O craque Diego Maradona era muito polêmico fora das quatro linhas, mas dentro delas era um fenômeno. Sem sombra de dúvidas, foi um dos grandes jogadores que o futebol já teve. O baixinho era muito técnico, tinha um arranque invejável e era um camisa 10 clássico. Atualmente, atletas com seu estilo de jogo estão cada vez mais raros. Infelizmente, na tarde desta quarta-feira (25), foi notificado da morte do El Diez. Dieguito foi o maior argentino de todos os tempos, para os Hermanos. Lionel Messi tem uma grande carreira e já é um dos maiores de todos os tempos, no entanto nunca fez muito por seu país. Por outro lado, o ex-jogador foi um ídolo nacional e venceu uma Copa do Mundo. A Coluna Rasgando o Verbo conta sobre a  grande trajetória do gênio.

A HISTÓRIA DE DIEGO MARADONA

Diego Armando Maradona com nove anos já apresentava um talento diferenciado. Aos nove anos, seu talento com a bola já o fazia ser a criança mais popular da favela em que morava, no subúrbio de Buenos Aires. Entretanto, ainda não jogava em nenhum clube. Até que um colega passou no teste do Argentino Junior e falou para o treinador que garoto ainda melhor. O treinador das categorias de base do pequeno clube da capital, Francis Cornejo, pagou 10 pesos para esse garoto convidar Dieguito para um teste.

Francis se impressionou com o talento de Maradona, mas não acreditou que ele tinha apenas nove anos. Com isso, o treinador e outros observadores do time voltaram com o garoto até a sua casa e pediram para sua mãe deixar eles verem os  documentos do craque. A comissão técnica se assustou que a joia tinha apenas nove anos e convenceu seus pais a deixar ele ir para o Argentinos Junior. Portanto, quando era criança, ele já impressionava. A Sementeira do Mundo não é um time grande na Argentina, no entanto sempre revela grandes talentos.

O GAROTO VINGOU

O jovem apareceu como um cometa, impressionando a todos. Ele demonstrava um repertório completo e uma mágica perna esquerda. Em 1978, Diego Maradona foi convocado para a Copa do Mundo, no entanto foi cortado de forma polêmica. O Diez foi artilheiro do Campeonato Argentino neste ano. O craque estava em uma crescente e em 1979 foi o maior marcador tanto do argentino quanto do Torneio Metropolitano.

A joia era ascensão e em 1980, repetiu a dose de 79. Além disso, conseguiu levar o Argentino Juniors ao vice-campeonato em 80, até então a melhor campanha do clube na competição. Dieguito com apenas 20 anos já era o ‘Rei da América‘ e alvo do poderoso Boca Juniors. O camisa 10 nunca escondeu ser torcedor dos Xeneizes, portanto não tinha como recusar uma proposta da equipe. O Argentinos Juniors mudaram o nome de seu estádio para Diego Armando Maradona, uma homenagem por tudo que o craque fez pelo time.

O Boca estava sem vencer os títulos argentinos desde 1976. Logo em seu primeiro ano no clube, o Pibe de Oro liderou o plantel na conquista do Torneio Metropolitano. O baixinho teve duas passagens pelo Bicho Papão da América. A primeira foi essa que durou apenas até 1982 e a outra foi no final da carreira. Diego é o maior ídolo da história de seu clube do coração. Portanto, ele conquistou seu sonho de infância.

Diego Maradona
Reprodução/ Instagram/ Luana Maluf

DIEGO MARADONA CHEGAVA À EUROPA

O craque já era uma ascensão na América, mas nem todos do Velho Continente o conheciam ainda. Como muitos antigos diziam, “as informações vinham de barco”. Entretanto, Dieguito demorou um pouco para se adaptar à Europa.

O Barcelona foi a 1ª equipe de Maradona na Europa. O craque marcou 38 gols em 58 jogos pelo clube Culé. Sua passagem durou duas temporadas apenas, porque o argentino sofreu com problemas de saúde e teve alguns problemas com a diretoria. Primeiramente, na 1ª temporada sofreu com de hepatite e ficou três meses fora. Na época seguinte, fraturou o tornozelo esquerdo em entrada forte do adversário, ficou 106 dias fora.

A Diretoria do Barça teve diversos problemas com o Pibe de Oro. Quando ele chegou na Espanha, o clube contratou alguns funcionários argentinos para ajudar Diego na adaptação, no entanto isso acabou deixando o craque fechado em um ciclo de amizade com seus contemporâneos. Com isso, ficou mais difícil de se adaptar ao grupo. Além disso, teve diversos conflitos com o jogador, por conta de problemas extra-campo.

Por outro lado, a passagem de Diego Maradona também contou com bons momentos. O camisa 10 foi decisivo na conquista da Copa do Rey de 1982-83, fazendo dois gols em pleno Santiago Bernabéu e foi aplaudido pelos rivais. Além dessa conquista, venceu uma Supercopa da Espanha e uma Copa da Liga Espanhola.

NÁPOLES PASSARIA A TER UM NOVO REI

Maradona tinha um relacionamento terrível com a diretoria culé e após surta com a equipe após uma derrota na final da Copa do Rey de 1983-84, gerou uma confusão generalizada entre os jogadores. A postura de Dieguito fez com que ele sofresse três meses de punição, dada pelo próprio Barcelona. Como a situação não estava nada favorável, o Barça aceitou vende-lo para o pequeno Napoli.

O plantel de Nápoles era tradicional, mas era pequeno comparado a Milan e Juventus. Diego Maradona chegava para dar “outra cara” para o time. Na primeira temporada, o clube ficou apenas em oitavo, mas somente dez pontos atrás do campeão Verona. Na segunda, a de 1985–86, conseguiu um terceiro lugar. Sua terceira época começou com ele já consagrado em todo o planeta, com a conquista da Copa do Mundo de 1986. E nessa que ele deu o 1° título de Série A TIM para o Napoli, sobre a Juve.

Nesta mesma temporada, os Napoletanos venceram a Copa da Itália e a filha de Diego, Dalma, nasceu. O Pibe de Oro se tornava um Deus para os torcedores do Napoli e essa idolatria iria aumentar. O esquadrão liderado pelo camisa 10 seguia sendo muito competitivo na Itália, sempre brigando por títulos. Até que em 90, o baixinho junto com o brasileiro Careca levou o time da Itália ao título da Taça da Uefa, eliminando gigantes como: Juventus e Bayern de Munique. Como resultado, ele colocou os Azzuros em um alto patamar Europeu.

SELEÇÃO ARGENTINA

Sem sombra de dúvidas é o maior jogador dessa nação. O Diez supera Lionel Messi quando o assunto é Seleção, porque ele foi muito mais representativo para seu país que o atacante do Barcelona. A Pulga conseguiu feitos enormes com a camisa azul-grená, mas nunca venceu nada por sua Seleção e nem por um clube argentino. Portanto, para os Hermanos, Diego Maradona é bem maior.

Dieguito é convocado pela Seleção desde seus 17 anos, mas foi cortado da Copa do Mundo de 78. Entretanto, o craque não saiu mais depois desse Mundial. O camisa 10 fez o argentino passar a apreciar o futebol arte. Diferente de muitos, ele se destacava pela técnica e não pela raça. Além disso, ele “vestia” a camisa da Argentina.

O craque disputou quatro Copas, mas duas elas merecem destaque. Primeiramente, a de 86, em que ele conduziu os Hermanos ao título. O Pibe de Oro se destacou com sua maestria, dribles e gols decisivos. Para muitos, a sua melhor atuação foi contra a Inglaterra nas quartas de finais, porque ele marcou dois gols. Um deles foi um golaço, um dos mais bonitos da história das Copas. Por outro lado, o outro foi de mão, conhecido por muitos como “la mano de dios“.

A Copa do Mundo de 1990 mostrou a força de Diego Maradona tinha em Nápoles. A cidade fica no Norte da Itália e naquela época os moradores do Sul do país não a consideravam como parte da nação. O Mundial estava acontecendo na Terra das Massas e a Argentina mais uma vez contava com seu camisa 10 inspirado. A Semifinal seria contra os donos da casa e no Estádio San Paolo. Os Sul-Americanos passaram nos pênaltis, no entanto perderam a final para a Alemanha Ocidental.

DIEGO MARADONA É UM DEUS NA ARGENTINA E EM NÁPOLES

Um episódio que retrata muito isso, foi a semifinal da Copa de 90. O Estádio San Paolo ficou dividido, alguns torciam pela Itália e outros pelo camisa 10. Antes da partida, Maradona declarou:

Durante trezentos e sessenta e quatro dias do ano, vocês são considerados pelo resto do país como estrangeiros e, hoje, têm de fazer o que eles querem, torcendo pela seleção italiana. Eu, por outro lado, sou napolitano durante os trezentos e sessenta e cinco dias do ano”.
Dieguito é exaltado por todos os argentinos. No Brasil é normal as pessoas não gostarem de um determinado atleta, por conta da rivalidade. Entretanto, o camisa 10 supera qualquer rivalidade na Argentina. Todos os clubes prestaram homenagens para Maradona no dia da sua morte. Muitos argentinos consideram o Diez como o maior simbolo da argentina. O jogador supera qualquer outro no quesito: ser idolatrada por sua nação. Alias, supera até Pelé nisso, porque muito brasileiros duvidam que o Rei foi o maior de todos.

O ANO DE 2020 FOI DE DESPEDIDA DOS PRÍNCIPES

O futebol tem muito a te agradecer. Sem sombra de dúvidas você está entre os 5 maiores da história do esporte. Em 1986, Maradona atua em altíssimo nível e foi o grande futebolista da Copa do Mundo e o Melhor do Mundo naquele ano. Diego fez amizades com diversos ídolos brasileiros e merece total respeito de todos. Assim como o Basquete tem a agradecer Kob Bryant, que foi o 2° maior depois de Michael Jordan, o ‘Rei do Basquete'.

O Black Mamba foi o grande nome de sua geração na NBA e muito o titulam como o maior depois de Jordan. Assim como no futebol, Maradona é considerado o número 1 pós-Pelé. Portanto, 2020 “levou” os discípulos dos gramados e das quadras. O que eles fizeram pelo esporte nunca morrerá.

Diego Maradona
Reprodução/Napolista
Foto Destaque: Reprodução/ Getty Images

Leonardo Pinheiro
Escolhi jornalismo porque para mim é prazeroso informar as pessoas, e além disso, a paixão pelo futebol me encorajou a seguir essa carreira. Meu principalmente objetivo na profissão é trabalhar com esportes, principalmente o futebol.

Artigos Relacionados