinamarca x Espanha
Imagem: Getty Images

Foto Destaque: Reprodução/Getty Images

Leonardo Oliveira
Leonardo Oliveira
Sou Gaúcho, tenho 21 anos e estudo Jornalismo na Universidade Federal de Pelotas, além disso, como grande aficionado a área esportiva, não consigo imaginar nada que me deixe mais realizado do que falar sobre futebol.

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