A parceria entre Diego Simeone e o Atlético de Madrid é tudo menos recente. Assim, o argentino vestiu a camisa da equipe madrilenha como jogador em 1994 e permaneceu durante três anos. Nesse período ele viveu a sua melhor fase como atleta profissional, tendo conquistado um Campeonato Espanhol e uma Copa do Rei pelo Atleti. No entanto, 15 anos depois, o bom filho retornou a sua casa e iniciou uma revolução como treinador do lado colchonero de Madrid.

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O ATLETI ANTES DE SIMEONE

Antes da chegada do Simeone, o Atlético de Madrid atravessava momentos críticos. Desse modo, o clube tinha crises administrativas, acumulava jejuns e vexames, além de já ter jogado até a Segunda Divisão Espanhola. Enquanto isso, o Real Madrid, seu maior rival, vivia a era Galática, e o Barcelona, sua ascensão com Ronaldinho. Entre 1997 a 2014, houve apenas uma temporada em que o clube colchonero entrou na Champions League, em 2008-09. Durante os quatro anos seguintes, apenas participou da Europa League, porém, com dois títulos, um deles, em 2012, já com Simeone no comando.

CHEGADA DO TREINADOR

Nesse sentido, o Atlético de Madrid passava por todos esses problemas, tinha acabado de ser eliminado da Copa do Rei e três dias antes tinha sido derrotado pelo Betis na La Liga, resultado que o deixou a quatro pontos da zona de rebaixamento, estando na 10ª colocação. Dessa maneira, os torcedores, revoltados, exigiram uma mudança para o presidente Enrique Cerezo. Assim, ele demitiu Gregorio Manzano, antigo técnico, e depois convocou os torcedores a votarem em seu sucessor, que foi o que resultou na contratação de Diego Simeone como o novo treinador, em 23 de dezembro de 2011.

Simeone até então era apenas uma aposta. O treinador estava no Rancing, da Argentina, e já tinha conquistado o Torneio Apertura de 2006 com o Estudiantes e o Clausura de 2008 com o River Plate. Porém, apesar de já ter prestígio em seu país, ainda não tinha se provado na Europa. Logo, não era de se imaginar a revolução que o El Cholo levaria para o futebol rojiblanco. Prova disso é que assim que o jornal ‘Marca' confirmou a chegada do técnico, o primeiro comentário foi: “Com este vão à descida. Vem pelo dinheiro só…” Ele estava completamente enganado. O argentino assumiu uma equipe com um dos piores orçamentos da Espanha e fez do Atleti um dos melhores times europeus.

Jornal Marca publica a oficialização de Diego Simeone como treinador do Atleti

A ASCENSÃO

Simeone chegou à Espanha no período em que Pep Guardiola encantava o mundo com o tiki-taka no Barça. No entanto, esse fator não foi motivo para deixá-lo inseguro. Pelo contrário, montou a sua filosofia de jogo, que apesar de diferente, trouxe resultados. Inclusive, a ascenção do Atlético de Madrid sob os comandos de Diego, foi importante para acabar com a bipolaridade e domínio apenas do Barcelona e Real Madrid no futebol espanhol.

Nesse sentido, na chegada do técnico, o Atleti apenas competia a La Liga, estando no meio da tabela, e havia se classificado para os mata-matas da Europa League. Logo, Simeone conseguiu ajudar a equipe a entrar na zona de classificação para competições europeias e fez uma campanha surpreendente no torneio continental, conquistando o primeiro troféu pelo time rojiblanco. Assim, o triunfo da Liga Europa permitiu o Atlético de Madrid disputar a Supertaça Europeia contra o Chelsea, vencedor da Champions League. Na oportunidade, os Colchoneros derrotaram a equipe inglesa por 4 x 1. A partir daí, a figura do El Cholo começou a despertar paixão entre jogadores, torcedores, além da admiração até dos rivais.

EQUIPE ESTÁVEL

Embora o início tenha sido promissor, não era imaginado que na temporada seguinte a continuidade seria dada e que o Atlético de Madrid seria consagrado definitivamente. Desse modo, a equipe mais popular de Madrid se transformou no terceiro na disputa com o Real e Barça, e ousou até derrotá-los. A equipe colchonera enfrentou o seu maior rival no Santiago Bernabéu, na final da Copa do Rei, e o derrotou por 2 x 1, quebrando um tabu de 14 anos sem vencer nenhum jogo contra o Real Madrid. Para encerrar a campanha de 2013/2014 com chave de ouro, o Atleti se tornou o grande campeão da La Liga. Esse foi o primeiro título nacional desde 1995-1996, temporada na qual o próprio Simeone fez parte do elenco como jogador.

Simeone e jogadores durante a conquista da La Liga (Foto: Reprodução/Manu Fernandez/AP)

O RETORNO À CHAMPIONS

Com Simeone, o Atlético de Madrid foram à decisão da Champions League pela primeira vez em 40 anos, deixando vários favoritos pelo caminho. Inclusive, o Barcelona, um dos seus rivais espanhol. Na final, enfrentou o Real Madrid, em um derby em que o Atleti começou vencendo, mas tomou o empate e no final, terminou em 4 x 1 para a equipe blanca. Entretanto, três meses depois, se vingou quando conquistou a sua segunda Supertaça Espanhola contra o Real. Porém, a grande decepção foi perder novamente na final da Champions em 2015, de novo contra o maior rival, após estar vencendo e levar a virada.

O ESTILO DE JOGO

O Atlético de Madrid se tornou um dos times mais difíceis de serem batidos na Europa graças a Diego Simeone. Dessa maneira, o seu jogo de luta, defesa da bola e contra ataque vai para um lado totalmente oposto do habitual. No entanto, trouxe incríveis resultados, são cinco títulos durante esses anos, incluindo uma Liga Espanhola após 20 anos. Além disso, vale lembrar que a equipe disputou duas finais consecutivas da UEFA Champions League, que apesar de ter perdido, pode ser considerada a única mancha em um trabalho bem feito. Sendo assim, Simeone fez uma equipe temida, intensa e dedicada.

Foto destaque: Reprodução/Reuters

 

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Ayana Santana
Uma baiana de 19 anos, estudante de jornalismo no Centro Universitário Jorge Amado, amante do futebol e do Esporte Clube Bahia. Encontrou no jornalismo a junção de duas paixões: a escrita e o esporte.

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